<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068</id><updated>2012-02-16T18:01:35.998-02:00</updated><category term='diário do nordeste'/><category term='homem local'/><category term='desleitura'/><category term='decepção'/><category term='leitura'/><category term='função da literatura'/><category term='desilusão'/><category term='estrutura'/><category term='tevê'/><category term='invenção'/><category term='precisão estilística'/><category term='conto'/><category term='olhar de fora'/><category term='cartas'/><category term='oportunismo'/><category term='rir dos outros'/><category term='escrita'/><category term='resenha'/><category term='internet'/><category term='edney silvestre'/><category term='chá das cinco'/><category term='honestidade'/><category term='melhores livros 2010'/><category term='comentários'/><category term='entrevista'/><category term='Felipe Hirsch'/><category term='cantiga'/><category term='literatura brasileira'/><category term='deformação literária'/><category term='gastronomia e literatura'/><category term='mulheres'/><category term='fluência narrativa'/><category term='Nilton Bobato'/><category term='desencanto'/><category term='servidão'/><category term='escritores'/><category term='tipos humanos'/><category term='afastamento'/><category term='revista bula'/><category term='Rascunho'/><category term='partes'/><category term='originais'/><category term='estadão'/><category term='Blumenau'/><category term='personagem'/><category term='carta'/><category term='crítica'/><category term='identidade'/><category term='COMENTÁRIO'/><category term='biografia'/><category term='Curitiba'/><category term='paula parisot'/><category term='A tarde'/><category term='twitter'/><category term='fortuna crítica'/><category term='Carta de Edgar Hampf'/><category term='lugares comuns'/><category term='o romance'/><category term='elite'/><category term='desejo de aparecer'/><category term='recepção'/><title type='text'>Chá das Cinco com o Vampiro</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>*</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>71</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-8769249834695349840</id><published>2011-02-03T20:51:00.000-02:00</published><updated>2011-02-03T20:52:59.480-02:00</updated><title type='text'>LIVROS</title><content type='html'>Por Ana Amorim, &lt;a href="http://ladycapim.blogspot.com/"&gt;http://ladycapim.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chá das Cinco com o Vampiro, esse eu ganhei de aniversário [eu quase monopolizei os funcionários da loja, q tentavam me mostrar algum livro q eu quisesse ler xD uaohaouhauo] eu já li, quando eu vi, achei q fosse de ficção, mas depois eu vi q naum era, o escritor é brasileiro e tem algumas coisas sobre o Brasil no livro, mas não é chato como os livros que as escolas costumam mandar a gente ler, esse é bem legal, eu adorei :)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-8769249834695349840?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/8769249834695349840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/8769249834695349840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2011/02/livros.html' title='LIVROS'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-233084662740565895</id><published>2011-02-03T20:41:00.001-02:00</published><updated>2011-02-03T20:43:22.506-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha'/><title type='text'>CHÁ DAS CINCO COM O VAMPIRO</title><content type='html'>Por Rosiellen Thaís Laurindo e Natalie Rosa, in &lt;a href="http://olhardacritica.wordpress.com/"&gt;http://olhardacritica.wordpress.com/&lt;/a&gt; - 21 de maio de 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro “Chá das cinco com o vampiro”, de autoria do escritor Miguel Sanches Neto, mostra a cara da literatura curitibana. Talvez, por esse motivo, seja mais bem apreciado como ficção por quem está fora da cidade. Somente assim será possível realizar uma leitura branca e branda a cada página, longe de qualquer pré-conceito já estabelecido ou conceito vivido. Não se trata de uma simples ficção, mas de um roman à clef, uma forma narrativa em que o autor trata de pessoas e histórias reais por meio de personagens com nomes fictícios. Contudo, o mais espetaculoso da obra está não na escolha da narrativa, mas no peso dos nomes escolhidos a serem trabalhados por ela.&lt;br /&gt;No livro, a história contada e vivida pelo personagem Beto Nunes é, na verdade, a história do próprio autor, Sanches Neto. Mas ele não reservou para si o papel principal. O protagonista do livro é Geraldo Trentini, na vida real, o escritor Dalton Trevisan – um dos mais renomados contistas brasileiros. Hoje com 84 anos, Trevisan escreveu a obra “O vampiro de Curitiba”, fator explicativo ao título e que demonstra a falta de preocupação de Sanches em preservar as identidades reais de seus personagens. O autor optou intencionalmente por nomeá-los de forma a seguir lógicas que remetessem ao verdadeiro nome correspondente a cada personagem, o que não seria de tanto necessário, pois as características citadas acerca de cada um já explicitariam em demasia suas identidades.&lt;br /&gt;Assim como Sanches, o protagonista Beto, muda-se da pequena cidade de Peabiru para Curitiba com o objetivo de alcançar a carreira literária profissional. Dentre esse desígnio, porém, havia outro alvo a ser alcançado: relacionar-se ativamente com seu ídolo, Geraldo Trentini (Dalton Trevisan). Para tal, frequenta lugares comuns ao do escritor, como a extinta padaria Schaf-fer. Tal finalidade é alcançada, e Beto se torna um aprendiz de Trentini. Assim, cultivam uma longa história de amizade, além da questão profissional envolvendo os ensinamentos literários. Por sete anos foram mestre e discípulo, grandes amigos. Características pessoais e detalhes do cotidiano do protagonista nesses anos são citadas na obra, o que veio a despertar ainda mais a ira do homenageado.&lt;br /&gt;Tal relação, no plano real, foi rompida em 2004, quando, supostamente, o autor apresentou seus manuscritos para um outro amigo. Rapidamente os textos chegaram às mãos de Trevisan, que já havia acusado Beto de revelar detalhes de sua vida pessoal a um repórter. Daí para frente a história só piorou e a amizade entre mestre e discípulo se transformou em guerra. Nesse conflito as armas usadas foram as palavras, afiadíssimas, como as de Trevisan no poema “Hiena Papuda”, direcionado a Sanches. Por conta de tanta polêmica, o livro não fora publicado na época, mas agora, seis anos após o início da confusão, a Editora Objetiva, nos brinda com essa magnífica obra.&lt;br /&gt;O livro também relata acontecimentos envolvendo mais personagens, também reais, como, provavelmente, o jornalista político Fabio Campana, retratado como Orlando Capote. E há outros, cujos quais, Sanches nunca teve uma relação muito agradável. Uma boa forma de vingança!&lt;br /&gt;Em tempos de tantos reality shows, onde as pessoas têm suas personalidades e intimidades tão escancaradas, expostas, esse jogo de adivinhação promovido por Sanches, se torna uma delícia, no mínimo, instigante. As folhas do livro tendem a facilmente serem rasgadas, pela voracidade com a qual a ânsia por novas informações, descobertas, nos faz virar as páginas. Mais que uma boa história, é uma boa história real; mais que uma biografia, seria uma obra não autorizada com uma riqueza de detalhes impressionantes; mais que uma curiosidade acerca da vida do misterioso vampiro de Curitiba, queremos saber o que tanto Trevisan quis nos esconder.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-233084662740565895?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/233084662740565895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/233084662740565895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2011/02/por-rosiellen-thais-laurindo-e-natalie.html' title='CHÁ DAS CINCO COM O VAMPIRO'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-8147229490449674777</id><published>2011-02-03T20:30:00.002-02:00</published><updated>2011-02-03T20:34:21.053-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='melhores livros 2010'/><title type='text'>VEJA QUEM FEZ BONITO NA LITERATURA EM 2010</title><content type='html'>Em uma avaliação sobre quem fez bonito, entrei como quem fez feio, veja abaixo trecho de texto de Alexrande Gaioto que trata de meu livro - Fonte: &lt;a href="http://www.odiario.com/vivamaringa/arteeespetaculos/noticia/379483/veja-quem-fez-bonito-na-literatura-em-2010.html"&gt;odiario.com&lt;/a&gt;, 03.01.2011.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Considerado o melhor contista brasileiro, Dalton Trevisan foi o tema da obra de outro paranaense, o escritor Miguel Sanches Neto, de Ponta Grossa. Em “Chá das Cinco com o Vampiro”, Miguel Sanches Neto romanceou sua relação com Dalton Trevisan e o retratou de forma cruel. Na obra, o autor fala mal de Dalton, como sujeito e escritor.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A obra, em si, é ruim&lt;/strong&gt;. Mas é, de fato, um livro histórico na literatura nacional. Ele conseguiu mostrar, pela primeira vez, detalhes sobre a rotina e a vida pessoal do mais recluso escritor brasileiro de todos os tempos. Em troca, foi chamado de “hiena papuda” pelo curitibano e seu livro foi duramente rechaçado no círculo dos escritores."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-8147229490449674777?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/8147229490449674777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/8147229490449674777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2011/02/veja-quem-fez-bonito-na-literatura-em.html' title='VEJA QUEM FEZ BONITO NA LITERATURA EM 2010'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-890276681755646241</id><published>2011-02-03T20:20:00.003-02:00</published><updated>2011-02-03T20:26:20.288-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha'/><title type='text'>O VAMPIRO DE ALMAS</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TUsqzm0XDOI/AAAAAAAAAPE/zIFRZ3Mz6z8/s1600/ALMAS.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5569592430255607010" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TUsqzm0XDOI/AAAAAAAAAPE/zIFRZ3Mz6z8/s320/ALMAS.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Por Cassionei Niches Petry&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um desavisado pode pensar - a julgar pelo título e a capa escura com um rapaz de rosto pálido - que o livro é mais um dos que tratam de jovens chupadores de sangue que arrancam suspiros das meninas. Jogada da editora para atrair leitores nas prateleiras das livrarias? Talvez. Confesso que gostaria de ver um desses adolescentes sedentos por “leituras-de-entretenimento-escritas-para-virar-filme” sendo enganado, pois teria contato com uma “leitura-de-qualidade-escrita-para-ser-literatura”.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Chá das cinco com o vampiro &lt;/em&gt;(Objetiva, 236 páginas), do paranaense Miguel Sanches Neto, é um misto de roman à clef com bildungsroman. O primeiro termo se refere a um romance que se utiliza de nomes fictícios para retratar pessoas reais, mas percebemos sobre quem se está escrevendo devido a algumas semelhanças com pessoas e fatos da vida real. O segundo termo é também chamado de romance de formação, visto que narra o processo de crescimento moral, intelectual e social de um indivíduo desde sua adolescência. A narrativa de Sanches intercala momentos da vida do protagonista, Roberto Nunes Filho, e seu convívio com um escritor recluso e famoso da cidade de Curitiba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O misantropo retratado, Geraldo Trentini, na verdade é Dalton Trevisan, considerado um dos maiores contistas do país, e que escreveu justamente um livro chamado &lt;em&gt;O vampiro de Curitiba&lt;/em&gt;, que, como em seus outros livros, narra cenas da vida de gente comum da capital paranaense. Ele mesmo se denomina vampiro, pois chupa muitas das suas histórias ouvindo conversas nos lugares que frequenta ou contadas por informantes. No caso, vampiro não de sangue, mas “Vampiro de almas”, título de um dos seus contos - chupado por sua vez do título de um filme americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que Dalton Trevisan ficou irritado por saber da existência do romance, pois Miguel Sanches Neto teria se aproveitado da amizade que teve com ele para saber de suas intimidades. Contraditório, afinal de contas seu ex-discípulo não fez nada diferente do ex-mestre ao pintar um personagem curitibano como ele realmente é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polêmica até rendeu visibilidade à obra, mas fez a crítica, mais interessada na fofoca, esquecer as partes que relatam a formação do narrador Beto Nunes, “levemente” inspirado no próprio Sanches. São capítulos igualmente importantes - pois a história é do Beto e não de Trentini - e neles vemos o jovem na pequena Peabiru tendo sua iniciação literária com a tia Ester, personagem cativante que incentiva o sobrinho a seguir o caminho da literatura, indicando livros e pagando a faculdade para ele, além de aconselhá-lo a procurar Geraldo Trentini. Há também a relação com seus pais: uma mãe, figura apagada, que queria sempre o filho embaixo de suas saias, e um pai alcoólatra que, bem pelo contrário, queria vê-lo longe. Nesse ponto, a narrativa lembra o relacionamento de Franz Kafka com seu genitor, em uma das tantas referências literárias no romance. Por isso Beto procura por um novo pai, dessa vez literário, que da mesma forma o decepciona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o vampiro da obra de Miguel Sanches Neto seja na verdade a própria literatura, enfiando seus dentes no nosso pescoço e nos tirando a essência que lhe dá a vida. Da mesma forma, seu livro mostra que o mundo literário tem efeito parecido - com seus membros vaidosos, a falsidade, a inveja - pois tira do escritor momentos preciosos que seriam usados para o que é realmente importante: escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a lenda, o vampiro só entra dentro de uma casa se for convidado e depois seduz a vítima para atacá-la. Cuidado, leitor, se levar esse livro para seu lar, pois sua alma será prisioneira desse vampiro de almas chamado literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cassionei.blogspot.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Recanto das Letras em 23/08/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-890276681755646241?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/890276681755646241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/890276681755646241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2011/02/o-vampiro-de-almas.html' title='O VAMPIRO DE ALMAS'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TUsqzm0XDOI/AAAAAAAAAPE/zIFRZ3Mz6z8/s72-c/ALMAS.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-1511682202407405312</id><published>2010-10-23T11:46:00.002-02:00</published><updated>2010-10-23T12:07:15.269-02:00</updated><title type='text'>DOIS ESCRITORES CHAMADOS MIGUEL SANCHES NETO</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;Daniel Couto, &lt;em&gt;Revista UP &lt;/em&gt;n. 25, 04 de outubro de 2010.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em uma pequena cidade, longe do burburinho da classe literária, um escritor vem grafando seu nome na história da literatura, com seus livros que revolucionaram a fronteira entre ficção e realidade&lt;/em&gt;&lt;a href="http://200.219.238.118/adm/?attachment_id=76" rel="attachment wp-att-76"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel Sanches Neto, 45, é um escritor dedicado a escravizar seus leitores. Munido de uma imaginação farta, sensível e erótica, a cada obra ele dá provas de que seu nome não é transitório, mas, sim, o de um escritor que vai deixando sua marca, para colocar seus livros no patamar onde estão nomes como Hemingway, Borges e Graciliano Ramos. Depois de você ler uma de suas obras, é bem provável que irá querer ler outro e mais outro, e desta forma se tornar um leitor-prisioneiro, viciado em seus escritos. Mas será uma prisão privilegiada, afinal, trata-se de um autor que já foi comparado a Lima Barreto, Raul Pompéia, Truman Capote e Cormac McCarthy. Para entender sua importância, pescamos três momentos de sua trajetória, que serão contados em uma sequência não-linear, um de seus recursos como escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2010. É HORA DO CHÁ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos meses, você pode ter passado por uma livraria e visto o livro &lt;em&gt;Chá das Cinco com o Vampiro&lt;/em&gt; (Editora Objetiva, 2010) na prateleira dos lançamentos, achando que se tratava de um título sobre fantasias vampirescas, lobisomens ou outros elementos fantásticos da literatura juvenil. Mas, nada disso. O livro foi um dos maiores alvoroços literários dos últimos anos no Brasil. De tão polêmico, embaralhou a vista da classe crítica brasileira, que cobriu massivamente o lado que supostamente inspirou a história e deixou de canto sua proposta ficcional.&lt;br /&gt;O motivo de todo este alvoroço remonta à década de 1990, quando, por sete anos, os escritores Miguel Sanches Neto e Dalton Trevisan foram pupilo e mestre. Dalton Trevisan é famoso por seus contos ambientados em Curitiba e por sua reclusão que já soma 40 anos. Por achar que Sanches Neto havia dado informações pessoais suas a um repórter, o mentor reagiu ferozmente contra o pupilo, disparando acusações e ofensas. Desiludido, Sanches escreve no calor do momento, mesmo sem interesse de publicar, o romance &lt;em&gt;Chá das Cinco com o Vampiro&lt;/em&gt;, um retrato do meio literário curitibano mesquinho e vaidoso, em um estilo já usado, por exemplo, por Truman Capote, em &lt;em&gt;Súplicas Atendidas&lt;/em&gt;, que se vale de nomes parecidos e referências próximas às pessoas reais para inspirar uma ficção com trejeitos de história verídica. Tal recurso chama-se de &lt;em&gt;roman à clef&lt;/em&gt;, um gênero que já fazia sucesso na França do século XVII, quando se incluíam em narrativas ficcionais pessoas conhecidas da corte de Luis XIV.&lt;br /&gt;Porém, uma cópia do original acabou caindo nas mãos de Trevisan, que mais uma vez se revolta contra Sanches, agora publicamente, através do poema "Hiena Papuda". Passaram-se dez anos e Sanches, cansado dos ataques, decidiu publicá-lo, elevando os brios do meio literário e jornalístico nacional.&lt;br /&gt;A cobertura sobre o livro mais pareceu um debate sobre as fronteiras entre o ficcional e o real do que uma cobertura crítica sobre o romance em si. Mas, quando olhado por lentes literárias, as críticas são extremamente favoráveis. Sanches Neto busca certa precisão que figura em obras como a de Ruben Fonseca e Dalton Trevisan, no Brasil; e Cormac McCarthy, nos EUA, aponta Dellano Rios em reportagem no caderno 3 do &lt;em&gt;Diário do Nordeste&lt;/em&gt;. Eustáquio Gomes, do &lt;em&gt;Jornal do Brasil&lt;/em&gt;, tentando posicionar a obra, escreve: "&lt;em&gt;Recordações do Escrivão Isaías Caminha&lt;/em&gt;, romance de estreia de Lima Barreto, encontra em &lt;em&gt;Chá das Cinco com o Vampiro&lt;/em&gt; o seu equivalente temático e qualitativo".&lt;br /&gt;O livro ainda tem uma característica-chave presente também em outros romances do escritor, fundamental para compreender sua obra, que é a volta do personagem ao local de onde partiu no começo da história. Sanches explica que se trata de um retorno às origens. "Mas não é um retorno tranquilo, ele é tumultuado, cheio de frustrações, mas revela um desejo de recomeçar. Todos os meus personagens desejam recomeçar. Viver é sempre recomeçar, não é?", completa o escritor.&lt;br /&gt;Mas, apesar de ter atraído tantos holofotes, ainda é cedo para definir a importância de &lt;em&gt;Chá das Cinco com o Vampiro&lt;/em&gt;. "Foi um livro que rendeu notícias. Espero que renda também compreensão", avalia Miguel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2000 - A ORIGEM&lt;br /&gt;Sanches começou a vida literária cedo. Escreve desde os 13 anos e sempre buscou uma ligação com a literatura. Nasceu em 1965 em uma pequena cidade no norte do Paraná e passou a infância em Peabiru, cidade que serve de cenário em muitos de seus romances e contos. Começou, na verdade, pela poesia, "esta amante arisca - dessas para quem você dá de tudo e recebe muito pouco", como gosta de definir. Depois de se formar em Letras na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Mandaguari (FAFIMAN), começou a publicar seus textos no, hoje extinto, mas bastante prestigiado na época, jornal &lt;em&gt;Nicolau &lt;/em&gt;e em outros jornais (textos que estão reunidos no volume &lt;em&gt;Primeiros Contos&lt;/em&gt;, Arte e Letras, 2008). "Eu mandava para os editores de caderno de cultura para os quais eu fazia resenhas. Na publicação antes do formato livro, você vai testando a recepção de seus textos, vai vendo o que funciona. Ler um texto da gente publicado nos dá um olhar de fora, e isso ajuda a revelar erros e acertos", observa o escritor.