Eu poderia começar este texto sobre Chá das Cinco com o Vampiro, de Michel Sanches Neto, refletindo sobre a fronteira tênue entre a ficção e a não-ficção, mas o problema é que, para mim, não houve fronteira alguma, muito menos tênue. Em dado momento, comentei para minha mulher que, se qualquer outra pessoa da minha família lesse aquele mesmo livro, teria uma experiência completamente diferente da minha, talvez exclusivamente ficcional. O que, para mim, foi impossível.
O curioso é que se pode fazer o caminho inverso. Digamos que minha sogra leia o livro. Ela vai ler, primeiro, como ficção. Exclusivamente ficção. Depois que eu lhe contar quem são os personagens, ela terá outra leitura do, vá lá, romance. Para ela e a imensa maioria dos leitores, Chá das Cinco com o Vampiro pode ser uma experiência ambivalente. Para mim, só monovalente. O que não foi ruim.
O que mais me incomodou (positivamente) no livro foi a sensação de me ver nele. Assim como o narrador, também vivi todo aquele mesmo deslumbramento pela literatura curitibana, personificada pela figura mítica de Dalton Trevisan. Como ele, também tive meus chás das cinco com o vampiro. Como ele, também me decepcionei e consegui escapar do joguinho de interesses pequenos que norteia não só esta relação muito específica, mas em geral todas as relações literárias.
Chá das Cinco é um livro sobre o deslumbramento e sobre a necessidade de auto-afirmação. Lembra Ilusões Perdidas, de Balzac. Mas, por favor, não se engane: é bom perder as ilusões, desde que não nos transformemos em cínicos, claro.
De qualquer modo, foi estranho me encontrar nas páginas do livro. Tão perto e ao mesmo tempo tão distante. E o mais impressionante: tão igual. Miguel Sanches Neto termina o livro com um daqueles finais chaplinianos: a estrada. O que só me faz imaginar todo o resto como a areia movediça que de fato é: todos esperando pacientemente a morte em volta do Chefe da Areia, arrotando glórias inexistentes depois que os pedidos de ajuda se provaram inúteis.
O curioso é que se pode fazer o caminho inverso. Digamos que minha sogra leia o livro. Ela vai ler, primeiro, como ficção. Exclusivamente ficção. Depois que eu lhe contar quem são os personagens, ela terá outra leitura do, vá lá, romance. Para ela e a imensa maioria dos leitores, Chá das Cinco com o Vampiro pode ser uma experiência ambivalente. Para mim, só monovalente. O que não foi ruim.
O que mais me incomodou (positivamente) no livro foi a sensação de me ver nele. Assim como o narrador, também vivi todo aquele mesmo deslumbramento pela literatura curitibana, personificada pela figura mítica de Dalton Trevisan. Como ele, também tive meus chás das cinco com o vampiro. Como ele, também me decepcionei e consegui escapar do joguinho de interesses pequenos que norteia não só esta relação muito específica, mas em geral todas as relações literárias.
Chá das Cinco é um livro sobre o deslumbramento e sobre a necessidade de auto-afirmação. Lembra Ilusões Perdidas, de Balzac. Mas, por favor, não se engane: é bom perder as ilusões, desde que não nos transformemos em cínicos, claro.
De qualquer modo, foi estranho me encontrar nas páginas do livro. Tão perto e ao mesmo tempo tão distante. E o mais impressionante: tão igual. Miguel Sanches Neto termina o livro com um daqueles finais chaplinianos: a estrada. O que só me faz imaginar todo o resto como a areia movediça que de fato é: todos esperando pacientemente a morte em volta do Chefe da Areia, arrotando glórias inexistentes depois que os pedidos de ajuda se provaram inúteis.