Como contraponto, é interessante ler o texto do jornalista Schneider Carpeggiani, que passou pelo Paraná e aproveitou para comentar o livro e descer o pau no autor. Ele diz que falo de minha vida sexual no romance, demonstrando que leu o livro como reprodução fiel de vivências. Sinto informar: nada da vida sexual de Beto Nunes tem a ver comigo. Eu quis construir um personagem baseado nos tarados que povoam o imaginário moderno. É ficção nua e crua.
Em um ensaio genial sobre Goethe (Editora 34, 2009), Walter Benjamin fala que duas são as posturas críticas diante de uma obra: buscar o teor factual ou o teor de verdade. O teor factual não tem a menor importância. O que acontece em termos de enredo só serve para levar o leitor a apreender uma verdade oculta sobre o conjunto de fatos apresentado. É este valor mítico de todo texto que determina ou não a sua permanência. Esta verdade não é de ordem histórica, sociológica ou biográfica, mas de natureza simbólica. É preciso ir além da referencialidade para tentar determinar a validade ou não de um livro como literatura. Por favor, não estou dizendo que meu livro tenha este valor, apenas reafirmo que o teor factual desta obra não tem a menor importância.
Esta leitura externa destrói a minha tese de que meu livro será melhor lido fora do Paraná.
Abaixo, o link da matéria em que apareço como um "monstro de escuridão e rutilância". Engraçado que o artigo recai nos mesmos defeitos que ele aponta em meu livro, uma tendência para a fofoca:
http://www.exkola.com.br/scripts/noticia.php?id=31129454