&lt;br /&gt;A trajetória de Miguel tem muita relação com as temáticas de suas obras, devido ao seu estilo confessional de escrever. "Toda grande literatura é autobiográfica", apontou certa vez, em uma entrevista anterior à publicação de seu primeiro romance, &lt;em&gt;Chove sobre minha Infância&lt;/em&gt; (Record, 2000). O livro traz à tona memórias e experiências em sua cidade natal e foi responsável por revelar o autor em nível nacional. Não apenas isso. &lt;em&gt;Chove Sobre a Minha Infância&lt;/em&gt; é também o livro para ser lembrado na história da literatura.&lt;br /&gt;No jornal &lt;em&gt;O Globo&lt;/em&gt;, o crítico literário Wilson Martins comparou a obra com &lt;em&gt;O Ateneu&lt;/em&gt;, de Raul Pompéia e garantiu: "É um dos grandes escritores brasileiros de nosso tempo num dos grandes momentos de nossa literatura". Miguel explica a importância que foi dada à obra: "É um livro que leva o discurso autobiográfico a uma fronteira que a literatura brasileira não conhecia ainda. É um livro perverso, porque joga com memória e ficção sem deixar pistas para o leitor. Tudo pode ser lido como ficção. E não é. Tudo pode ser lido como autobiografia e também não é. Depois deste livro, muitos escritores brasileiros passaram a escrever de forma mais à vontade sobre a própria vida".&lt;br /&gt;Essa compreensão clara de sua posição na literatura se deve também a outra faceta de Miguel, a de crítico literário e professor de Literatura. Miguel é doutor em Teoria Literária pela Universidade de Campinas (UNICAMP) e hoje também é considerado um dos expoentes da crítica nacional. Desta forma, são duas pessoas que trabalham no livro. O Miguel escritor ("quem escreve é o homem que sou") e o Miguel crítico e professor: "É o crítico e professor treinado a ver as coisas que vai fazendo podas, enxertando passagens. Quem escreve é um. Quem revisa é outro. Somos dois autores assinando os meus livros".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2005. O MELHOR AUTOR DE SUA GERAÇÃO&lt;br /&gt;Depois do lançamento de &lt;em&gt;Chove sobre Minha Infância&lt;/em&gt;, a literatura de Sanches foi acompanhada de perto pela imprensa nacional e seu nome cresceu até ser considerado pela revista &lt;em&gt;Veja &lt;/em&gt;como "o melhor autor de sua geração". Tal indicação ecoou nas alturas e chamou a atenção para seu próximo romance, &lt;em&gt;Um Amor Anarquista&lt;/em&gt;, ambientado em uma colônia chamada Cecília, fundada em 1890 em Palmeira, no interior do Paraná, onde os pilares anárquicos amor-livre, propriedade coletiva e liberdade individual serviram de pano de fundo para um romance de beleza e peso.&lt;br /&gt;Sanches pesquisou o tema por uma década e visitou diversas vezes o local para sentir na pele a história que queria contar. &lt;em&gt;Um Amor Anarquista&lt;/em&gt; se tornou até hoje seu livro de maior vendagem e de grande repercussão na imprensa, projetando Sanches como escritor de renome nacional, além de ter tido ótimas respostas estrangeiras. Foi traduzido para o espanhol e teve aceitação na Itália e na França, sendo comparado com os livros de Truman Capote, além de ter sido tema de seminário na Universidade de Lyon (França).&lt;br /&gt;A tal geração em que Sanches se destacou é a chamada 'geração dos anos 90'. "Pertenço a uma literatura que busca uma conexão maior com os leitores", comenta sobre sua época, mas sem se ligar a nenhum grupo. A crítica sempre busca identificar o escritor a uma determinada linhagem e a literatura está marcada muitas vezes por grupos ligados por afinidades estilísticas, ideológicas, políticas ou regionais, a exemplo da geração Perdida ou geração Beatnik. Mas, Sanches vai na contramão deste padrão de comportamento, mantendo-se sem uma identidade grupal.&lt;br /&gt;Assim, vivendo longe do burburinho que movimenta a classe literária em cidades grandes, Miguel, de uma cidade do interior do Paraná chamada Ponta Grossa, escreve de forma prolífica, se ligando, como diz, a "escritores para quem a literatura é uma experiência humana intensa posta em uma linguagem cativante". Portanto, não a uma panela de artistas da época atual, mas a um grupo de escritores que marcaram seus nomes na história da literatura. E, pelo que parece, não quer ser apenas o melhor de sua geração. "Gostaria de escrever um romance que permitisse que o leitor olhasse o mundo com os olhos de primeira vez", conclui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livros&lt;br /&gt;Miguel Sanches Neto já publicou mais de 20 livros, entre romances, contos, crônicas, poesia e literatura infanto-juvenis. E diversos outros como organizador de antologias. Veja aqui uma seleção de sete de suas obras principais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Chá das Cinco Com o Vampiro &lt;/em&gt;(Romance, Objetiva, 2010) - Romance de formação que relata a trajetória de um escritor que sai de uma cidade pequena e consegue penetrar na vida literária da capital.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A Primeira Mulher &lt;/em&gt;(Romance, Record, 2008) - Um romance semi-policial em que o personagem principal se envolve em uma grande trama quando uma ex-namorada, candidata à prefeitura, pede sua ajuda.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um Amor Anarquista &lt;/em&gt;(Romance, Record, 2005) - Romance Histórico passado na Colônia Cecília, onde o amor livre e as ideias socialistas são postas em prática.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hóspede Secreto &lt;/em&gt;(Contos, Record, 2003) - Livro que conquistou o 1º Lugar do Prêmio Cruz e Sousa (2002), um dos mais importantes da literatura brasileira. Os personagens, naturais de Peabiru oferecem 13 belas histórias de lembranças e confrontos na vida.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Herdando uma Biblioteca &lt;/em&gt;(Crônicas, Record, 2004) - Aqui o autor revela como desenvolveu o amor pelos livros e traz verdadeiras pepitas para quem está começando a tomar gosto pela literatura.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Venho de Um País Obscuro &lt;/em&gt;(Poesia, Bertrand Brasil, 2005) - Das memórias da infância e adolescência, o autor busca inspiração poética para lembrar da vida no interior&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Próximo livro - O próximo trabalho de Sanches já está em fase de produção. É a coletânea de contos &lt;em&gt;Então você quer ser Escritor?,&lt;/em&gt; da editora Record, previsto para o começo de 2011. Já em poesia, área que não publica desde 2005, Miguel comenta que talvez publique daqui uns cinco anos. "Não devemos publicar mais do que um livro de poemas por década", defende.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-1511682202407405312?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/1511682202407405312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/1511682202407405312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/10/dois-escritores-chamados-miguel-sanches.html' title='DOIS ESCRITORES CHAMADOS MIGUEL SANCHES NETO'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-1157392228424845342</id><published>2010-10-23T11:33:00.002-02:00</published><updated>2010-10-23T11:40:32.629-02:00</updated><title type='text'>CONVERSAS COM O VAMPIRO DE CURITIBA</title><content type='html'>Carlos de Sousa, Toque – livros e cultura. Natal: &lt;em&gt;Tribuna do Norte&lt;/em&gt;, 13 de outubro de 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia estava vendo um programa de entrevistas na Globonews. Era Edney Silvestre (que ganhou junto com Raimundo Carrero o Prêmio São Paulo de Literatura) entrevistando o escritor curitibano Miguel Sanches Neto. Comentei com meu amigo João da Rua sobre o livro e ele disse que deveria ser interessante. Dias depois dei um livro de Dalton Trevisan para João e não demorou muito ele chegar lá em casa com um exemplar do livro de Sanches Neto. Pois bem, o livro que vou comentar hoje é &lt;em&gt;Chá das Cinco com o Vampiro&lt;/em&gt;, de Miguel Sanches Neto, Objetiva, 236 páginas, R$39,90.&lt;br /&gt;Li o livro de uma visada só. Começo da noite até as primeiras luzes da manhã. É um romance de ficção? Não. Parece mais uma biografia romanceada e não autorizada de Dalton Trevisan, só que com os nomes trocados. De quebra, o autor ainda faz retratos cruéis de amigos, ex-amigos e até de desconhecidos. Nisso o livro é muito bom. Você lê o tempo inteiro esperando a hora de pegar um filãozinho qualquer de fofofoca. Tem o escritor medíocre que se acha Cult e o melhor do Brasil; tem o publicitário que não consegue escrever seu grande livro; tem a coroa artista plástica que não suporta a chegada da velhice; tem o poeta chato que quer mostrar seus originais para o jornalista; e por aí vai. Sanches Neto é muito bom na descrição de seres humanos que ele conhece.&lt;br /&gt;Porém, o principal personagem do livro, apesar de ser narrado na primeira pessoa, é mesmo o contista Dalton Trevisan. Como todo mundo que leu um pouco sabe, ele vive recluso em Curitiba, e foi também por muito tempo um mestre do conto no Brasil. Eu o conheço atavés de sua obra-prima &lt;em&gt;O Vampiro de Curitiba&lt;/em&gt;. Mas, com o passar do tempo ele ficou chato e repetititvo. Os contos ficaram minúsculos, às vezes, muito ruins. Você percebe uma certa preguiça no seu fazer literário. Isso é dito com todas as letras por Sanches Neto, e aí está o grande mérito de seu livro, que ele disse ter relutado muito para publicar, mas eu não acredito. O material que ele tinha em mãos era sua única porta de entrada para o mundo dos eleitos na literatura brasileira. Não que ele faça boa literatura. Seu estilo apressado pede um melhor burilamento das frases. Os trechos em que o narrador fala de si mesmo, só alcançam as alturas quando ele fala da Tia Ester, grande personagem do livro.&lt;br /&gt;Mas é sempre interessante ver um escritor falando de seu mundinho, o mundinho literário em que rastejam esses vermes que encontramos em todas as capitais. Tudo é muito parecido, tanto em Curitiba quanto em Natal. É a mesma fuleragem em torno das vaidades, e o grande Dalton Trevisan não foge disso. Acho que nem os grandes como Proust, Joyce e Balzac não fugiram dessa merda toda. É sempre a mesma história. A diferença é que as futricas deles lá em Curitiba acabam saindo na grande imprensa, talvez pela proximidade, enquanto aqui nós vivemos no completo desconhecimento. Curitiba tem dois grandes nomes como Dalton Tevisan e Paulo Leminski e mais uma penca de gente boa, tanto na ficção como na crítica.&lt;br /&gt;Sanches Neto tem umas sacadas legais ao observar a fauna humana local. Ele diz que os livros produzidos por aqueles poetas que ficam reunidos na Casa do Poeta, no centro da cidade, são como os cavalinhos de artesanato. Não servem nem para decoração. É com um desses poetas que ele narra uma cena de pugilato. Tudo bem, mas ao narrar suas agruras de rapaz incompreendido, esnobado pelo mestre, Sanches Neto acaba se colocando numa situação meio incômoda, como se o narrador fosse o dono da verdade e estivesse acima de tudo. Que nada, ele também tem suas falhas.&lt;br /&gt;Percebi também suas fortes influências vindas da literatura americana, desde J. D. Salinger até Philip Roth, ambos citados no livro. Isso pode ter sido um diferencial para que ele enfim criasse sua própria voz, ganhando distância da proverbial concisão da literatura curitibana. Uma coisa é certa, não é um livro chato. É muito simples e gostoso de ler e, digo mais uma vez, delicioso quando faz fofoca com a vida dos outros. Porque nós, seres humanos, temos essa característica de nos deliciarmos com a dismitificação alheia. Somos todos iguais, vejam bem, pensamos intimamente. Só porque determinado sujeito tem um talento para escrever coisas melhores que nós, não vamos deixar que ele se ache mais importante, grita nosso ego. Sanches Neto abriu uma porta para essa atitude humana. O resultado foi semelhante ao que aconteceu com Truman Capote (que é homenageado no livro dando nome a um personagem). Sanches Neto caiu em desgraça com várias pessoas que se reconheceram em seus personagens. O mais irritado de todos foi o próprio Dalton Trevisan, que chamou o autor de “hiena papuda”. Isso de cara já coloca o grande contista no nível de qualquer mortal. Triste daquele que não sabe rir de si mesmo. No final, mesmo talvez sem perceber, Sanches Neto faz uma citação a Coetzee e seu personagem Michael K. Deixa de escrever críticas em jornais para parar de arranjar inimigos e procura o refúgio da natureza. Fico pensando que, até certo ponto, ele tem razão. Se eu fosse exercer aqui a crítica com os rigores da crítica que é feita nas universidades, eu não poderia andar em paz pelas ruas de Natal. Por isso, faço resenhas apenas para incentivar a leitura de livros. Apenas isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-1157392228424845342?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/1157392228424845342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/1157392228424845342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/10/conversas-com-o-vampiro-de-curitiba.html' title='CONVERSAS COM O VAMPIRO DE CURITIBA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-6186094703485843404</id><published>2010-09-28T08:15:00.003-03:00</published><updated>2010-09-28T08:26:53.423-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carta de Edgar Hampf'/><title type='text'>OBRA PERVERSAMENTE DELICADA: uma carta de Edgar Hampf</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TKHQlw2UqVI/AAAAAAAAAIE/ql984EotXcE/s1600/15.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5521923965319424338" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 256px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TKHQlw2UqVI/AAAAAAAAAIE/ql984EotXcE/s320/15.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Caro MSN, é o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o porquê, mas gostei muito mais do &lt;em&gt;Chá das cinco com o vampiro &lt;/em&gt;na segunda leitura. Com teus livros geralmente acontece isso. Comecei finalmente a identificar alguns dos personagens, mas muitos me permanecem nebulosos. Talvez por minha formação interiorana, sem o convívio capitolino.&lt;br /&gt;A mim me parece, e sempre posso estar errado (quando não é regra geral) que há ali algo mais que um roman-ajuste-de-contas-com-a-história. Encontrei fantasmas difíceis de ser exorcizados, e que já apareciam, como sombras, em &lt;em&gt;Chove sobre minha infância&lt;/em&gt;, num desvão de cerca de &lt;em&gt;Um amor anarquista&lt;/em&gt; e até numa esquina de &lt;em&gt;A primeira mulher&lt;/em&gt;. Enfim, tem um rapazote tímido espreitando o mundo, olhos curiosos, pescoço comprido, roupas simples e conceitos complicados, desejando mais do que pode e se enfezando quando a vida lhe dá lições que ele não queria aprender. Mas isso é só teoria barata, lógico, análise de botequim.&lt;br /&gt;Me deliciei com os retratos mordazes das aves agourentas que fazem da capital da província a mais antipática das metrópoles, ainda que externamente pareça simpática.&lt;br /&gt;Fiquei com muita saudade daquela Curitiba. Frequentei aquelas galerias, nos anos 70. Ia com meu pai e minha mãe. Fui ao Edifício Asa (a sede da Associação dos Professores do Paraná ficava lá, encarapitada no fundo de um corredor escuro e eu, menino, morria de medo). Comi aquelas coisas gordurentas nas galerias Schaffer e na Confeitaria das Famílias. Minha mãe adorava. Você me trouxe de volta um pouco do frescor do fim da minha meninice, quando eu ainda sonhava com edifícios altos e nem pensava em mulheres idem.&lt;br /&gt;Há uma ternura grande nos relatos envolvendo "tia Ester", especialmente o fim (dela). Tocante, de fato, com um simbolismo [o crítico profissional certamente vai achar coisa diferente...] que extrapola a simples relação de familiaridade: vai além e tangencia a própria mortalidade. Inclusive de quem lê e vê que o fim, mais do que possibilidade, é só uma questão de oportunidade.&lt;br /&gt;Gostei muito enfim. Muito mesmo. Acredito que é um dos teus livros mais saborosos. Tem ali uma paixão que não encontrei, por exemplo, em &lt;em&gt;A primeira mulher&lt;/em&gt;. E paixão é o que faz a diferença.&lt;br /&gt;Parabéns, outra e mais uma vez. É uma obra deliciosa, delicadamente perversa, e perversamente delicada.&lt;br /&gt;Aguardo com ansiedade o próximo.&lt;br /&gt;Abraço do&lt;br /&gt;Edgar Hampf&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-6186094703485843404?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/6186094703485843404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/6186094703485843404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/09/obra-perversamente-delicada-um-carta-de.html' title='OBRA PERVERSAMENTE DELICADA: uma carta de Edgar Hampf'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TKHQlw2UqVI/AAAAAAAAAIE/ql984EotXcE/s72-c/15.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-7812908502476243337</id><published>2010-09-22T00:14:00.001-03:00</published><updated>2010-09-22T00:14:35.621-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha'/><title type='text'>OLHAR DA CRÍTICA</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;Por Rosiellen Thaís Laurindo e Natalie Rosa&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O livro “Chá das cinco com o vampiro”, de autoria do escritor Miguel Sanches Neto, mostra a cara da literatura curitibana. Talvez, por esse motivo, seja mais bem apreciado como ficção por quem está fora da cidade. Somente assim será possível realizar uma leitura branca e branda a cada página, longe de qualquer pré-conceito já estabelecido ou conceito vivido. Não se trata de uma simples ficção, mas de um roman à clef, uma forma narrativa em que o autor trata de pessoas e histórias reais por meio de personagens com nomes fictícios. Contudo, o mais espetaculoso da obra está não na escolha da narrativa, mas no peso dos nomes escolhidos a serem trabalhados por ela.&lt;br /&gt;No livro, a história contada e vivida pelo personagem Beto Nunes é, na verdade, a história do próprio autor, Sanches Neto. Mas ele não reservou para si o papel principal. O protagonista do livro é Geraldo Trentini, na vida real, o escritor Dalton Trevisan – um dos mais renomados contistas brasileiros. Hoje com 84 anos, Trevisan escreveu a obra “O vampiro de Curitiba”, fator explicativo ao título e que demonstra a falta de preocupação de Sanches em preservar as identidades reais de seus personagens. O autor optou intencionalmente por nomeá-los de forma a seguir lógicas que remetessem ao verdadeiro nome correspondente a cada personagem, o que não seria de tanto necessário, pois as características citadas acerca de cada um já explicitariam em demasia suas identidades.&lt;br /&gt;Assim como Sanches, o protagonista Beto, muda-se da pequena cidade de Peabiru para Curitiba com o objetivo de alcançar a carreira literária profissional. Dentre esse desígnio, porém, havia outro alvo a ser alcançado: relacionar-se ativamente com seu ídolo, Geraldo Trentini (Dalton Trevisan). Para tal, frequenta lugares comuns ao do escritor, como a extinta padaria Schaf-fer. Tal finalidade é alcançada, e Beto se torna um aprendiz de Trentini. Assim, cultivam uma longa história de amizade, além da questão profissional envolvendo os ensinamentos literários. Por sete anos foram mestre e discípulo, grandes amigos. Características pessoais e detalhes do cotidiano do protagonista nesses anos são citadas na obra, o que veio a despertar ainda mais a ira do homenageado.&lt;br /&gt;Tal relação, no plano real, foi rompida em 2004, quando, supostamente, o autor apresentou seus manuscritos para um outro amigo. Rapidamente os textos chegaram às mãos de Trevisan, que já havia acusado Beto de revelar detalhes de sua vida pessoal a um repórter. Daí para frente a história só piorou e a amizade entre mestre e discípulo se transformou em guerra. Nesse conflito as armas usadas foram as palavras, afiadíssimas, como as de Trevisan no poema “Hiena Papuda”, direcionado a Sanches. Por conta de tanta polêmica, o livro não fora publicado na época, mas agora, seis anos após o início da confusão, a Editora Objetiva, nos brinda com essa magnífica obra.&lt;br /&gt;O livro também relata acontecimentos envolvendo mais personagens, também reais, como, provavelmente, o jornalista político Fabio Campana, retratado como Orlando Capote. E há outros, cujos quais, Sanches nunca teve uma relação muito agradável. Uma boa forma de vingança!&lt;br /&gt;Em tempos de tantos reality shows, onde as pessoas têm suas personalidades e intimidades tão escancaradas, expostas, esse jogo de adivinhação promovido por Sanches, se torna uma delícia, no mínimo, instigante. As folhas do livro tendem a facilmente serem rasgadas, pela voracidade com a qual a ânsia por novas informações, descobertas, nos faz virar as páginas. Mais que uma boa história, é uma boa história real; mais que uma biografia, seria uma obra não autorizada com uma riqueza de detalhes impressionantes; mais que uma curiosidade acerca da vida do misterioso vampiro de Curitiba, queremos saber o que tanto Trevisan quis nos esconder.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-7812908502476243337?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/7812908502476243337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/7812908502476243337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/09/olhar-da-critica.html' title='OLHAR DA CRÍTICA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-1079011560668987121</id><published>2010-09-22T00:06:00.002-03:00</published><updated>2010-09-22T00:07:29.601-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Felipe Hirsch'/><title type='text'>FELIPE HIRSCH em O GLOBO</title><content type='html'>A reação ao ler Dalton Trevisan é uma espécie de raiva de sua absoluta invisibilidade moral, quando sabemos que ele está espreitando, escondido, atrás de seu genial estilo". Palavras do New York Times Review. Numa livraria do Leblon, agarrei meu exemplar de Desgracida, novo livro de Dalton. Do lado, repousava o polêmico Chá das Cinco com o Vampiro, quarto romance de Miguel Sanches Neto. Sobre esta obra, o melhor comentário que ouvi foi do meu amigo Sergio Viralobos: "O cara é um grande traíra, mas alguém tinha que fazer o serviço sujo". Pelo livro, circulam personagens da cena literária de Curitiba. Identificáveis, convivem não harmonicamente pela ficção. Capítulos polêmicos são dedicados a um grande contista, facilmente associado a Dalton Trevisan. Segredos deste mundo guardado, são revelados graças a intimidade compartilhada pelo autor e o Vampiro. Essas revelações foram, literalmente, amaldiçoadas pelo clássico contista. Wilson Bueno (recentemente assassinado), Valêncio Xavier, Jamil Snege são reconhecíveis também. O estrago é grande. O original, antes de ser publicado, já circulava e acirrava debates vaidosos sobre o caráter da obra desautorizada. Como personagens da Fome de Knut Hamsun, artistas vagam miseráveis carregando seus pequenos e grandes talentos. Dalton, ou melhor, Geraldo Trentini sobressai com sua personalidade artística acima de qualquer média, e cria para si o personagem arredio e inacessível, protegido da convivência humana. O jornal literário Rascunho diz que "antes de sugar o sangue e a vida do Vampiro, Miguel lhe deu humanidade". Não que Dalton Trevisan tenha gostado. Chamou, em verso, o antigo discípulo de "hiena papuda necrófila." Continuou, dizendo que ele "mente na vírgula, mente no pingo do i". E concluiu, citando o apóstulo Judas: "se não for à figueira seca, a figueira e o laço da corda fatal virão até você." Genial.&lt;br /&gt;Dalton publica em Desgracida a polêmica carta enviada, em 1968, a Otto Lara Resende. A batizada "mal traçadas linhas" afirma que Guimarães Rosa era "um cronista genial, a mão leve de beija-flor, mas - ai de mim - romancista menor." Diz que o autor era artificial e muito comportadinho, que suas personagens femininas "nunca tiveram nada entre as pernas". Essas agressões, cheias de paixão, são ecos do eterno lírismo monstruoso e romântico do vampiro. Seu estilo foi moldado no fim da década de 40, quando editou na revista Joaquim traduções originais de Joyce, Proust, Kafka e o inédito "O Caso do Vestido" de Drummond. Ilustrados por Di Cavalcanti, Bakun e Heitor dos Prazeres. Dalton sempre foi devoto dos russos. Para ele "em cada esquina de Curitiba um Raskolnikov te saúda, a mão na machadinha sob o paletó". Antes de Rosa, é devoto de Machadinho também.&lt;br /&gt;Passei minha juventude nessas esquinas de Raskolnikov. No belo centro da Confeitaria Schaffer, em lugares conhecidos como a Boca Maldita (onde comprava pôsteres dos designers poloneses católicos da Krakóvia). Olhava a casa cinzenta, de esquina, onde mora o Vampiro. Sempre com as janelas fechadas, até hoje quando não moro lá há dez anos. Tempo que sucateou o centro (você não imagina o estado do Largo da Ordem, Caetano) e salpicou as ruas de marginais viciados em crack. Aquele lugar, distante, sufocado em mim, sinto no gosto da água das torneiras, no mofo das roupas de frio retiradas dos armários nos dias de inverno e no inesquecível céu azul. Está no meu primeiro passeio de bicicleta, no uivo macabro do terreno baldio, nas mentiras que contei, no tato do primeiro sexo, nos olhos de todos os amigos de infância, no que me envergonho, no que me orgulho, no que fez de mim único e qualquer um. Grosseiramente, existiu a Curitiba de Paulo Leminski (essa da qual sou um herdeiro) e existe a de Dalton Trevisan.&lt;br /&gt;Eu sei, especificamente, sobre o que ele fala. Eu conheço Dalton Trevisan. Apesar de só ter trocado um singelo cumprimento, recebido um recado ou outro através de uma amiga, apesar de só vê-lo de longe, atravessando a cidade, rosto amarrado no chão. Eu o conheço porque ele me assombrou no caminho de casa. Vampiro de almas, espião de corações solitários, Dalton vive protegido por sua própria maçonaria (palavras de Otto Lara). Ninguém fala sobre, na sua intimidade. Por que este Chá das Cinco com o Vampiro ousaria fazer? Observo a janela fechada do Vampiro desde meus 11 anos de idade. Trabalhar sobre a obra de Dalton e Leminski é difícil, porque não a supomos. Imaginamos, sugerimos, simulamos uma Russia, mas não admitimos fácil recriar algo tão próximo e conhecido. O impossível está a um passo. O possível está o mais distante possível. A imaginação é possível. A vida na sua esquina não é. Della Stela diz que a carga humana, na obra de Dalton, é tão real que somos capazes de suspender nosso julgamento diante da mais macabra ação que uma personagem consiga realizar. Nos reconhecemos naquele maldito, feitos da mesma matéria. Se desumanizarmos os personagens, desconheceremos seus maiores valores. Pelo contrário, temos que nos reconhecer em Dalton Trevisan. Assustadoramente, nos reconhecer. Esse é o choque entre nosso mundo escondido e o do Vampiro.&lt;br /&gt;Seu ódio a Era Lerner venceu. O centro de Curitiba é de novo dos marginais. Por sua influência, é considerado "o maior contista moderno do Brasil por três quartos da melhor crítica atuante". Ainda assim, Dalton nos revela que o maior contista de Curitiba foi um moço chamado Newton Sampaio que morreu aos 24 anos, num sanatório de tuberculosos, em 1938. "E que contra ninguém, naquela cidade, se fez tão grande guerra de silêncio. É que teve, em vida, a coragem de rir dos tabus e isso, ninguém perdoa".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-1079011560668987121?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/1079011560668987121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/1079011560668987121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/09/felipe-hirsch-em-o-globo.html' title='FELIPE HIRSCH em O GLOBO'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-3391448347445379328</id><published>2010-09-21T23:57:00.001-03:00</published><updated>2010-09-21T23:59:19.850-03:00</updated><title type='text'>FOFOCAS DA NOVELA</title><content type='html'>Por Caio Moreira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na página 54, do livro Duzentos Ladrões, editado em 2008 pela L&amp;amp;PM, o contista curitibano Dalton Trevisan apresenta um poema intitulado "Hiena Papuda". Pelo que fiquei sabendo, o texto é dirigido veladamente ao crítico e escritor Miguel Sanches Neto. Depois da publicação de Chá das Cinco com o Vampiro, a Hiena Papuda faz mais sentido. Entre outras provocações, a tal hiena é tratada como “traveca de araponga louca”, “chorrilho merdoso”, “delator premiado”, “Judas” e “filho adotivo espiritual de Caim”. Dalton descasca o verbo e a banana ao ex-amigo. Reza a lenda que o livro de Miguel já estava pronto há vários anos. O escritor hesitou em publicá-lo até que uma cópia caiu nas mãos do velhinho-vampiro por meio de um amigo de Miguel que insistira em ler os originais. Todos um pouco traidores. A partir daí os acontecimentos se turvam como a própria lenda de Nosferatu, o vampiro que mora no Alto da Glória da capital paranaense. Segundo comentários, Dalton teria enviado cópias do livro para algumas editoras com o intuito de coibir a sua publicação, o que de fato aconteceu. Até que a editora Objetiva tomou partido de Miguel e lançou. Em entrevistas, Miguel comenta que não iria lançá-lo, mas as provocações de Dalton foram tantas que ele mudou de idéia. A partir daí várias discussões interessantes começaram a serem tecidas dentro das “rodinhas” literárias, dos “clubinhos do Bolinha”. Seria o livro uma espécie de biografia não autorizada de Dalton? Teria Miguel Sanches Neto sido leviano ao publicá-lo? Aonde termina o real e começa a ficção? Miguel estaria se aproveitando do fato de ter participado do convívio de um dos maiores contistas vivos do mundo? Muitos críticos aproveitaram a situação para tecer comentários sobre o tema principal do livro, que envolve um dos “silêncios mais ruidosos” da literatura brasileira, Trevisan. O fato já rendeu variadas reportagens. No entanto, poucos críticos se debruçaram efetivamente sobre a obra, o que demonstra que não só escritores e leitores estão interessados em fofocas, mas principalmente os críticos. Assim, o que fica sugerido é que grande parte dos críticos que comentaram Chá das cinco com o vampiro estão mais interessados na polêmica do que em literatura. Claro, o livro está repleto de fofocas, mas creio que não é só isso. É possível lê-lo como literatura, uma boa literatura, diga-se de passagem. Abro um parêntese aqui e confesso: Apesar de apreciar os romances de Miguel, comprei Chá das Cinco com o Vampiro mais interessado em ler fofocas. Também gosto delas.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;a style="MARGIN-LEFT: 1em; MARGIN-RIGHT: 1em" href="http://4.bp.blogspot.com/_99-KEmrNLHg/TFDGBEDVpTI/AAAAAAAAAb8/x58stsc3ffU/s1600/123.jpg" imageanchor="1"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(A capa faz lembrar a arte gráfica da literatura de vampiros, onda no Brasil e no mundo)&lt;br /&gt;Maurício Melo Júnior, no artigo "Vaidade Revelada" (Jornal Rascunho – Ed. 123), discute dois pressupostos “bem modernos” (o que me parece questionável) sobre os quais o romance se dimensiona. O primeiro é a reflexão sobre a vaidade e o segundo é a reflexão sobre a condição que envolve os grupos familiares. É claro que essas questões são bem exploradas na narrativa, mas me pergunto se seriam necessariamente "bem modernos"? Creio que a força da narrativa não se encontra especificamente na temática, nos pressupostos a que se refere Maurício Melo Júnior, mas na maneira como o escritor opera o enredo, ao conseguir manter duas narrativas paralelas funcionando com desenvoltura. A primeira envolvendo o relacionamento do crítico Beto Nunes com o escritor-vampiro Geraldo Trentini e a segunda reconstituindo a adolescência de Beto na pequena cidade de Peabirú, no interior do Paraná. Lá, ele leva uma vida conflituosa com o pai, que não se interessa pelos gostos intelectuais do filho. A mãe tenta criar o filho com amor, mas, por outro lado, é submissa ao marido, um apaixonado por álcool e futebol. A salvação do menino é Ester que, além de sua tia é também uma espécie de paixão da adolescência. Essa personagem é responsável por despertar a paixão pela literatura em Beto e também por influenciá-lo decisivamente na sua partida para a capital. Lá, o jovem conhecerá Geraldo Trentini e frequentará círculos literários – que mais tarde lhe parecerão medíocres e enfadonhos. Alguns críticos apresentam o núcleo de Peabirú e mais especificamente a figura de Tia Ester como o eixo principal da obra. Discordo. O fio do rio de Beto são os encontros com o escritor Trentini, daí o título do livro. Todavia, não devemos esquecer que as duas narrativas se entrelaçam e exercem papéis complementares. Peabirú como sintoma do universo interiorano e atrasado. Curitiba como sinônimo de uma civilização cosmopolita. Isso pelo menos até um determinando momento, quando o jovem percebe que a cidade não é tudo aquilo que parece. Não é à toa que o livro termine com a volta de Beto à cidade natal. Esses dois movimentos, um centrípeto e outro centrífugo foram muito bem planejados pelo autor que, em uma entrevista ao blog da livraria Osório explicou: “Cada livro exige uma estrutura. Não dá para repetir sempre a mesma forma de narrar. Tento buscar um novo formato a cada romance, e este precisava de uma estrutura dupla, pois coloca em oposição o mundo interiorano e o da grande cidade, o jovem rebelde e o mestre arraigado na força de sua notoriedade, o passado e o presente. Ao construir o romance alternando tempos e espaços, eu acredito ter dado mais agilidade à narrativa, permitindo alguns choques. Ao passar de um capítulo para outro, o leitor sente a sensação brusca de sair de um lugar aquecido para o vento frio de inverno. O livro vai montando um quebra-cabeça narrativo. Fiz plantas-baixas para este livro, com cada cena bem definida.” Algo parecido já tinha sido feito no livro anterior, A primeira mulher, sobre o qual escrevi um post no ano passado.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;a style="MARGIN-LEFT: 1em; MARGIN-RIGHT: 1em" href="http://4.bp.blogspot.com/_99-KEmrNLHg/TFDGHOXdM6I/AAAAAAAAAcE/QblIqh29BRY/s1600/miguelsanches.jpg" imageanchor="1"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um dado curioso é que o escritor não faz questão de criar quebra-cabeça ou segredos em relação às personagens. Todas são apresentadas e facilmente identificadas com as pessoas que fazem ou fizeram parte do convívio de Miguel em Curitiba. Geraldo com a inicial G, de Gerson, primeiro nome de Dalton. Trentini com a inicial T, de Trevisan. Valter Marcondes: Wilson Martins. Akel: Jamil Snege. Valério Chaves: Valêncio Xavier. Uílcon Branco: Wilson Bueno. E por aí vai. Para variar, Valter Marcondes é praticamente endeusado por Beto, o que é endossado na "vida real" por Miguel, que vê em Wilson Martins um dos maiores críticos da história do Brasil. Beto, discípulo de Valter. Miguel, de Wilson Martins. Valério Chaves é descrito como um senhor interesseiro e gago que se veste de maneira extravagante e que não se furta de louvar a própria fama. Uilcon Branco é apresentado como um escritor de péssima qualidade e adepto de práticas suspeitas como o hábito de freqüentar saunas gays. Por ironia do destino, ou mesmo da tristeza, foi esse o caminho que levou Wilson Bueno à morte. Creio que Miguel tenha exagerado na dose ao produzir um humor negro e ácido em relação ao grande escritor Wilson Bueno. Mas não devemos cair no extremo oposto, pois apesar de tudo, o domínio da obra é o da ficção. Como podemos ler na última página: “Este livro é uma obra de ficção e seus personagens são seres construídos para atender à verossimilhança da obra. O autor não emite, portanto, opinião sobre as pessoas nem sobre os episódios da vida real”. Engraçado, não? Miguel se escondendo atrás do toco? Creio que não. A maioria dos livros traz esse tipo de alerta. Não devemos cair armadilha de ler o livro como se fosse um relato das relações de Miguel com Trevisan e outros escritores, e sim da relação entre Beto e Geraldo Trentini. No blog que criou para o livro, o escritor defende: "Tudo que a linguagem ficcional toca se transforma em matéria de ficção. Caso contrário, o próprio Dalton teria que ser acusado de satirizar pessoas reais, que se identificam em sua obra cáustica". Claro, já disse e repito. No fundo, no fundo, comprei o livro porque gosto também de fofoca. Há verdades? Sim. Mas nenhuma que mereça ser levada tão a sério, pois literatura é literatura. A consciência do crítico deve estar tranqüila. O livro é consistente? Minha resposta não importa, mas tenho certeza que sim. Miguel é um escritor que me agrada. Creio que seja um dos principais na prosa do presente. Mas não esqueçamos. Se o livro é sobre a vaidade, tal vaidade é também a de Miguel (ele imaginava a polêmica que causaria) e não apenas dos escritores "inventados" por ele. As provocações no livro são óbvias, mas menos importantes do que a ficção. Se o livro é "moderno", ou responde às questões que legitimam uma obra como pertencente à literatura contemporânea, a despeito do fato de ser escrita nos dias de hoje, é muito mais por produzir uma narrativa que enfoca a sensação de "falta de lugar", de "não pertencimento" do narrador no ambiente em que vive - o que segundo a orelha do livro pode "significar a ruína de um homem mas também a sua redenção" - do que necessariamente o interesse pela vaidade, o que escritores de várias épocas fizeram muito bem.  .&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-3391448347445379328?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/3391448347445379328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/3391448347445379328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/09/fofocas-da-novela.html' title='FOFOCAS DA NOVELA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-8807492520760780965</id><published>2010-09-21T23:32:00.006-03:00</published><updated>2010-09-21T23:36:50.820-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='COMENTÁRIO'/><title type='text'>O VAMPIRO QUE NOS UNE</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TJlrNtunQBI/AAAAAAAAAHE/V-cb_4z_ZQ4/s1600/autoretrato2.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5519560701676830738" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TJlrNtunQBI/AAAAAAAAAHE/V-cb_4z_ZQ4/s320/autoretrato2.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; por Paulo Polzonoff Jr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Eu poderia começar este texto sobre Chá das Cinco com o Vampiro, de Michel Sanches Neto, refletindo sobre a fronteira tênue entre a ficção e a não-ficção, mas o problema é que, para mim, não houve fronteira alguma, muito menos tênue. Em dado momento, comentei para minha mulher que, se qualquer outra pessoa da minha família lesse aquele mesmo livro, teria uma experiência completamente diferente da minha, talvez exclusivamente ficcional. O que, para mim, foi impossível.&lt;br /&gt;O curioso é que se pode fazer o caminho inverso. Digamos que minha sogra leia o livro. Ela vai ler, primeiro, como ficção. Exclusivamente ficção. Depois que eu lhe contar quem são os personagens, ela terá outra leitura do, vá lá, romance. Para ela e a imensa maioria dos leitores, Chá das Cinco com o Vampiro pode ser uma experiência ambivalente. Para mim, só monovalente. O que não foi ruim.&lt;br /&gt;O que mais me incomodou (positivamente) no livro foi a sensação de me ver nele. Assim como o narrador, também vivi todo aquele mesmo deslumbramento pela literatura curitibana, personificada pela figura mítica de Dalton Trevisan. Como ele, também tive meus chás das cinco com o vampiro. Como ele, também me decepcionei e consegui escapar do joguinho de interesses pequenos que norteia não só esta relação muito específica, mas em geral todas as relações literárias.&lt;br /&gt;Chá das Cinco é um livro sobre o deslumbramento e sobre a necessidade de auto-afirmação. Lembra Ilusões Perdidas, de Balzac. Mas, por favor, não se engane: é bom perder as ilusões, desde que não nos transformemos em cínicos, claro.&lt;br /&gt;De qualquer modo, foi estranho me encontrar nas páginas do livro. Tão perto e ao mesmo tempo tão distante. E o mais impressionante: tão igual. Miguel Sanches Neto termina o livro com um daqueles finais chaplinianos: a estrada. O que só me faz imaginar todo o resto como a areia movediça que de fato é: todos esperando pacientemente a morte em volta do Chefe da Areia, arrotando glórias inexistentes depois que os pedidos de ajuda se provaram inúteis.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-8807492520760780965?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/8807492520760780965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/8807492520760780965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/09/o-vampiro-que-nos-une.html' title='O VAMPIRO QUE NOS UNE'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TJlrNtunQBI/AAAAAAAAAHE/V-cb_4z_ZQ4/s72-c/autoretrato2.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-1095247435277131922</id><published>2010-09-04T19:05:00.003-03:00</published><updated>2010-09-04T19:19:03.730-03:00</updated><title type='text'>CHÁ DAS CINCO VALE PELA ARTE EM VEZ DAS INTRIGAS</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;Rogério Miranzelo (Belo Horizonte: &lt;em&gt;O Tempo&lt;/em&gt;, Caderno Magazine, 04/09/2010)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A minha geração, formada pelos que nasceram nos anos 1960, possui escritores de relevo, a exemplo do mineiro Luiz Ruffato, do paulista João Anzanello Carrascoza e do carioca Bernardo de Carvalho. Brilha também, nessa seara, o talento do paranaense Miguel Sanches Neto, nascido em 1965.&lt;br /&gt;Depois do primeiro romance, o comovente "Chove sobre Minha Infância", merece destaque o livro de contos "Hóspede Secreto". Miguel é também poeta, cronista e crítico literário. Já o romance de viés histórico, "Um Amor Anarquista", que narra a tentativa de implantação de um socialismo anárquico na Colônia Cecília, no Paraná, destaca-se não pela emoção pulsante, mas pelo domínio da escrita, comparável ao obtido por Josué Montello em "O Baile da Despedida".&lt;br /&gt;Sanches Neto nos apresenta agora o romance "Chá das Cinco com o Vampiro" (editora Objetiva, 236 págs., R$ 39,90), atraente, e também amarga, história passada nos cafés de Curitiba, baseada em personagens reais e nas decepções do autor com relação às vaidades no meio literário. Uma obra que prima pela naturalidade narrativa e por não ser tão fragmentada como a de muitos de seus contemporâneos.&lt;br /&gt;O vampiro do título é Geraldo Trentini, inspirado no consagrado contista paranaense Dalton Trevisan, hoje com 85 anos e há décadas recluso - não dá entrevistas e não se deixa fotografar. Outros personagens foram modelados a partir de figuras reais, como Valter Marcondes, recriação literária para o crítico Wilson Martins, falecido em janeiro deste ano.&lt;br /&gt;Um poema agressivo de Dalton, divulgado em 2004, teria contribuído para a publicação desse livro, mas Miguel já demonstrava, desde 1996, grande interesse pela obra do conterrâneo famoso, ao reunir artigos em "Biblioteca Trevisan", lançado pela editora da UFPR. Em um trecho desse livro, ele diz: "(...) podemos pensar a obra de Dalton como experimental. O uso de linguagens e discursos já constituídos obedece a um projeto de redefinição de sentidos. Trabalhando com o já existente, Trevisan se apropria não só de linguagens alheias como da sua própria".&lt;br /&gt;Beto Nunes, vindo da pequenina Peabiru para Curitiba, é o personagem-narrador de "Chá das Cinco". Busca no contista Trentini - vampiro que em vez de sangue devora guloseimas -, e em sua protetora tia Ester, referências sólidas para se tornar jornalista e escritor. Num momento de impagável ironia, Beto monta uma entrevista com o vampiro a partir de cartinhas deste. Vaidoso devido aos artigos favoráveis à sua obra, Geraldo/Dalton escreve: "Os seus artigos me deliciam até o terceiro dedinho do pé esquerdo"; "Tantas graças por este punhadinho de mimosas broinhas de fubá. Obrigadinho três vezes". (página 199).&lt;br /&gt;Beto Nunes, desde a adolescência, embriagado pela descoberta do sexo, tratada com certo exagero, e da literatura, critica a poeirenta e parada Peabiru, a despeito da forte relação afetiva que tem com a cidade. E também a moderna Curitiba que, embora elogiada por políticos e urbanistas, seria comandada por uma elite de poucos sobrenomes.&lt;br /&gt;É interessante o rito de passagem do personagem para "tornar-se curitibano": "Nos dias de chuva, andava sob marquises com um jornal na cabeça. Em Peabiru, tinha aprendido a usar sacos de adubo como longos gorros, que protegiam não só a cabeça mas também as costas. (...) Com o dinheiro que seria para o cursinho, comprei, além do colchão novo, uma capa de náilon e um guarda-chuva. Já podia me considerar um legítimo curitibano". (págs. 142-143).Mas tudo é ficção, ou quase.&lt;br /&gt;Antes de ser lançado, o romance já provocava bate-bocas nos meios literários curitibano e nacional. Mas se for lido com olhos mais voltados para a arte do que para as intrigas, "Chá das Cinco com o Vampiro" irá revelar-se como um grande livro, o melhor de Miguel Sanches Neto, até agora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-1095247435277131922?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/1095247435277131922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/1095247435277131922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/09/cha-das-cinco-vale-pela-arte-em-vez-das.html' title='CHÁ DAS CINCO VALE PELA ARTE EM VEZ DAS INTRIGAS'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-769381349456367451</id><published>2010-08-28T19:25:00.003-03:00</published><updated>2010-08-28T19:38:50.111-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leitura'/><title type='text'>CARTA DE ALEX MARTINI</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/THmP5ecArQI/AAAAAAAAAFc/X-eXL3UWP7k/s1600/peabiru.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5510593836650376450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/THmP5ecArQI/AAAAAAAAAFc/X-eXL3UWP7k/s320/peabiru.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Prezado Miguel,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O que achei do livro [Chá das cinco com o vampiro]: excelente!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O livro trata todos os personagens (não conheci nenhum dos inspiradores na vida real) com tanta delicadeza, que, arrisco: só mesmo um certo ressentimento pelo seu sucesso pode explicar algumas críticas. Parabéns! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O que o livro significou pra mim? Sempre fui de poucas leituras - do que me arrependo. No pouco que li, sempre senti falta de uma identificação mais profunda com as obras, aquela coisa de sentir-se fisicamente parte da história, estar no mesmo lugar, no mesmo tempo. Já tinha sentido esse sabor diferente quando li &lt;em&gt;Terra Vermelha&lt;/em&gt;, de Domingos Pellegrini. Ali, senti o saborzinho, na literatura, de ver coisas que eu havia presenciado no mesmo espaço da (minha) vida real (já meio distante, é verdade; digamos que cheguei às histórias daquele livro no último ato).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando ouvi falar que era paranaense, comprei o &lt;em&gt;Chá das Cinco &lt;/em&gt;pra presentear uma amiga. Como é muito pudica, decidi empreender uma olhadela prévia. Que surpresa boa! Fui aos poucos tomado por cenas que, acredito, embora universais, me eram bem mais próximas do que tantas outras. Entendi (posso estar equivocado, não sei) que ler Érico, sendo gaúcho, ou aqueles mineiros todos, sendo mineiro, tem outro sabor. E ler MSN sendo do Paraná, do Norte, acho que também tem (pra mim teve) um sabor até então desconhecido. Emocionado, chorei em várias cenas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por aqueles dias, em férias, eu estaria empreendendo uma viagem ao Sul e fui tomado por uma súbita coragem de rever a cidade onde nasci, à qual não ia há 20 anos e da qual saí adolescente, praticamente fugido (não, não cometi nenhum crime, não é bem por isso). Nunca mais tinha tido coragem de enfrentá-la, mas, na volta dessa viagem, decidi: entrei em suas ruas, revisitei os mesmos ares que o menino tinha sentido. Numa passagem rápida e ainda assustada, tudo estava lá. A cara das coisas era outra, a cidade desfigurada, mas o mapa das ruas, algumas casas, o ar, a escola, tudo ainda existia na vida real. Tudo diferente, mas estranhamente, ao mesmo tempo, igual, parado no tempo... o tempo congelado. E eu, nele, anestesiado... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Revisitar anonimamente minha cidade (olha como já estou falando dela!) me fez um bem que eu não sei descrever. E isso foi por ter lido seu &lt;em&gt;Chá&lt;/em&gt;. Minha alma renasceu. Foi como se, finalmente, eu tivesse ganho permissão para andar livre e destemidamente pelas ruas da minha infância, coisa que eu nunca tinha me permitido antes... agora via bem... (Não, não é Peabiru). Claro, na volta ao batente, continuei (ainda não terminei) a leitura de seus livros. Um enorme prazer. Nem preciso dizer o quanto gostei de &lt;em&gt;Chove sobre minha infância&lt;/em&gt;... Se o Sr. contribuiu para que muitos passassem a escrever (ouvi, ao acaso, testemunho de um ex-aluno da UEPG de que também é ótimo professor), no meu caso, criou um novo leitor. Desde então, ganhei prazer pela leitura. E, isso, deverei sempre ao seu primeiro livro (que li; veja só, nem mesmo Machado conseguiu essa façanha de transformar um homem pouco afeto aos livros num leitor habitual). Aproveitarei melhor os anos que ainda restam. E pretendo voltar ainda outras vezes às ruas da minha infância, continuar esse resgate não sei nem de quê, nem de quem...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Muito obrigado!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-769381349456367451?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/769381349456367451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/769381349456367451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/08/carta-de-alex-martini.html' title='CARTA DE ALEX MARTINI'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/THmP5ecArQI/AAAAAAAAAFc/X-eXL3UWP7k/s72-c/peabiru.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-7284190331254540722</id><published>2010-07-26T19:44:00.002-03:00</published><updated>2010-07-26T19:49:06.183-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><title type='text'>CHÁ DAS CINCO COM O VAMPIRO</title><content type='html'>Por Luiz Carlos Monteiro, em 5 de julho de 2010, in &lt;a href="http://omundocircundante.blogspot.com/"&gt;http://omundocircundante.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel Sanches Neto é o crítico literário de maior visibilidade do Paraná. Atua também na poesia e na ficção, tendo estreado com um romance de forte vetorização autobiográfica Chove sobre minha infância (2000). A infância e a adolescência atribuladas que levou junto à mãe a quem amava e a um padrasto de quem não gostava, em meio ao trabalho árduo no campo e aos sonhos de enveredar pelos caminhos da literatura são enfocados nesse livro. Em A primeira mulher (2008), seu terceiro romance, Sanches vai privilegiar os meandros do romance de enigma policial, as veredas da articulação política, a desilusão do personagem frente ao ensino universitário, a solidão do homem no espaço urbano, a relação conturbada com as mulheres, e, ainda, a relação edipiana, ao mesmo tempo em que propositadamente distanciada, com a mãe.Sanches Neto chega agora com seu quarto romance, Chá das cinco com o vampiro, marcado pela polêmica em torno de situações e personagens transplantados da ambiência literária curitibana para o corpo da ficção. A narrativa se entretece entre 1982 e 2002, absorvendo duas cidades paranaenses, Peabiru e Curitiba. Cerca de oito anos após a sua versão inicial, passando pela recusa de algumas editoras e pelas confusões e peripécias originadas do conteúdo que vazou e que tornava identificáveis escritores e jornalistas vivos, a Objetiva finalmente aceitou publicá-lo. Duas linhas de leitura podem ser adotadas para o livro: uma que se prende à cota de realidade sugerida pelas figuras literárias e suas circunstâncias, e outra que desvincula rostos vivos ou mortos da necessidade de serem estabelecidos nexos que os identifiquem com maior ou menor facilidade. O autor conviveu com todos eles, em níveis oscilantes entre a amizade e a desavença, a intimidade desfeita e a indiferença total.A primeira é uma leitura tendenciosa a explorar vaidades literárias, embates surdos, miudezas da convivência gerada entre pares que lutam para ser reconhecidos dentro e fora do circuito provinciano. Mesmo que alguns já estejam alçados à condição de escritores nacionais, o entrevero se estende indefinidamente, até mesmo depois da morte. Neste caso, a vida literária é mais valorizada do que a própria produção textual, o difícil e espinhoso trabalho individual com a palavra é posto em segundo plano pelo flagrante da conversa mafiosa e suspeita ao pé do ouvido.A segunda leitura não terá como referencial privilegiado os rostos notáveis ou obscuros, ou uma mistura de ambos. Tratará das questões que envolvem o lastro ficcional trazido pelo autor com seu romance. Não se poderá fugir, nesse ponto, ao recorte em que se inclui a parcela autobiográfica. Insurge-se, então, o personagem Beto Nunes, seus pais e sua tia Ester, que terão importância óbvia na construção da narrativa. Ester ocupará frações significativas da vida do personagem central Beto, com um andamento que ofuscará, em muitas passagens e trechos, Geraldo Trentini.O grande contista, motivador de toda a polêmica gerada pelo livro, não deixará de ser associado a Dalton Trevisan, qualquer que seja a interpretação que se faça. Beto Nunes ou Roberto Nunes Filho, o alter ego e simulacro ficcional de Miguel Sanches Neto, o discípulo e amigo de antes de Trentini, passa a ser visto como o algoz e inimigo de hoje. Assume a condição maldita de ter revelado segredos pessoais do ficcionista silenciados como um código de honra e respeito pelos curitibanos.É um fato que Trentini aparece sem aparecer, mostra-se e esconde-se cotidianamente no seu ocultamento de boné, casaco e caminhadas, qual esfinge esquiva e inalcançável que não permite a surpresa de fotografias, as entrevistas incômodas e as devassas na sua misteriosa transitação pela cidade e o seu isolamento em casa. O risco óbvio que o personagem Beto Nunes correu foi o de expor detalhes de uma intimidade guardada a sete chaves. E que, pelo lido no texto, desvenda coisas até então desconhecidas por aqueles poucos com quem convive ou conviveu Geraldo Trentini/Dalton Trevisan.Não se pode negar que Sanches Neto conhece bem o ofício da escrita. Distribui os capítulos setorialmente em anos esparsos de três décadas, lembrando uma técnica bastante utilizada pelo norte-americano John dos Passos. Contudo, não há um enredo rigoroso propriamente, que obedeça incondicionalmente à lógica temporal e espacial de uma história convencional em prosa. A linearidade de situações e acontecimentos é quebrada e confundida o tempo todo, renegando a monotonia descritivística e impulsionando o andamento cronológico de uma duração estática para outra em constante mutação e avanço. A trama caminha com o personagem principal e a recíproca é verdadeira – o personagem vai sendo feito ao largo da colação anuária mesclada das décadas e cidades envolvidas, com os eventos sobrepondo-se, anulando-se e desaparecendo uns nos outros, da adolescência aos inícios da maturidade de Beto. Este personagem redondo se move ao sabor da incerteza que a passagem das horas lhe oferece. E que ele também conquista, nas suas incontáveis leituras e na sua luta para afirmar-se como escritor em Curitiba. Ao modo de um estopim aceso, as suas revelações incendeiam a pólvora das discórdias, idiossincrasias e desentendimentos.Beto Nunes vive a vida de um estudante pobre do interior no ambiente inicialmente hostil da capital. Começa numa república de estudantes, depois passa a morar sozinho, sempre com a ajuda de uma mesada familiar. Demonstra pouco interesse pelo curso, e ao invés de assistir aulas, dedica-se a ler. As suas primeiras abordagens a Geraldo Trentini vêm dessa época. E é através de Trentini que os espaços de jornal se abrem, com a publicação de um texto sobre o contista. Dividido entre a solidão e o conhecimento de escritores, Beto Nunes vai produzindo seus textos, ficando conhecido e se impondo como crítico e escritor. Quando sua reputação local está consolidada, inicia um rompimento com a maioria daqueles de quem se aproximara. Com o auxílio de Valter Marcondes, empreende julgamentos desabonadores da obra de Geraldo Trentini e de alguns outros componentes da ambiência cultural paranaense.Família, sexo, solidão, religiosidade e busca de solidez na vida são motes que atravessam o livro. Beto Nunes carrega o esteio da provocação direta, a necessidade iconoclasta de derrubar preconceitos, tabus e valores antigos. Opostamente, impõe-se a vontade acomodatícia subliminar em torno de formas de vencer na vida, encontrada na relativização de sucesso no jornalismo, ao manter uma coluna literária no jornal paranaense O Diário desde os anos de formação. Fornece um retrato impiedoso do pai com seu bafo de pinga e da mãe com seu cheiro diário de doce. As descobertas e práticas sexuais de Beto Nunes são relatadas extensamente ao largo do livro em tons profanos: o incesto com a tia Ester, a violação metafórica do sagrado pela ejaculação em um pão feito por sua própria mãe, a segunda iniciação sexual num cabaré onde seu pai o levara e a relação proibida com a namorada Martha comprometida com outro. O mundo literário curitibano é visto em suas facetas de avanço ou decadência, restando poucas figuras respeitáveis por suas obras, entre elas o personagem Valter Marcondes, identificado como o crítico literário Wilson Martins e o próprio Geraldo Trentini/Dalton Trevisan. Uílcon Branco/Wilson Bueno, recentemente morto, era o editor do jornal Maria, que na realidade se chamava Nicolau, e estava circunscrito no grupo de literatura neobarroca latino-americana, sendo visto como autor de uma obra preciosista e de valor apenas para a história literária; Valério Chaves/Valêncio Xavier, falecido em 2008, era o vanguardista que aparece também desfavoravelmente em Chá das cinco com o vampiro por escrever uma literatura trash e feita de montagens e colagens. O publicitário Antônio Akel/Jamil Sneg, é um cronista e escritor que detém o respeito, a amizade e a simpatia do personagem-narrador. O colunista político Orlando Capote/Fábio Campana carrega a dupla imagem do jornalista bem-sucedido e do escritor medíocre.O jovem discípulo e aprendiz de escritor intenta superar o vampiro mestre da ficção curitibana, além de todos aqueles que o incensam e cercam, numa admiração ampla e inesquivável. Beto Nunes não se importa com as gerações a que pertencem, com os livros que publicaram ou com os títulos que ostentam, pois sabe que irão transformar-se em futuros desafetos, uma prática normal na província. O processo de troca, convivência e conhecimento estético entre o autor e o contista curitibano iniciou-se pelo lado considerado sério da escrita, a análise literária do romance A polaquinha, de Dalton Trevisan. Entre outras coisas, as circunvoluções paródicas do erotismo são apresentadas como a maneira que as prostitutas encontram para resistir e enfrentar gigolôs, homens casados e jovens em busca da primeira experiência sexual, através da dissimulação e da aparente fragilidade. Não configura nenhuma coincidência o fato de que um dos textos inaugurais da lavra de Miguel Sanches Neto ter sido justamente O artefato obsceno: visitando a polaquinha (1994), editado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (onde o escritor leciona), sob a forma de um breve ensaio acadêmico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-7284190331254540722?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/7284190331254540722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/7284190331254540722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/07/cha-das-cinco-com-o-vampiro.html' title='CHÁ DAS CINCO COM O VAMPIRO'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-3457950550162348783</id><published>2010-07-13T09:49:00.002-03:00</published><updated>2010-07-13T09:51:12.892-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rascunho'/><title type='text'>VAIDADE REVELADA</title><content type='html'>Por Maurício Melo Júnior (&lt;em&gt;Rascunho&lt;/em&gt;, julho de 2010)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polêmica chegou antes do romance. Há muitos anos circulava pelos bastidores literários, em tom de fofoca, que Miguel Sanches Neto, se valendo da proximidade que teve com o escritor Dalton Trevisan, escrevia um romance revelando todas as inconfidências do Vampiro de Curitiba. E não eram poucos os protestos, as indignações, os debates sobre ética, caráter, defesa da individualidade.&lt;br /&gt;Romance pronto e publicado, morrem as polêmicas, pelo menos para quem o ler. Chá das cinco com o vampiro, antes de ser uma invasão velada à privacidade de Dalton Trevisan, um livro oportunista na esteira das comemorações ocultas e desautorizadas dos 85 anos do escritor, se amolda como uma reflexão sincera sobre a vaidade.&lt;br /&gt;Partamos do enredo.&lt;br /&gt;Roberto Nunes Filho passa a infância e a adolescência em Peabiru, no interior do Paraná, assistindo às bebedeiras do pai, à passividade da mãe e à solidão de uma tia solteira, Ester, que mora cercada de livros. Todos vivem do arrendamento das terras deixadas como herança pelo avô e, para fugir do tédio da cidade de vidinha besta, o moço lê os livros emprestados pela tia. Daí decorre tudo.&lt;br /&gt;Depois de brigar com o pai e sofrer uma desilusão amorosa, Roberto muda-se para Curitiba, bancado pela tia, para estudar jornalismo. Envolvido com os literatos da cidade, abandona o curso e torna-se colunista literário de um jornal e romancista.&lt;br /&gt;Durante dez anos, o moço circula nesse ambiente e dele tira seus prazeres. No entanto, paulatinamente, descobre a superficialidade que envolve tal círculo social. Todos parecem representar personagens de livros que sequer chegam a escrever, todos carregam indiscutíveis certezas da própria genialidade, mesmo diante de textos medíocres, incompreensíveis ou mesmo ilegíveis. Todos arrotam o cadinho de intimidade que dizem ter com o escritor Geraldo Trentini, a encarnação literária de Dalton Trevisan.&lt;br /&gt;Aliás, quem tiver maiores intimidades com o cenário cultural de Curitiba poderá descobrir cada um dos homens, cada uma das mulheres que se escondem nos personagens de Miguel Sanches. Os que ganharam dimensão nacional com seu trabalho são facilmente identificados, como Valter Marcondes, um espelho onde se reflete Wilson Martins, e o contista Geraldo Dalton Trentini Trevisan.&lt;br /&gt;Posta de lado esta base, digamos, de inspiração, o romance se dimensiona por dois pressupostos bem modernos. O primeiro é a reflexão que deita sobre a vaidade. O segundo se pauta pela inquieta e também lírica condição que envolve os grupos familiares. Claro que se trata de temas recorrentes, motes excessivamente explorados por escritores em todo mundo, e daí o perigo do pastiche. Sanches consegue sair ileso, ou quase, do caminho. Sua trama, embora traga certa morosidade inicial, ganha fôlego à medida que se desenvolve e termina como um texto profundamente belo e consistente. E o apoio para se chegar a tal proeza está nos tais pressupostos bem modernos anteriormente mencionados.&lt;br /&gt;Sangue novoDizendo um pouco mais sobre a vaidade, o Geraldo Trentini de Miguel Sanches é a representação dela. É um personagem complexo, que criou em torno de si uma áurea mítica bem conveniente. Por uma determinação da timidez, no inicio da carreira de escritor, optou por deixar sua obra caminhar com independência, liberta da vida de seu autor. Esta condição o ensinou o quanto isso poderia favorecê-lo. Assim se mostrou sempre como alguém de difícil relacionamento, com amigos de ocasião, avesso à publicidade, mas que está sempre disposto a quebrar tal privacidade diante de uma mulher jovem e bela, diante de alguém que possa trazer sangue novo, novas tramas, novos personagens para sua literatura cada vez mais lida e comentada.&lt;br /&gt;Naturalmente, aí se desenvolve o limo da vaidade. Tudo que gira em torno do escritor passa por um estranho e imprevisível mecanismo de seleção. As ruas por onde caminha, os lugares que freqüenta, as opções pessoais. A aproximação de Roberto com Trentini nasce daí. O jovem vagabundo o aborda dizendo ter escrito um estudo sobre sua obra. Trentini se interessa em ler e, diante dos elogios, manda o texto para um jornal. Nasce aí o crítico Roberto Nunes.&lt;br /&gt;Estas obsessões levam Trentini a fabricar uma vida familiar difícil, opressiva. Ele tem péssima relação com os vizinhos - só se pacifica com o dono de uma sauna na vizinhança quando isso ajuda sua escrita -, despreza a esposa de anos, só abre as portas da casa para uma mulher bonita e jovem provocando a irritação da única filha que conserva à distância. Ou seja, Trentini é uma espécie de personagem própria, e isso tudo o liga ainda mais a Roberto, com quem termina brigando.&lt;br /&gt;As relações familiares do jovem Roberto não são também nada fáceis. O pai vive bêbado, frustrado por ter fracassado como jogador de futebol. A mãe se refugia nos afazeres domésticos, não tem qualquer perspectiva. Ester, a tia, foi arrastada de volta a Peabiru depois de tentar viver uma grande paixão em Curitiba. A partir daí passou a viver entre seus livros, com sua solidão. Um quadro de frustrações e mediocridades, enfim.&lt;br /&gt;O adolescente Roberto, neste ambiente, vive duas intensas paixões. A primeira, meio impossível, pela tia e a segunda, em parte correspondida, por Marta, que prefere se casar com um fazendeiro próspero.&lt;br /&gt;Tanto a Curitiba de Trentini quanto a Peabiru de Ester são microcosmos que refletem as impossibilidades e as conveniências humanas. Há uma busca velada pelo sucesso - que pode vir em forma de prestígio, poder, prazer ou mera vaidade - e quem não consegue de alguma forma atingi-lo é excluído de qualquer sentido. Chá das cinco com o vampiro poderia ser mais um romance a refletir sobre isso, o que seria banal. Sua diferença está na forma como o autor embaralha suas cartas. Nada é dito de maneira direta, apenas a trama vai abrindo janelas para reflexões e conclusões.&lt;br /&gt;Destarte, antes de sugar o sangue e a vida de um vampiro, Miguel lhe dá humanidade, o fotografa pela rica complexidade que oferece como matéria literária, afinal como homem, o vampiro, nascido do barro tal qual Lair Ribeiro, se move por vaidades e obsessões em busca de sucesso e prazer. Então melhor ficar mesmo com seus contos e com a inspiração que provocou em Miguel Sanches Neto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-3457950550162348783?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/3457950550162348783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/3457950550162348783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/07/vaidade-revelada.html' title='VAIDADE REVELADA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-2526161271766841482</id><published>2010-06-20T09:00:00.003-03:00</published><updated>2010-06-20T09:04:22.598-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura brasileira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='internet'/><title type='text'>LER E ESCREVER</title><content type='html'>Embora não trate diretamente do romance &lt;em&gt;Chá das cinco com o vampiro&lt;/em&gt;, a entrevista que dei a Luciano Lanzillotti aborda o processo de criação e retoma algumas questões sobre escrita e internet que me interessam muito neste momento.&lt;br /&gt;A entrevista foi publicada no site Cronópios, e ficou com o sugestivo título de EU LEIO MEUS LEITORES:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a class="tweet-url web" href="http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=4616" target="_blank" rel="nofollow"&gt;http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=4616&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-2526161271766841482?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/2526161271766841482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/2526161271766841482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/06/ler-e-escrever.html' title='LER E ESCREVER'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-7974335377224350308</id><published>2010-06-17T07:20:00.002-03:00</published><updated>2010-06-17T07:23:47.258-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='revista bula'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='twitter'/><title type='text'>TWITTERS DA REVISTA BULA</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;a href="http://twitter.com/revistabula"&gt;http://twitter.com/revistabula&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Chá das Cinco Com o Vampiro” é o melhor livro que li esse ano...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li como romance, não como ensaio biográfico. E como romance lhe asseguro, é fabuloso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O equívoco é ler o livro como se fosse um atestado de vingança contra o Trevisan...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não li desta forma. Talvez por isso tenha gostado tanto...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-7974335377224350308?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/7974335377224350308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/7974335377224350308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/06/twitters-da-revista-bula.html' title='TWITTERS DA REVISTA BULA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-4721362957569489957</id><published>2010-06-05T10:00:00.005-03:00</published><updated>2010-06-10T14:03:43.751-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='edney silvestre'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tevê'/><title type='text'>ESPAÇO ABERTO</title><content type='html'>Entrevista ao programa Espaço Aberto, da Globonews. Foi a única entrevista na tevê que dei sobre este livro, na esperança de desarmar um pouco a polêmica criada por sua recepção. Não vi o resultado, mas a memória que tenho da gravação é positiva. Edney Silvestre tratou de forma muito competente o livro. Eu já tinha ido a este programa em 2005, quando do lançamento de &lt;em&gt;Um amor anarquista&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;O programa foi ao ar ontem, e teve reprise hoje. Localizei o endereço:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1277276-7823-MIGUEL+SANCHES+NETO+FALA+SOBRE+SEU+POLEMICO+LIVRO+CHA+DAS+CINCO+COM+O+VAMPIRO,00.html"&gt;http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1277276-7823-MIGUEL+SANCHES+NETO+FALA+SOBRE+SEU+POLEMICO+LIVRO+CHA+DAS+CINCO+COM+O+VAMPIRO,00.html&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-4721362957569489957?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/4721362957569489957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/4721362957569489957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/06/espaco-aberto.html' title='ESPAÇO ABERTO'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-4992783111394263078</id><published>2010-06-01T21:40:00.005-03:00</published><updated>2010-06-01T21:54:47.991-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lugares comuns'/><title type='text'>TIRO AO ALVO</title><content type='html'>Vale a pena ver a anti-resenha de Raimundo Carrero no &lt;em&gt;Suplemento Cultural do Diário Oficial do Estado do Pernambuco&lt;/em&gt;. Tenta compor um rosário de lugares comuns, mas não consegue amarrar as contas, atiradas ferozmente contra o livro e o autor.&lt;br /&gt;A sua precisão é espantosa.&lt;br /&gt;Diz, por exemplo, que moro em Londrina.&lt;br /&gt;Leu um livro que não escrevi.&lt;br /&gt;Com Carrero, julguei o Prêmio Sesc de Literatura. É o único contato que tive com o escritor.&lt;br /&gt;Veja o tiroteio em:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.suplementopernambuco.com.br/index.php?option=com_content&amp;amp;view=article&amp;amp;id=161:cada-um-tem-o-vampiro-que-merece&amp;amp;catid=23:cronica&amp;amp;Itemid=4"&gt;http://www.suplementopernambuco.com.br/index.php?option=com_content&amp;amp;view=article&amp;amp;id=161:cada-um-tem-o-vampiro-que-merece&amp;amp;catid=23:cronica&amp;amp;Itemid=4&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-4992783111394263078?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/4992783111394263078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/4992783111394263078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/06/tiro-ao-alvo.html' title='TIRO AO ALVO'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-440812730750620418</id><published>2010-06-01T21:14:00.003-03:00</published><updated>2010-06-01T21:33:35.581-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><title type='text'>O LIVRO DA DISCÓRDIA</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;Gilberto G. Pereira (&lt;em&gt;Tribuna do Planalto&lt;/em&gt;, Goiânia, 30 de maio a 05 de junho de 2010)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;“Gostei muito de seu livro. Ele mostra quem somos de uma maneira meio rancorosa mas bonita.” Esta frase poderia ser dita por qualquer leitor de Miguel Sanches Neto, ao ler seu romance mais recente, Chá das Cinco com o Vampiro (Objetiva, 2010, 286 páginas), qualquer leitor atento e que gosta da boa literatura, aquele que sabe passar por cima das tramas leves para atingir o cerne da questão estética.A trama leve, neste caso, é aquela que acerta em cheio a vaidade de escritores como Dalton Trevisan, Wilson Bueno e Fábio Campana, para citar os vivos. Em Chá das cinco, Sanches Neto cria uma narrativa que vai do romance de formação ao roman à clef. É nesta parte, chave que liga a ficção com personagens reais, que o livro causou espanto e espalhou o maior desgaste pela província literária de Curitiba.&lt;br /&gt;Isto porque ficou fácil identificar cada um dos modelos literários presentes no romance. Mas Sanches Neto não é um escritor ingênuo. Se há rancor em seu romance, há também, em caráter muito mais importante, uma construção literária de grande valor, em que se pode ver a precisão técnica, a disciplina narrativa, até mesmo como forma de se defender por ter criado uma ficção em cima do universo que foi parte de sua vida por muito tempo.&lt;br /&gt;Beto Nunes é o narrador protagonista de Chá das Cinco com o Vampiro. Ele conta a história de como, em 1988, saiu de Peabiru, cidadezinha do interior do Paraná, aos 18 anos, para viver em Curitiba e lá se enturmar com o mais venerado dos escritores brasileiros e seu séquito de adoradores. Neste sentido, é um romance sobre a vaidade no mundinho das letras.&lt;br /&gt;Mas é também o testemunho de um menino do interior, vivendo entre homens brutos, como o pai, e predestinado a ser, de igual modo, bruto e livre do verniz fake da civilidade, um menino inteligente e rebelde que na primeira oportunidade vai para a capital e faz-se escritor de verdade, repaginando até certo ponto a alma engessada que herdara da vida interiorana.&lt;br /&gt;Em Chá das cinco, Geraldo Trentini é o escritor-deus curitibano, que procura ser bajulado por todo mundo, mas cujas amizades não demoram muito a ser desfeitas, porque a vaidade do autor e sua excentricidade, como a de ter criado em torno de si o mito de ser o vampiro de Curitiba, não o permitem ter amigos para a vida toda. É ele que Beto Nunes procura na capital e que, pela inteligência, mas, principalmente, por demonstrar interesse e conhecimento de sua obra, é aceito em suas relações.&lt;br /&gt;Qualquer um poderia ser Trentini, mas a sugestão vampiresca e os hábitos rotineiros já sabidos, a aversão a entrevistas, a reclusão e a característica de escrever contos cada vez mais curtos não deixam dúvida de que se trata de Dalton Trevisan, hoje com 85 anos, considerado por muita gente o maior escritor brasileiro vivo.&lt;br /&gt;A partir daí, tudo que se disser de Trentini será automaticamente atribuído a Trevisan. As verdades e as mentiras do narrador protagonista bem como as invenções criativas do próprio autor na composição de Chá das cinco, tudo será debitado na conta do vampiro. Beto narra o primeiro encontro com Trentini da seguinte forma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“— Por favor!&lt;br /&gt;— Não sou quem você está pensando.&lt;br /&gt;— Sei que é.&lt;br /&gt;— Quem disse?&lt;br /&gt;— Li todos os seus livros.&lt;br /&gt;— Nunca escrevi livro nenhum.&lt;br /&gt;Estamos saindo da Galeria Groff e travamos esta pequena batalha. Na porta, prestes a ganhar a rua, tento um último truque e minto, sou amigo de Valter Marcondes e escrevi um artigo sobre você. Digo meu nome.Ele para e, pela primeira vez, me olha.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, o narrador formula a tese no centro da qual fixa Trentini, mas sem deixar de se incluir nela, mesmo sendo de um jeito enviesado. “O que destrói uma pessoa, qualquer pessoa, por mais reservada que seja, é a vaidade. No fundo estamos sempre querendo ser aceitos. Esperando a aprovação dos outros. E fingimos indiferença ao mundo, ou mesmo ódio, até certo ponto. Há uma hora em que nos rendemos.”&lt;br /&gt;Beto procurou ser aceito e foi. Durante anos, entre o primeiro encontro com o vampiro, em 1992, até o desentendimento, no final dos anos 90, desfrutou da companhia de Trentini. Numa relação temporal um pouco diferente, também Sanches Neto conheceu Trevisan e também se afastou dele. Mas ao longo dessa convivência, o autor de Chá das cinco dedicou boa parte de seu exercício intelectual a entender a obra do autor de Novelas Nada Exemplares, tornando-se vítima de uma influência de estilo que até hoje, até mesmo neste romance, está presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Metralhadora&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em função dessa convivência, Sanches Neto decidiu escrever sobre o assunto. Ao longo da narração de Chá das cinco, vemos uma metralhadora trabalhar: Trentini (Trevisan), mestre do passado, é um escritor excêntrico, um vampiro que gosta de doce e não de sangue, um contista inclinado a divagações exibicionistas, dono de um estilo antidiscursivo, voltado ao interesse erótico pela realidade para escrever seus continhos liliputianos.&lt;br /&gt;Trentini, na malhação de Beto, é um autor que não sabe se renovar e repete a mesma fórmula batida, como quem suga o mesmo cadáver pela eternidade. Mantém uma vida lastimosa e banal. Por isso mesmo, “esconder a intimidade mais ou menos medíocre fez com que sua biografia crescesse. E talvez agora só lhe reste manter o mistério”.&lt;br /&gt;Da turma que segue ou seguiu Trentini como mestre, ninguém escapou da verve cáustica de Beto Nunes (Sanches Neto). Pela voz fanhosa e a sonoridade do nome, fica fácil identificar Valério Chaves como sendo Valêncio Xavier, jornalista e escritor de Curitiba que faleceu em 2008. “Não suporto o jornalista que se acha escritor experimental por fazer colagens com desenhos e fotos de velhas revistas e escrever sob elas um amontoado de asneiras”, diz Beto sobre Chaves.&lt;br /&gt;Quem leu Minha Mãe Morrendo e o Menino Mentido, de Xavier, é capaz de fazer coro com o alter ego de Sanches Neto. “Texto é uma maneira generosa de definir o trabalho de Chaves”, repete Beto em outra estocada. Orlando Capote (Fábio Campana) “se acredita escritor, apesar de ter publicado apenas um romance sofrível”. Esta observação vale para a época precisa desse trecho, final da década de 1990, não para hoje, quando Campana já tem romances de valor literário.&lt;br /&gt;Da cena literária curitibana, Jamil Sneg é o único tratado com carinho e respeito. Sneg, que aparece no romance como Antônio Akel, é sem dúvida o autor das melhores crônicas sobre Curitiba e de um romance confessional fora do comum, Como Eu se Fiz por si Mesmo. O renomado crítico literário Wilson Martins, falecido no ano passado, está na trama como Valter Marcondes, e também é poupado, mas já havia se tornado o grande “ídolo” do autor.&lt;br /&gt;Uílcon Branco (Wilson Bueno) é o mais terrivelmente pintado, junto com Valêncio Xavier. Ele aparece como um homenzinho mesquinho, covarde e puxa-saco, um misto de espertalhão e ser desprezível. “No começo, quando Uílcon era jovem aspirante a escritor, morria de vergonha do pai ser motorista de ônibus e tentava aparentar uma cultura que não tinha”, diz Trentini, numa conversa com Beto. Em outra ocasião, o próprio Beto afirma que os livros de Branco são “um trabalho minucioso de linguagem e uma ausência de verdade literária.” Neste ponto, o rancor do protagonista, talvez até se estendendo ao ponto de vista do autor, não reflete todo o significado da literatura. O que é literatura senão um “trabalho minucioso de linguagem”? O que seria a verdade, neste caso? Um termo aristotélico que deveria ser melhor expresso como ‘verossimilhança interna’.&lt;br /&gt;Em todo caso, Wilson Bueno é um autor que está à altura de Sanches Neto, sim. Bueno é dono de um estilo muito particular que flerta com a poesia em volts carregados. Exemplo disso é seu livro Meu Tio Roseno, a Cavalo, uma novela belíssima que dispensaria a lembrança de que Bueno viria a ganhar prêmios literários importantes.&lt;br /&gt;Possivelmente esteja aí o maior exemplo do uso de um conhecimento específico da teoria literária para atingir uma vingança no romance de Sanches Neto. Por outro lado, pode ser que o que disse Beto não reflita mais a opinião de seu autor, uma vez que o conflito de egos, digamos assim, tenha acontecido bem antes de Bueno publicar seus principais livros.&lt;br /&gt;Embora Sanches Neto tenha publicado Chá das cinco só agora, este trabalho vem sendo comentado desde 2004, quando Trevisan ficou sabendo que uma biografia sua estaria sendo escrita por seu ex-seguidor. Foi a gota d’água. Trevisan pôs os dentes em riste e desandou a falar mal do ex-amigo, junto, claro, com o coro de seu séquito ordinário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Viagem ao coração da maldade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em Chá das Cinco com o Vampiro, Sanches Neto trilha um rastro de discórdia para escrever um belo romance&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2004, Miguel Sanches Neto, já era considerado um grande crítico literário, colunista do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, e já tinha publicado Chove sobre Minha Infância, romance que deu projeção nacional ao escritor. Foi nessa época que escreveu a “Carta aberta a Dalton Trevisan”, em que negava estar escrevendo qualquer biografia dele, mas sim um romance que tratava da convivência dos dois e de mais uma multidão de gente. Este se tornaria o Chá das Cinco com o Vampiro, aventura intelectual que o autor chama de “viagem ao coração da maldade.”&lt;br /&gt;“O novo romance foi escrito entre 2001 e 2003, sob um estado de espírito marcado pela decepção. (...) Embora não seja exclusividade nossa, a grande marca do paranaense é a intriga”, dissera. A carta aberta acirrou ainda mais os ânimos de Trevisan, que acabou escrevendo um poema esculachando Sanches Neto: “Hiena papuda necrófila/ traveca de araponga louca da meia-noite// mente na vírgula mente no pingo do i/ mente no bico fechado mente na carta aberta/ chorrilho merdoso de intriga e falácia.”&lt;br /&gt;A reação de Trevisan revela muito de sua alma ao leitor distante desta realidade e, no plano da ficção, ajuda a entender porque Beto Nunes diz que Trentini é dono de um “estilo corrosivo e impiedoso”. Desde que escreveu a Carta aberta, Sanches Neto, claro, revisou várias vezes seu romance para chegar à maneira como foi publicado.&lt;br /&gt;Ainda em A carta aberta, o autor diz: “Toda pessoa real, transposta para o mundo da ficção, torna-se outra, e só existe ficção quando há esta alteridade.” É neste sentido que o romance de Sanches Neto deve ser encarado pelo leitor. Como escritor consciente que é, ele mesmo já havia concluído que se Chá das cinco “é contra os escritores paranaenses, é também contra o próprio autor, que não pode se julgar acima dos demais e que confessa aqui sua culpa, sua incomensurável culpa.”&lt;br /&gt;Beto Nunes, como alter ego do autor, é o mais bem desenhado, o mais corrosivo no plano da criação literária em Chá das cinco. Se Trevisan aparece como uma caricatura de seus atos repetitivos, como escritor e como homem que construiu uma imagem que tomou conta de sua própria existência, tornando-o mito, Sanches Neto é apenas a sombra na feitura de Beto Nunes. Ali existe de fato um caráter novo. E é ele que conduz a trama.&lt;br /&gt;Roberto Nunes Filho (Miguel Sanches Neto), o mesmo número de caracteres para os dois nomes, é filho da classe média rural de Peabiru. Seu pai tornou-se um imprestável homem que vive apenas da renda das terras herdadas da família. Sua mãe, submissa, não consegue amar o filho na presença do pai. A pessoa mais importante na vida de Beto é sua tia solteirona, Ester, irmã de Roberto.Ela é sua mentora intelectual e sua iniciadora nos mistérios do sexo. Os dois tiveram uma única relação sexual quando Beto tinha treze anos, em que ela fingia que dormia e o sobrinho fingia-se de bobo enquanto penetrava a tia na calada da noite. A complexidade do personagem de Beto está inserida em três questões caras à obra de Sanches Neto: literatura, sexo e religiosidade.&lt;br /&gt;“Sua incomensurável culpa”, a do autor, por estar atuando como Judas, é expurgada de forma simbolicamente violenta nas atitudes de seu alter ego. Beto é subversivo ao extremo. Ele atua como um herege. Do ponto de vista moral, cada ato de sua vida é uma heresia contra a família, contra os bons costumes e, principalmente, contra o escritor-deus, Geraldo Trentini.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Relíquia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa das cenas mais contundentes, que vão caracterizar esta imagem, o Beto adolescente – que depois de ter cometido o incesto de segundo grau com a tia, só pensa no alívio solitário do sexo – estupra um pão, símbolo da ceia cristã. Em outra ocasião, quando vai acender uma churrasqueira, não hesita em umedecer de álcool um pão velho e queimar junto com o carvão. “— Não pode fazer isso, filho. — Isso o quê? — Queimar o pão. É o corpo sagrado de Cristo”, foi o diálogo entre mãe e filho no desfecho da subversão.&lt;br /&gt;Em outro momento, Beto havia roubado a calcinha da tia para se masturbar sentindo o cheiro daquela que o despertou para o mundo, e depois de muitas homenagens decidiu recortar o fundilho da peça. “Aquela tira de tecido passou a ser meu marcador de livros, o que fez com que tia Ester habitasse todos os volumes que, por aquele tempo, eu lia.”&lt;br /&gt;Ester era uma mulher culta, que havia morado um tempo em Curitiba. Como mentora do sobrinho, praticamente arranjou um jeito de ele ir para a capital e lá construir sua carreira de escritor bem sucedido, coisa que ela não havia conseguido fazer. No esquema narrativo de Chá das cinco, há um jogo de efeito bem definido, em que Beto vai contando suas peripécias de adolescente a caminho, enquanto, por outro lado, aparece em feixes de textos no meio da narração central, o Beto já consolidado em Curitiba, já amigo de Trentini e colunista do principal jornal da cidade.&lt;br /&gt;Esse jogo de cena entre o Beto adolescente e o escritor vitorioso, em que a cada momento os dois se encontram na passagem de um capítulo para o outro, dá ao romance uma dinâmica vigorosa e um exemplo da técnica narrativa de Miguel Sanches Neto. O livro inteiro, nesse aspecto, aparece como uma espécie de espelho em que reflete várias imagens do curso da jovem vida sendo percorrida.O garoto nu de civilidade, apenas com uma bagagem de leitura ainda pequena para os padrões intelectuais de uma cidade média como Curitiba, chega à capital paranaense, com roupas inadequadas, ar interiorano, e se depara com aquele desfile de prédios altos. Curitiba também entra como um personagem, um tipo nada elogiável aos olhos de Beto. A cidade é “um corpo de pele clara, silhueta esguia e com uma solene indiferença ao meu ser escurecido pelo sol e pela poeira.”&lt;br /&gt;As heresias do sexo, em meio a leituras e relações sociais, e a decepção do novo escritor no final também flertam com os gostos estéticos de Trevisan, autor que sem dúvida influenciou profundamente as escolhas de Sanches Neto. Por isso mesmo estão inscritos ali autores da predileção do vampiro, como a excentricidade de J. D. Salinger, a literatura de Tolstoi, e até a citação de O Complexo de Portnoy, de Philip Roth, em que o comportamento sexual do protagonista também é extravagante.&lt;br /&gt;A referência a J. D. Salinger pode ser entendida quando Beto já bem sucedido, cansado do joguinho de vaidades literárias, decide retornar ao campo. “Depois de conviver com escritores por algum tempo, você acaba sentindo necessidade de fazer parte da espécie humana, pois os deuses, os deuses cansam.” E vai embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bíblico&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras duas características presentes na obra de Sanches Neto, inclusive neste romance, marcam fortemente a influência que ele teve como escritor por Dalton Trevisan, coisa que o próprio Sanches Neto não nega. Uma delas é a presença forte de passagens da Bíblia, como os nomes de personagens ou temáticas que remetem imediatamente aos princípios cristãos.&lt;br /&gt;Além de Ester, Beto teve outra mulher em sua vida que se chamava Ruth, outro nome bíblico. Era uma prostituta, que aparece na trama para traduzir o caráter de dualidade do romance. Ester foi a primeira mulher de Beto. Mas aos olhos do pai, foi Ruth, porque quando o filho tinha lá seus 16 anos, o pai o levou para o prostíbulo com a intenção de iniciá-lo como ‘homem’, sem ter a menor ideia de que sua irmã já tinha feito isso.&lt;br /&gt;Essas referências bíblicas têm a ver com Trevisan pelo fato de ter sido ele quem sugeriu a Sanches Neto o estudo da Bíblia, na tradução de João Ferreira de Almeida, como um elemento apurador do estilo. Essa história está contada numa das crônicas de Herdando uma Biblioteca. Aliás, Herdando uma Biblioteca é o livro-chave de Sanches Neto, porque trata do exercício do apuramento do autor, em que ele conta histórias de sua vida vivida, que posteriormente são retrabalhadas em seus contos e romances.&lt;br /&gt;A insistência na reescritura é outra característica de Trevisan que está presente em seu discípulo mais rebelde. Mas ao contrário do mestre, que reescreve o mesmo texto em edições seguintes e, na opinião de Sanches Neto, vem reescrevendo a mesma coisa desde há muito tempo, este apenas retoca situações e cenas de um texto para outro.&lt;br /&gt;Autor do primeiro time da literatura contemporânea, oriundo de família pobre e sem estudo, Sanches Neto nasceu em Bela Vista do Paraíso, interior do Paraná, em 1965, e aos quatro anos se mudou para Peabiru, onde viveu a segunda infância e a adolescência. Seu pai morreu quando ele ainda era criança e aí teve de dividir a presença da mãe com o padrasto.&lt;br /&gt;A diferença de idade de Sanches Neto para seu alter ego em Chá das Cinco com o Vampiro é de cinco anos. O que dá ao autor a liberdade de inventar cenários e situações diferentes de sua real existência na linha do tempo e das experiências vividas. De Peabiru mudou-se para Curitiba para tentar outra vida. Foi quando conheceu Trevisan e passou a fazer parte de seu grupo.&lt;br /&gt;Talentoso, Sanches Neto logo começou a se destacar. Publicou um livro de poemas, Inscrições a giz, e foi estudar literatura. Sempre na linha de influência de Trevisan, fez mestrado e doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tendo como objeto a obra do mestre, além de ter escrito vários artigos elogiosos sobre o autor de O vampiro de Curitiba.&lt;br /&gt;Atualmente, ele é professor de literatura na Universidade Estadual de Ponta Grossa e crítico literário do jornal curitibano Gazeta do Povo e da revista Veja. Em 2006, a diretora editorial do Grupo Record, Luciana Villas-Boas, que em Chá das cinco aparece como Judith Bronfmann, já tinha dito que ele era um dos autores mais importantes que ela havia descoberto.&lt;br /&gt;A Record é a mesma editora de Trevisan, mas Sanches Neto faz questão de dizer que nunca pediu nenhum favor ao vampiro no sentido de facilitar sua vida de escritor editado. Em todo caso, o livro da discórdia mudou de rota e acabou sendo publicado pela Objetiva.Em Chá das cinco, Beto dá a dica de como Sanches Neto decidiu sair de Curitiba e da sombra de sua maior influência. “A história literária está cheia de exemplos de personalidades fortes que sufocaram aqueles que viveram à sombra de uma produção maior.” Em outro trecho, o personagem completa: “Isolado, fui me familiarizando comigo mesmo, até descobrir que apenas negando aquela admiração eu podia chegar a uma maneira própria de fazer literatura.”&lt;br /&gt;Antes de decidir voltar para o interior, Beto tinha lançado Mãos Pequenas, que retrata sua vida particular e de seus familiares. De fato é outro roman à clef, que na realidade é Chove sobre Minha Infância. No plano da ficção, é sobre Mãos Pequenas que a tia Ester escreve para Beto e diz “seu livro mostra quem somos de uma maneira meio rancorosa mas bonita.”&lt;br /&gt;O mesmo poderia ser dito de Chá das Cinco com o Vampiro, que não é só uma detração. É também uma homenagem a Dalton Trevisan e um exercício de superação. O autor de Capitu Sou Eu deveria se sentir orgulhoso de ter tido na vida um discípulo da envergadura de Sanches Neto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-440812730750620418?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/440812730750620418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/440812730750620418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/06/o-livro-da-discordia.html' title='O LIVRO DA DISCÓRDIA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-649601556659939775</id><published>2010-05-30T13:20:00.002-03:00</published><updated>2010-05-30T13:32:25.676-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='honestidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='chá das cinco'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevista'/><title type='text'>ENTREVISTA A ISABEL FURINI</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;a href="http://www.bonde.com.br/bonde.php?id_bonde=1-31-3--20090826&amp;amp;oper=calendar"&gt;http://www.bonde.com.br/bonde.php?id_bonde=1-31-3--20090826&amp;amp;oper=calendar&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Chá das Cinco com o Vampiro &lt;/em&gt;está agitando Curitiba. Nesses últimos meses ouvi aquele burburinho sobre o autor dessa obra - o escritor, professor e crítico literário Miguel Sanches Neto. O pessoal emite conceitos tão diferentes sobre ele, do tipo "esse cara é um grande escritor", "ele é um oportunista", "ele é honesto demais", que decidi entrevistá-lo e criar minha própria opinião. Queria conhecer o trabalho de Sanches Neto e comecei com &lt;em&gt;Venho de um País Obscuro &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Pisador de Horizontes&lt;/em&gt;. Fiquei apaixonada por dois poemas desse livro: "Difícil Aceitar" (pág.143) e "Poema para a Menina sem asas" (Pág. 45). Esses versos expressam sua revolta contra os clichês e terminam com alto grau de lirismo e sensibilidade. Imediatamente procurei &lt;em&gt;Chove Sobre Minha Infância&lt;/em&gt;. O livro é realmente envolvente. Quando o menino pobre insiste em estudar e é enviado para o colégio, lemos: "Os pais estão longe, não podemos contar com os professores e com os empregados. Temos que sobreviver no meio de um jogo de poder em que fala mais alto quem pode mais..." (pág.137). Talvez Miguel Sanches Neto tenha vislumbrado o mesmo jogo de poder nos meios literários.&lt;br /&gt;Quando enviei e-mail minha primeira surpresa foi a receptividade. Ele aceitou a entrevista. Em segundo lugar, fiquei admirada com sua honestidade. Ele não fugiu das perguntas. Nem respondeu com frases retóricas. Miguel Sanches Neto foi direto, objetivo, e suas respostas revelam um escritor que analisa seu próprio processo criativo friamente, sem autoelogios e sem sentimentalismo.&lt;br /&gt;Essa honestidade podemos também perceber nos livros &lt;em&gt;Chove sobre minha infância &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Venho de um país obscuro;&lt;/em&gt; neste último, fala: "Minha mãe comprava um único pão, repartindo-o entre quatro bocas" (Pág. 13); "Minha vó lavava roupas para fora e sempre trazia alguma sobra" (Pág.17); "O padrasto me ensinou a ser correto, a não mentir, não furtar e todo o resto, mas exigindo ser obedecido em tudo, reduzindo-nos a passivos súditos" (pág. 20).&lt;br /&gt;Mas, atualmente, o livro de Sanches Neto que desperta mais interesse é &lt;em&gt;Chá das Cinco com o Vampiro&lt;/em&gt;, por isso começamos a entrevista com uma pergunta sobre esse livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Como foi gestado seu novo livro &lt;em&gt;Chá das Cinco com o Vampiro&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este romance nasceu de um projeto de criar um universo paralelo ao universo literário curitibano dos anos 90. Eu tive uma percepção de que havia muitos personagens possíveis naquele meio. Era um momento - começo dos anos 2000 - em que eu tinha me desiludido com a vida literária, então havia um sentimento forte de frustração nos meus projetos de viver num ambiente literário. Foi neste contexto que nasceu o livro, onde uso e abuso da ficção para fazer um painel não do meio literário de Curitiba, mas do meio literário a partir de Curitiba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Você foi criando os personagens e escolhendo como modelos escritores paranaenses ou, ao contrário, os personagens foram aparecendo na sua mente, criando-se sozinhos, como Minerva na cabeça de Zeus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria contar uma trajetória e contar um ambiente, então foi esta espinha dorsal - a ida de um jovem problemático para a capital, a construção de uma outra possibilidade de ser, a solidão daquele que sai de seu território, a ilusão de uma vida no &lt;em&gt;grande monde&lt;/em&gt;, e rompimento total com tudo a partir da primeira experiência existencial forte - a morte de uma pessoa amada. Em torno disso nasceram personagens que ora estão mais próximos do mundo factual, ora mais distantes - mas que são sempre personas ficcionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Você pensou e escolheu o enredo, ou "foi escolhido pelo enredo", a história foi tomando corpo sozinha, sem sua vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num primeiro momento, havia só o impulso para escrever, e fiz algumas tentativas soltas. Quando achei o caminho, estruturei muito rigorosamente o enredo - fiz uma planta baixa. Ao alternar tempos, criei a possibilidade de estabelecer confrontos. Em Pebiru, o personagem vive uma coisa que só terá resposta no outro tempo, já em Curitiba - e fui montando estes paralelismos, muitas vezes usando a ironia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Você já escreveu livros de gêneros diferentes como &lt;em&gt;Impurezas Amorosas &lt;/em&gt;(crônicas), &lt;em&gt;Venho de um país obscuro &lt;/em&gt;(Poesias), &lt;em&gt;Contos para ler em viagem&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Contos para ler no bar&lt;/em&gt;, o romance &lt;em&gt;Chove sobre minha infância&lt;/em&gt;, e outros. Qual destes gêneros você prefere? E qual de seus livros lhe deu maior satisfação escrever?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me encontro mais no romance, pois o romance apresenta uma oportunidade de dizer mais, de ampliar as discussões, e exige mais do autor também, pois não é possível escrever uma história com proporções tão dilatadas com um envolvimento pequeno, tanto de tempo quanto de energia psicológica. O romance é, para mim, como eu já disse em alguns lugares, um resumo de todos os gêneros literários. Você pode se valer de outras formas textuais para compor o romance, e esta liberdade me agrada muito. O livro que me deu maior alegria na escrita foi &lt;em&gt;Chove sobre minha infância &lt;/em&gt;(2000), meu livro de estréia nacional, onde eu passo a limpo, ficcionalmente, a história de minha família. Foi um livro produzido em apenas um mês de dedicação exclusiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) Podemos entender que seus enredos e personagens partem da realidade, mas que nunca permanecem lá. A realidade é só o ponto de partida. Isso pode confundir um pouco os leitores - pensam que seu livro é "quase histórico", quando na realidade estão lendo pura ficção. Sente-se incomodado por essa confusão de alguns leitores e críticos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficção é por natureza um terreno movediço, você não tem muitas certezas neste espaço. Eu trabalho numa espécie de radicalização do conceito de não-ficção. Tudo parece muito real, e há uma dose de realismo muito grande, mas eu não facilito para o leitor, eu tento enganá-lo, ou criar uma confusão. Que alguns leitores caiam neste equívoco eu acho normal, o que me estranha é que críticos e escritores que escrevem sobre livros valorizem apenas o factual em meus livros, um falso factual. A literatura não é uma área para leitores ingênuos, ela exige uma capacidade imaginativa muito grande. O problema é que a humanidade como um todo está perdendo a sua capacidade de imaginar, porque os meios de comunicação valorizam excessivamente a realidade, então o leitor quer ler tudo como realidade. Isso faz com que a literatura assuma mais do que nunca o seu caráter fantasioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) Que conselho daria aos novos escritores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que nunca deixem de ler muita literatura, pois não há outro caminho para a construção de um estilo, de uma voz, de uma visão do mundo, do que lendo a literatura que nos antecedeu. Escrever deve ser sempre um subproduto da leitura, uma forma de unir nosso nome a uma tradição, nem que seja negando-a.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-649601556659939775?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/649601556659939775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/649601556659939775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/05/entrevista-isabel-furini.html' title='ENTREVISTA A ISABEL FURINI'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-1803725273852980601</id><published>2010-05-22T11:44:00.001-03:00</published><updated>2010-05-22T11:48:08.200-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='recepção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='deformação literária'/><title type='text'>ROMANCE DA DEFORMAÇÃO</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;Por Júlio Pimentel Pinto (http//paisagensdacritica.wordpress.com/)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Chá das cinco com o vampiro nasceu e vive sob o signo da polêmica.&lt;br /&gt;Para alguns dos defensores, o mérito é revelar, com tintas carregadas, o quotidiano literário curitibano dos anos finais do século XX, expondo sua endogamia e as idiossincrasias de quem o centralizava, Dalton Trevisan.&lt;br /&gt;Para os críticos, o demérito do livro é trocar a literatura pela mexerico. Alguns foram mais longe e o acusaram de destilar ressentimento e buscar evidência às custas de uma celebridade literária.&lt;br /&gt;Li o livro logo que saiu e, desde então, acompanhei as resenhas. Acompanhei também o &lt;a href="http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/" target="_blank"&gt;blog&lt;/a&gt; que Miguel Sanches Neto, o autor, criou para responder a críticas. Passados dois meses, confesso duas coisas: primeiro, que não alinho minha leitura em nenhuma das trincheiras; segundo, que acho que o livro ainda não foi lido pelo prisma da literatura.&lt;br /&gt;Sim, sei da presunção que a segunda constatação encerra: dispor-me a ler o que outros, e mais qualificados, não leram. Se assim a entenderam, por favor, me desculpem. Ocorre que vivemos num país afeito a polêmicas, lugar em que facilmente se toma a discordância por ofensa pessoal, ambiente tantas vezes hostil ao dissenso — por mais que preguemos nossa tolerância e até encontremos um ou outro exemplo histórico a confirmá-la.&lt;br /&gt;Parte de nossa imprensa cultural instiga o confronto e prefere sangue a ideias, sedenta de uma vendagem maior. Foi assim, para ficar num só caso, que dois dos maiores intelectuais brasileiros, lá pela metade da década de 1980, trocaram xingamentos. O jornal vendeu feito água e nós, leitores, ficamos sabendo que um era “doente e cretino” e o outro… Deixemos para lá.&lt;br /&gt;Em bom português, sob a aparência da tolerância, nosso universo cultural é quase sempre mesquinho, encerrado em grupinhos e clubes semi-secretos, que fazem tanto bem à vaidade de seus integrantes quanto mal à produção cultural geral.&lt;br /&gt;É isso que o livro de Sanches Neto expõe. Sinceramente não me interessa se o alvo conjuntural é Trevisan e se outros intelectuais estão ali, travestidos em personagens mais ou menos dignos.&lt;br /&gt;Não leio ficção — e sempre alerto meus alunos para que também não o façam — como jogo de espelhos da realidade. Vale lembrar que continua válida a célebre distinção, de vinte e poucos séculos, que lembra que o compromisso da ficção é com a imaginação, não com o que efetivamente se passou.&lt;br /&gt;Tampouco me importa quais são as estratégias de fulano ou de beltrano para obter sucesso ou os acertos de contas que o passado por ventura legou ao presente. Até intuo que não é o caso — a obra de Sanches Neto é suficientemente sólida para que dispense atalhos. Simplesmente leio e, ao ler, avalio — com critérios certamente questionáveis, mas pouco a pouco consolidados em mais de quarenta anos de vida entre livros — o que está à minha frente. Dimensões pessoais, ideológicas ou demais elementos alheios ao que está nas páginas do livro, a princípio, não me interessam.&lt;br /&gt;Foi assim que li Chá das cinco com o vampiro. Foi assim que encontrei mais coisa por lá, além do diagnóstico sombrio acerca da acrítica idolatria literária, além da exposição algo crua sobre a arrogante e anacrônica hierarquia linear dos grupelhos culturais.&lt;br /&gt;Lá encontrei uma das chaves da discussão literária: o contraste entre personas literárias. De um lado, o instável narrador; de outro, o vampiro — que ultrapassa, como personagem, a metáfora do título que o caricatura como decadente. O narrador quase inexiste como tal: ele busca ser escritor, mas só o é de forma bissexta. O vampiro já foi um grande escritor e aos poucos se dilui nas mimetizações que outros e ele mesmo fazem de seus grandes textos.&lt;br /&gt;O confronto é óbvio: enquanto um se constrói, outro se desfaz. O narrador não é pleno, nem sua formação se completa. Seu universo íntimo é identicamente mofino e a carreira literária, frágil e errática. Mais do que escritor, ele se faz leitor obsessivo, mas o imenso repertório não se traduz em obra consistente.&lt;br /&gt;O reconhecimento da obra do vampiro, por sua vez, o fecha num labirinto, do qual não consegue, ou quer, escapar: a  figura pública, como sempre, ultrapassa o sujeito comum e sua mesquinharia o atordoa – mais, inclusive, do que mexe com seus seguidores ou leitores, que fácil e prazerosamente substituíram o homem pelo mito. E as limitações prosseguem: o suposto experimentalismo dos textos escritos depois da fama, expresso na concisão de seus escritos, pode esconder apenas a repetição e a mesmice — ele sabe disso, mesmo que a crítica prefira fechar os olhos.&lt;br /&gt;Ambos mostram paradoxos do ofício literário. São espelhos distorcidos do sonho da consagração cultural, e acabam igualmente derrotados: um, no mundo empoeirado das bajulações gratuitas; outro, pelo retorno às origens pessoais que negavam seu desejo literário.&lt;br /&gt;O livro de Sanches Neto tem muitos méritos e comprova o domínio técnico que seus escritos anteriores já revelavam. Mas, longe das inconfidências que tantos preferiram destacar — e independentemente, repito, de sua ocasional veracidade —, ele traz algo assustadoramente incomum na ficção brasileira atual: mostra os rumos da deformação literária. Um romance de formação às avessas, e extremamente necessário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-1803725273852980601?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/1803725273852980601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/1803725273852980601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/05/romance-da-deformacao.html' title='ROMANCE DA DEFORMAÇÃO'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-3528345565952546018</id><published>2010-05-10T11:46:00.006-03:00</published><updated>2010-05-26T05:37:24.651-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='precisão estilística'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diário do nordeste'/><title type='text'>INTERESSE LITERÁRIO</title><content type='html'>Na semana passada, recebi umas poucas perguntas de Dellano Rios. Estou meio cansado de dar entrevistas, mas este livro exige que eu tente diminuir ao máximo as incompreensões coladas a ele. Não estou reclamando, prefiro que ele seja incompreendido a ter ficado na gaveta. Tenho me esforçado para evitar a participação em programas de televisão e de rádio para falar sobre o livro, mas respondo a todas as perguntas que me chegam por e-mail.&lt;br /&gt;Nas de Dellano, notei uma preocupação com o livro e não com a polêmica. O resultado é o belo artigo que ele escreveu hoje no Caderno 3, do &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Diário do Nordeste&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;O autor se sente pacificado quando o leitor lê o seu livro com um autêntico interesse literário.&lt;br /&gt;Abaixo, um trecho do artigo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estilisticamente, trata-se de um livro marcado pela precisão. O tom confessional do narrador, surpreendentemente, não o torna um verborrágico. Não há espaço para palavras desnecessárias. Sanches Neto busca certa precisão que figura em obras como a de Ruben Fonseca e Dalton Trevisan, no Brasil; e Cormac McCarthy, nos EUA.".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leia o artigo na íntegra em: http://vai.la/Mxr&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-3528345565952546018?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/3528345565952546018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/3528345565952546018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/05/interesse-literario.html' title='INTERESSE LITERÁRIO'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-2449111215840028332</id><published>2010-05-09T10:45:00.004-03:00</published><updated>2010-05-09T11:03:38.786-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desleitura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desejo de aparecer'/><title type='text'>QUE MONSTRO QUE EU SOU!</title><content type='html'>Como contraponto, é interessante ler o texto do jornalista Schneider Carpeggiani, que passou pelo Paraná e aproveitou para comentar o livro e descer o pau no autor. Ele diz que falo de minha vida sexual no romance, demonstrando que leu o livro como reprodução fiel de vivências. Sinto informar: nada da vida sexual de Beto Nunes tem a ver comigo. Eu quis construir um personagem baseado nos tarados que povoam o imaginário moderno. É ficção nua e crua.&lt;br /&gt;Em um ensaio genial sobre Goethe (Editora 34, 2009), Walter Benjamin fala que duas são as posturas críticas diante de uma obra: buscar o teor factual ou o teor de verdade. O teor factual não tem a menor importância. O que acontece em termos de enredo só serve para levar o leitor a apreender uma verdade oculta sobre o conjunto de fatos apresentado. É este valor mítico de todo texto que determina ou não a sua permanência. Esta verdade não é de ordem histórica, sociológica ou biográfica, mas de natureza simbólica. É preciso ir além da referencialidade para tentar determinar a validade ou não de um livro como literatura. Por favor, não estou dizendo que meu livro tenha este valor, apenas reafirmo que o teor factual desta obra não tem a menor importância.&lt;br /&gt;Esta leitura externa destrói a minha tese de que meu livro será melhor lido fora do Paraná.&lt;br /&gt;Abaixo, o link da matéria em que apareço como um "monstro de escuridão e rutilância". Engraçado que o artigo recai nos mesmos defeitos que ele aponta em meu livro, uma tendência para a fofoca:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.exkola.com.br/scripts/noticia.php?id=31129454"&gt;http://www.exkola.com.br/scripts/noticia.php?id=31129454&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-2449111215840028332?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/2449111215840028332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/2449111215840028332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/05/que-monstro-que-eu-sou.html' title='QUE MONSTRO QUE EU SOU!'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-3588627315528707659</id><published>2010-05-09T10:31:00.002-03:00</published><updated>2010-05-09T10:39:05.953-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='internet'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='olhar de fora'/><title type='text'>NOVA RESENHA</title><content type='html'>Ocupado por conta de outros projetos, tenho postado pouco. Mas mexendo na internet hoje, encontrei a resenha de Milton Ribeiro sobre o &lt;em&gt;Chá das cinco&lt;/em&gt;. Aos poucos, o livro vai sendo compreendido nas suas intenções centrais. As leituras de fora do Paraná talvez entendam o livro melhor, de forma menos colada ao cenário local.&lt;br /&gt;Daqui para frente, o livro vai depender essencialmente das leituras veiculadas na internet. Está no fim o tempo que a grande mídia destina a um livro - os lançamentos têm uma validade máxima de 3 meses, e só reaparecem nas páginas dos jornais se acontecer algum fato novo em torno deles.&lt;br /&gt;No link abaixo, a resenha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/2010/05/04/cha-das-cinco-com-o-vampiro-de-miguel-sanches-neto/"&gt;http://miltonribeiro.opsblog.org/2010/05/04/cha-das-cinco-com-o-vampiro-de-miguel-sanches-neto/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-3588627315528707659?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/3588627315528707659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/3588627315528707659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/05/nova-resenha.html' title='NOVA RESENHA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-279506764150466511</id><published>2010-05-03T12:50:00.004-03:00</published><updated>2010-05-03T13:00:31.972-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevista'/><title type='text'>PERDER A GUERRA</title><content type='html'>Paulo Briguet publica entrevista na revista &lt;em&gt;Winkmag&lt;/em&gt;, de Londrina. A conversa por e-mail foi agradável, antecedida pela leitura e compreensão da obra - coisa que nem sempre acontece, infelizmente. O resultado me agradou muito.&lt;br /&gt;Para acessar a revista &lt;a href="http://www.winkmag.com.br/"&gt;http://www.winkmag.com.br/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-279506764150466511?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/279506764150466511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/279506764150466511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/05/perder-guerra.html' title='PERDER A GUERRA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-7808302118277864144</id><published>2010-04-24T13:38:00.003-03:00</published><updated>2010-04-24T13:42:40.448-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A tarde'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='twitter'/><title type='text'>ENTREVISTA EM A TARDE</title><content type='html'>Josélia Aguiar divulgou na internet parte da entrevista que fez comigo para o jornal baiano &lt;em&gt;A Tarde&lt;/em&gt;. Apenas uma correção ao "abre" da entrevista. Este é meu quarto romance, e não o terceiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://caderno2mais.atarde.com.br/?m=20100423"&gt;http://caderno2mais.atarde.com.br/?m=20100423&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-7808302118277864144?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/7808302118277864144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/7808302118277864144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/04/entrevista-em-tarde.html' title='ENTREVISTA EM A TARDE'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-7729802331813695955</id><published>2010-04-21T08:40:00.001-03:00</published><updated>2010-04-21T08:43:16.738-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Blumenau'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Curitiba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='elite'/><title type='text'>CIDADES IGUAIS</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;Maicon Tenfen (&lt;a href="http://wp.clicrbs.com.br/maicontenfen/"&gt;http://wp.clicrbs.com.br/maicontenfen/&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;— Essa gentinha “sacana” faz de tudo para te destruir. São caçadores de peru. Sabe como se caça peru? Atirando naquele que levanta a cabeça. Aqui só sobrevive quem não se sobressai. Por isso é uma cidade tipicamente classe média.&lt;br /&gt;— Por ter nascido aqui, você quer que Blumenau seja mãe. Eu sempre aceitei que ela fosse madrasta.&lt;br /&gt;— Perdi a paciência. Escreva um “grande” livro, tenha uma grande ideia, descubra uma nova constelação… qualquer coisa importante que você fizer será um passaporte para a obscuridade. É assim que essa “droga” de elite continua comandando tudo. Somos tão forasteiros quanto você, não importa muito ter nascido aqui, nem nossos pais terem lutado para o progresso da cidade, se você não tem um sobrenome, será sempre estrangeiro.&lt;br /&gt;— Mas os forasteiros chegaram ao poder, como deputados, prefeitos…&lt;br /&gt;— Quem continua comandando a cidade? Veja os sobrenomes. “Caramba”, tudo na mão deles, uma elite que não produziu nada de importante, apenas administrou riquezas, controlando posições de mando.&lt;br /&gt;— Talvez você tenha razão.&lt;br /&gt;— Claro que tenho. Veja que “porcaria” que é a cidade, totalmente sem acústica. Estamos “ferrados”, sempre falaremos sozinhos.&lt;br /&gt;— Mão de obra que não deve ser bem remunerada.&lt;br /&gt;— É assim mesmo que eles nos veem. Agora tire a contribuição do pessoal do interior, dos que vieram de outros estados, o que sobra de Blumenau? (…) Tudo aqui é importado. Falsamente europeia. Uma cidade que copia estilos, dirigida por imitadores.&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;O texto acima não é meu. Raptei-o das páginas 145 e 146 do novo romance de Miguel Sanches Neto, Chá das Cinco com o Vampiro, sobre o qual dissertei dias atrás. Apenas tomei o cuidado de trocar Curitiba por Blumenau e substituir os palavrões pelas palavras mais amenas que aparecem entre aspas. Transcrevi o diálogo por ter me lembrado de uma conversa muito semelhante que tive com um blumenauense desapontado. Sinal de que todas as cidades são iguais? Talvez, mas minha motivação vai um pouco além. Fiz questão de demonstrar que esse “rancor” e esse descontentamento com a dinâmica da cidade não vêm apenas de forasteiros como eu. Vêm também dos nativos que se preocupam com o destino de Blumenau.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;                           (Crônica publicada em 30 de março de 2010, no &lt;em&gt;Santa&lt;/em&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-7729802331813695955?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/7729802331813695955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/7729802331813695955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/04/cidades-iguais.html' title='CIDADES IGUAIS'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-2781253012525892267</id><published>2010-04-17T20:26:00.002-03:00</published><updated>2010-04-17T21:14:15.568-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desilusão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escritores'/><title type='text'>O QUINTAL DAS VAIDADES</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;Marcos Losnak (&lt;em&gt;Folha de Londrina&lt;/em&gt;, 17 de abril de 2010)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A vaidade é uma espécie de fungo que passeia por todos os lugares. Com tamanhos variados e formas improváveis, reveste tudo que tenha algum dedinho humano. A arte, nesse território, é uma verdadeira passarela. E a literatura, uma vasta caravana. Em seu novo romance, 'Chá das Cinco com o Vampiro', o escritor paranaense Miguel Sanches Neto retira a vaidade literária das gavetas e a coloca no meio da rua, sob o sol e sob a chuva. Expõe, sem lengalengas, as mazelas que habitam, de maneira oculta ou dissimulada, o circulo literário de Curitiba. Um assunto que pode ser considerado polêmico, mas não fantasioso.&lt;br /&gt;'Chá das Cinco com o Vampiro' narra a história de Beto, um jovem apaixonado pela literatura que deixa uma pequena cidade do interior do Paraná para se fixar em Curitiba. Na capital, torna-se crítico literário de um jornal de grande circulação. Em pouco tempo começa a frequentar o círculo literário da cidade, travando contato com seus escritores famosos e seus aspirantes mais atuantes.&lt;br /&gt;Com o tempo, Beto percebe que o universo literário da capital, apesar de toda pompa, se revela um quintal repleto de vaidades, conchavos, manipulações, jogos de poder, inveja, interesses particulares, alucinações, mesquinhez e megalomanias. Um lugar onde nenhum estrangeiro precisa se empenhar em travar a literatura do lugar porque os próprios escritores da cidade se encarregam de tal tarefa.&lt;br /&gt;Da mesma maneira, Curitiba, a grande capital moderna, se revela uma província típica. Uma província de grandes avenidas e detentora de um inexplicável processo autofágico. Todas as expectativas idealistas de Beto, sejam no campo das letras ou no campo civilizatório, escorrem ralo abaixo quando se defrontam com o real. Não com as aparências ou maquiagens, mas com as coisas como realmente são.&lt;br /&gt;A narrativa de 'Chá das Cinco com o Vampiro' oferece duas possibilidades de leitura. A primeira seria aquela realizada pelo leitor comum que percorre as páginas do romance despreocupado com as referências literárias oferecidas pelo autor. Uma leitura que encare a obra como puramente ficcional, como se propõe a obra enquanto gênero. A história de um jovem que se envolve com a literatura e acaba descobrindo as mazelas e agruras que repousam no ventre do monstro. Um jovem que, apaixonado pelas letras, é abatido por uma profunda desilusão pela arte a partir do momento em que conhece os homens que fazem literatura. Homens incompatíveis, no campo humanístico, com a arte que produzem.&lt;br /&gt;A segunda seria aquela realizada pelo leitor que possui referências do universo literário curitibano das últimas décadas. Isso porque é possível identificar, no leque de personagens desenhados por Sanches Neto, alusões diretas às figuras reais, mortas ou vivas, que povoam fauna de escritores de Curitiba. Para esse leitor, dentro dos elementos ficcionais, é possível encontrar um particular retrato do universo literário da cidade. O eterno e repetitivo mito Dalton Trevisan é o mais escancarado através do personagem quase senil chamado Geraldo.&lt;br /&gt;Mesmo carregado de elementos ficcionais, é impossível não reconhecer na obra elementos autobiográficos do autor. Filho de agricultores, Miguel Sanches Neto nasceu em Bela Vista do Paraíso em 1965. Ainda pequeno, mudou-se com a família para Peabiru, onde passou a infância. Vivendo em Curitiba, atuou como crítico literário do jornal Gazeta do Povo por mais de uma década. Estreou na literatura em 2000 com o romance 'Chove em Minha Infância'. Na sequencia, publicou 'Hóspede Secreto', 'Um Amor Anarquista' e 'A Primeira Mulher', entre outros. Atualmente reside em Ponta Grossa onde atua como professor universitário.&lt;br /&gt;Apesar de todo tipo de polêmica que 'Chá das Cinco com o Vampiro' pode gerar nos círculos literários curitibanos, o romance é uma simples e clássica história de busca e desilusão. Assim como o lendário escritor paulista Raduan Nassar, de maneira simbólica, abandonou a literatura para criar galinhas, o personagem principal de 'Chá das Cinco com o Vampiro' abandona os círculos literários para plantar soja. Duas desilusões emblemáticas. De um lado a desilusão para com a própria literatura, de outro a desilusão com aqueles que fazem a literatura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-2781253012525892267?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/2781253012525892267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/2781253012525892267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/04/o-quintal-das-vaidades.html' title='O QUINTAL DAS VAIDADES'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-2465177976410288401</id><published>2010-04-17T20:20:00.002-03:00</published><updated>2010-04-18T16:03:56.601-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentários'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fortuna crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cartas'/><title type='text'>SOBRE O BLOG</title><content type='html'>A idéia de criar este blog surgiu quando percebi que, por sua natureza, &lt;em&gt;Chá das cinco com o vampiro &lt;/em&gt;viria marcado por inevitáveis incompreensões. Então, haveria a necessidade de centralizar as discussões literárias e as jornalísticas para que o leitor pudesse, sendo de seu interesse, construir uma visão mais ampla do livro, contrapondo leituras. Este é um blog de muitas vozes, às quais se soma a do autor. A grande novidade desta estratégia de recepção do livro talvez seja publicar algumas cartas que apresentem função crítica, dilatando o espectro dos debates. É nesse sentido que torno públicos e-mails recebidos sobre o livro – não todos, apenas aqueles que analisam o romance e que não fazem referências a pessoas.&lt;br /&gt;Como tenho dado muitas entrevistas – sempre por e-mail –, estou acumulando um conjunto de falas em torno do romance e do fazer literário. Elas aparecem em links ou transcritas aqui.&lt;br /&gt;Este blog se quer como uma fortuna crítica em tempo real e não tem um caráter seletivo – tudo que não for xingamento é aceito. Para evitar xingamentos, ele não tem espaço para comentários.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-2465177976410288401?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/2465177976410288401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/2465177976410288401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/04/sobre-o-blog.html' title='SOBRE O BLOG'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-5892703298542100327</id><published>2010-04-17T19:53:00.002-03:00</published><updated>2010-04-17T19:59:26.352-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estrutura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fluência narrativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gastronomia e literatura'/><title type='text'>CARTA DE JOÃO AMÁLIO RIBAS</title><content type='html'>Olá, Miguel...&lt;br /&gt;Como vai?&lt;br /&gt;Acabo de ler o &lt;em&gt;Chá das cinco com o vampiro&lt;/em&gt;. Algo que me surpreende sobre a maioria das críticas que sua obra recebeu é um ofuscamento (quando não esquecimento) daquilo que o &lt;em&gt;Chá... &lt;/em&gt;é, antes e sobretudo: uma obra ficcional, um texto literário.&lt;br /&gt;Com todo respeito às críticas de fundo sociológico (social?) e psicológico (psicanalítico?), acho que a crítica literária, como o próprio nome prevê, mais que qualquer outra coisa, deva tratar de questões literárias.&lt;br /&gt;Das resenhas que li, poucas tratam dos aspectos que, a meu ver, são os mais importantes e interessantes do livro.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, salta-se aos olhos na leitura de &lt;em&gt;Chá das cinco...&lt;/em&gt; o trabalho muito bem urdido de bifurcação narrativa, em que as duas linhas de tempo são, para usar termos do velho Bakhtin, eqüipolentes e equivalentes, ou seja, as duas histórias contadas (Peabiru e Curitiba) têm ao longo do livro o mesmo grau de octanagem literária, por assim dizer;  ambas mantém o mesmo nível de interesse do leitor – pelo menos deste que te escreve e de outros com quem conversou; e mais importante: essas duas linhas narrativas tão bem equilibradas no livro tocam-se e fecham-se ao fim do romance (e ele é sim um romance! e não um conjunto de crônicas como alguns sugeriram) num arco estratégico e simbólico extremamente bem realizado.&lt;br /&gt;Outro aspecto que penso deveria ter sido mais e melhor observado por quem resenhou o livro é o da fluidez narrativa. Em o &lt;em&gt;Chá... &lt;/em&gt;a técnica literária apurada não joga contra, mas a favor do leitor;  caso raro em nossos pretensos (pós)modernosos escritores, em que muitas vezes as estratégias ficcionais servem para mascarar as poucas (ou a falta de) ideias – vide Chico Buarque e afins (...). E nesta perspectiva de engenharia literária em que se opta por um &lt;em&gt;even flow &lt;/em&gt;narrativo, &lt;em&gt;Chá das Cinco... &lt;/em&gt;consegue o equilíbrio, muitas vezes tão distante em tantos escritores, entre a fluência e a profundidade; pois o que é mais importante neste aspecto de seu livro é que mesmo costuradas por um discurso fluente, as questões por ele tratadas longe estão do raso, da platitude ou do banal. É alentador ler um texto literário que flui – desculpe a insistência no termo –, mas ao mesmo tempo trata tão a fundo e de maneira por vezes tão liricamente dolorosa temas como: a solidão do ser humano; a ruptura (com o mestre, com o passado, com os antípodas); a busca e a construção de uma identidade literária, artística (e humana).&lt;br /&gt;Algo que também ninguém comentou – pelo menos no que li – o tema que vem se tornando uma marca de recorrência em sua obra (como os braços em Machado, e as aparições do Hitchcock em seus filmes) que é a gastronomia – na falta de um termo mais adequado. Este aspecto tão recorrente quanto importante em &lt;em&gt;Chove sobre minha infância &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Um amor Anarquista&lt;/em&gt;, em &lt;em&gt;Chá... &lt;/em&gt;reaparece com  a mesma função dos livros anteriores, a saber: uma senha para análise simbólica de cenas e uma chave para análise psicológica de personagens. Observar as emblemáticas diferenças entre os pedidos do vampiro e do discípulo na Shaffer ou refletir sobre a simbologia das refeições nas casas de Capote, Chaves e Akel já seria matéria suficiente para um ensaio, resenha, artigo...&lt;br /&gt;Por fim, fazendo questão absoluta de fugir de questões miúdas e periféricas sobre o que do livro é verdade ou não, e para reafirmar a ideia de que crítica literária deva tratar, sobretudo, do fazer literário, lembro do Oscar Wilde – “não há livros morais nem imorais, o que há são livros bem escritos ou mal escritos”; &lt;em&gt;Chá das cinco com o vampiro&lt;/em&gt;, independentemente de tratar de Miguel ou Milton, Dalton ou Dante, faz parte da não muito numerosa lista dos bons e bem escritos livros da nossa literatura brasilis seculovinteeum; e é muito bom ver que você, Tezza e outros poucos, conseguiram tão cedo a maturidade literária que escritores perseguem a vida inteira, sem muitas vezes encontrá-la.&lt;br /&gt;Um abraço do&lt;br /&gt;João.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-5892703298542100327?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/5892703298542100327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/5892703298542100327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/04/carta-de-joao-amalio-ribas.html' title='CARTA DE JOÃO AMÁLIO RIBAS'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-5777990829509626919</id><published>2010-04-15T19:49:00.002-03:00</published><updated>2010-04-15T19:55:07.524-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desencanto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='função da literatura'/><title type='text'>DESENCANTO GERACIONAL</title><content type='html'>Julio Daio Borges (leia-se: &lt;em&gt;Digestivo Cultural&lt;/em&gt;) faz uma análise geracional do &lt;em&gt;Chá&lt;/em&gt;. Diz que ele cifra um desencanto dos escritores da geração 90 em relação à literatura:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1694"&gt;http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1694&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-5777990829509626919?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/5777990829509626919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/5777990829509626919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/04/desencanto-geracional.html' title='DESENCANTO GERACIONAL'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-6805798555464800179</id><published>2010-04-14T07:58:00.001-03:00</published><updated>2010-04-14T08:01:40.030-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Curitiba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='função da literatura'/><title type='text'>UM TIRO NO SALÃO DE CHÁ DA LITERATURA</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;Texto de Antonio Cescatto&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A pergunta que emerge, faiscante, depois da leitura de um livro como Chá das Cinco com o Vampiro, de Miguel Sanches Neto, é uma só: teria o autor o direito de perpetrar um retrato tão cruel quanto cínico de sua relação com o Le Monde literário da Curitiba dos anos 90 a 2000? Seria justo que ele viesse a público para destilar sentimentos genuínos mas ambíguos, como o ressentimento, a raiva, ou mesmo uma admiração fria e um desprezo crescente por todos que o rodeiam, admiração e desprezo que levam-no a ignorar o desejo evidente de cada um dos retratados em permanecer onde sempre estiveram, isto é, protegidos pela persona do recluso ou do resignado, ocultos pelo personagem público que criaram, em uma cidade que justifica todos os medos e fracassos como atitude estética contra a “crueldade” polaca que lhe é inerente?&lt;br /&gt;Nossa primeira resposta seria simples: não, não é justo que as pessoas sejam expostas assim, dessa forma, sem prévia consulta ou consentimento, principalmente se considerarmos que muitas delas já nem estão entre nós. Movidos, então, por um sentimento de nobreza interior, que nos distingue e eleva ao Olimpo rousseauniano da sabedoria, invocaríamos imediatamente a justificativa mais facilmente disponível: trata-se de um oportunismo, sim, um oportunismo da pior espécie: Miguel quis valer-se da fama dos retratados – o Vampiro, naturalmente, como principal deles – para catapultar-se além dos seus talentos literários, buscando compartilhar a glória de alçar-se às alturas do Príncipe do Conto Breve, desfrutando – nem que seja pela curta temporada de um chá das cinco – da mais inexpugnável versão de JD Salinger que a literatura brasileira foi capaz de produzir.&lt;br /&gt;Ora, quem ele pensa que é?  Tivesse a sensatez de permanecer em sua alcova de personagens ficcionais, diluído em fantasmas dos quais guardaríamos os nomes mas não reconheceríamos os rostos, e tudo estaria certo. Um escritor, afinal, tem o direito de criar os personagens que quiser, dar-lhes o nome que – ele ache – devam merecer, e apagar-se entre eles, não deixando o menor rastro de passagem de uma pessoa concreta pelo caminho, mesmo que saibamos, lembrando Flaubert, que “Madame Bovary c’est moi !”. Qual o quê. Do seu exílio em Ponta Grossa, Miguel Sanches Neto remexe nos fantasmas que se encontravam adormecidos no quarto da memória e, sem medo de despertá-los, toma a suprema ousadia de nomear o que nunca deve ser nomeado, de revelar o que nunca deve ser revelado, de trafegar pela contramão da sensatez, da maturidade e cometer um ato que só pode ser classificado dessa forma: uma insensatez em forma de livro.&lt;br /&gt;Abrigado sob o nome de um certo Beto, ele revela seus encontros e desencontros com a fina flor da intelectualidade nativa, ele, um garoto de trinta e poucos anos, recém-chegado de Peabiru, a circular entre perplexo e fascinado por entre a geração que chega aos 50, 60 e 70 anos (caso específico do Vampiro) no final dos anos 90 e início do novo milênio. Sim, havia um pai alcoólatra, perverso e impiedoso a contaminar os relacionamentos do filho com qualquer um dos seus novos parceiros de jornada; mas não nos iludamos: uma explicação psicológica não é capaz de definir ou mesmo dar conta dos mecanismos tortuosos pelas quais uma personalidade literária se expressa.  A literatura e a criação artística superam, de longe, a psicologia. A mente humana – diria Gertrude Stein – anda aos saltos, enquanto a natureza humana – fundamento da psicologia – busca a semelhança, a identidade.&lt;br /&gt;E talvez esta seja a única resposta para o enigma a que o livro nos atira e que ele nos propõe: não é a identidade que importa. Gostamos de dividir o mundo entre a sociedade do espetáculo, onde vivem e expõem-se as chamadas celebridades, o mundo do Big Brother e de suas caretices dissimuladas em ousadia, com a sociedade secreta dos artistas talentosos, ou dos profissionais sérios, ou dos intelectuais religiosamente regrados, as quais só podem ser freqüentadas por alguns poucos e escolhidos iniciados. Quando um renegado despreende-se e atira contra o próprio forte, o que vemos desmanchar-se é uma imagem cuidadosamente estruturada para refletir o que havia sido definido para ela. O Vampiro, então, que nos parecia tão refratário às vicissitudes humanas, de repente nos aparece como refém da mais comezinha entre elas, a vaidade. As reticências anticuritibanas do escritor Turco surgem como o que elas sempre foram: uma forma neurótica de lidar com a própria impotência. E alguém, finalmente, tem a coragem de dizer que aquelas genialidades semióticas de Valério Chávez talvez não fossem mais do que uma necessidade acadêmica de contrapor a literatura verdadeira com seu anátema.&lt;br /&gt;Nesse rodamoinho em que o livro nos coloca, uma galeria de personagens conhecidos ressurge das sombras,  contraditórios, repugnantes, interessantes, desprezíveis, mas sempre, e acima de tudo, vivos. Pois se um universo desmorona quando os alicerces dos mitos são abalados, quando as entranhas das relações literárias são expostas, mesmo que sob o epíteto da inveja e do rancor, o fato é que, quando existe o talento literário, e esse talento é capaz de nos conduzir por quase 300 páginas de idas e vindas, então tudo vale a pena. Talvez o Orlando Capote que conheçamos não seja exatamente aquele que Beto conheceu, talvez Leminski não possa ser reduzido a um fenômeno juvenil apenas, como Beto indica, mas uma coisa é certa: Curitiba, esse monstro que nos amedronta e paralisa foi enfrentado – talvez pela primeira vez – com verdadeira coragem. Mais do que uma blasfêmia, Chá com o Vampiro é uma ode à literatura e aos escritores da cidade, essa raça que insiste em não se reconhecer e em se apedrejar às escuras, negando-se ao negar sua mais paradoxal humanidade.&lt;br /&gt;Geraldo Trentini não deixará de ser o grande escritor que é por esse livro. Akel continuará sendo o escritor cult que ele sempre planejou ser, promessa eterna a ser descoberta, figura apaixonante. Orlando Capote não deixará de cultivar os amigos (e os inimigos), amar a política (mesmo que odiando-a) e a escrever livros. Quanto a Valério Chávez – quem sabe que destino o futuro lhe reservará? Mas, de um jeito ou de outro, todos tornar-se-ão, depois deste tratado dos pequenos vícios e das grandes virtudes, mais humanos, mais viáveis, mais falíveis. E se essa não é a função da literatura na vida, francamente não sei qual é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-6805798555464800179?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/6805798555464800179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/6805798555464800179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/04/um-tiro-no-salao-de-cha-da-literatura.html' title='UM TIRO NO SALÃO DE CHÁ DA LITERATURA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-4429733261247323373</id><published>2010-04-13T12:54:00.001-03:00</published><updated>2010-04-13T12:56:46.066-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulheres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='decepção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estrutura'/><title type='text'>FIGURAS FEMININAS</title><content type='html'>&lt;em&gt;E-mail que recebi hoje de Otto Leopoldo Winck&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olá, Miguel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabo de terminar a leitura do Chá das cinco com o vampiro, surpreso com o final inesperado e epifânico. Polêmicas à parte sobre a famigerada autofagia curitibana e sobre quem é quem nesta fusão de ficção e real, o forte do romance são as figuras femininas: a mãe do protagonista, a Martha, a Helena e sobretudo a Tia Ester, personagem que vai crescendo ao longo da narrativa a ponto até de fazer sombra sobre o Beto.&lt;br /&gt;Tenho a impressão de que o título do livro chama a atenção sobre um personagem que não ocupa nem 30% do total da trama, o que talvez tenha prejudicado uma recepção da obra menos enviesada. Não é um romance sobre o Geraldo Trentini, embora ele tenha importância no enredo. É a história da formação de um jovem escritor vindo da província, que de repente se vê solto em meio às feras de uma vida literária ao mesmo tempo pretensiosa e mesquinha. E é a história de uma decepção, de muitas decepções; de uma busca, de um retorno em busca do tempo e da felicidade perdida.&lt;br /&gt;Gostei também da estrutura narrativa, revezando a formação intelectual em Curitiba e a formação sentimental em Peabiru. A "luta" entre as duas histórias produz uma interessante tensão. Sem falar que ri muito de muitas cenas.&lt;br /&gt;Valeu pelo livro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande abraço,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Otto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-4429733261247323373?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/4429733261247323373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/4429733261247323373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/04/figuras-femininas.html' title='FIGURAS FEMININAS'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-7268299545226791697</id><published>2010-04-12T13:40:00.003-03:00</published><updated>2010-04-12T13:52:18.092-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tipos humanos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='homem local'/><title type='text'>AUTOFAGIA</title><content type='html'>Apenas agora um leitor me lembra que este meu livro trata de um dos grandes temas da cultura local: a autofagia.&lt;br /&gt;Cada personagem representa um tipo - nem Beto Nunes escapa disso.&lt;br /&gt;Todos são tipos intelectuais e artísticos que transcendem as suas identidades pessoais.&lt;br /&gt;Geraldo Trentini, por exemplo, é a imagem do homem paranaense. É recluso, defende sua intimidade com garras afiadas, mas age nos bastidores, construindo um renome, embora pose de indiferente ao sucesso. É o tímido. O crítico ácido. O destruidor de qualquer visão positiva das pessoas e das coisas. E sua obra se alimenta deste processo de corosão do mundo ao redor.&lt;br /&gt;Ler o romance nesta linha é compreedê-lo fora das polêmicas criadas em torno dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-7268299545226791697?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/7268299545226791697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/7268299545226791697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/04/autofagia.html' title='AUTOFAGIA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-5309536689224214735</id><published>2010-04-11T11:47:00.003-03:00</published><updated>2010-04-11T13:25:06.559-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leitura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nilton Bobato'/><title type='text'>BRASÍLIA: IDA E VOLTA</title><content type='html'>Escritor, professor e vereador em Foz do Iguaçu, Nilton Bobato escreveu em seu blog sobre este meu romance.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.niltonbobato.com.br/blog/literatura/396/cha-das-cinco-com-o-vampiro,-o-novo-romance-de-miguel-sanches-neto"&gt;http://www.niltonbobato.com.br/blog/literatura/396/cha-das-cinco-com-o-vampiro,-o-novo-romance-de-miguel-sanches-neto&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessante acompanhar a leitura que ele fez, e que foi comentada no twitter (&lt;a href="http://twitter.com/nilton_bobato"&gt;http://twitter.com/nilton_bobato&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele compra o livro no dia 03 de abril para levar em uma viagem de avião a Brasília:&lt;br /&gt;"Acabei de adquirir o novo livro do Miguel Sanches Neto. &lt;em&gt;Chá das cinco com o vampiro&lt;/em&gt;. Lerei nas esperas dos aeroportos para Brasília."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a viagem, no dia 06, ele vai lendo o livro:&lt;br /&gt;"Na viagem até Brasília, li metade do novo romance do Miguel Sanches Neto: &lt;em&gt;Chá das cinco com o vampiro&lt;/em&gt;."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E termina a leitura dia 08, durante a volta, quando anuncia que vai escrever algo sobre o livro:&lt;br /&gt;"Terminei a leitura de Chá das cinco com o vampiro, de Miguel Sanches Neto que se rendeu a Curitiba e seus mitos. Depois publico algo sobre."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre busquei fazer uma literatura que pudesse ser lida em ambientes públicos, que tivesse uma conexão com o cotidiano das pessoas. Esta trajetória de leitura de Nilton Bobato tem, para mim, um valor crítico muito grande.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-5309536689224214735?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/5309536689224214735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/5309536689224214735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/04/brasilia-ida-e-volta.html' title='BRASÍLIA: IDA E VOLTA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-7653315807766780104</id><published>2010-04-10T19:29:00.003-03:00</published><updated>2010-04-10T19:52:58.280-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='paula parisot'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='oportunismo'/><title type='text'>PARENTESCO</title><content type='html'>Meu livro vem sendo comparado com o de Paula Parisot. No dia 18 de março, saiu nota no jornal &lt;em&gt;Zero Hora&lt;/em&gt;. Tudo seria um movimento de busca de nomeada. E meus 20 anos dedicados à literatura? E os mais de 20 livros publicados? E o fato destes meus livros já terem recebido matérias nos principais veículos de comunicação do país? Claro, nada disso conta. Apenas a palavrinha "oportunista".&lt;br /&gt;&lt;a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;source=a2841080.xml&amp;amp;template=3898.dwt&amp;amp;edition=14315&amp;amp;section=999"&gt;http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;source=a2841080.xml&amp;amp;template=3898.dwt&amp;amp;edition=14315&amp;amp;section=999&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, foi postado o texto do ficcionista Sérgio Rodrigues no seu blog, onde sou acusado de não ter sutileza, sugerindo que Dalton foi sutil ao me chamar, antes da publicação do meu livro, de "hiena papuda" e outros mimos.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://colunistas.ig.com.br/sergiorodrigues/2010/03/19/mestres-e-discipulos-os-casos-fonseca-e-trevisan/"&gt;http://colunistas.ig.com.br/sergiorodrigues/2010/03/19/mestres-e-discipulos-os-casos-fonseca-e-trevisan/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa que ninguém falou ainda nesta comparação entre duas obras de autores tão diferentes é que a Paula é infinitamente mais bonita do que eu. Na linha destes raciocínios, este é um dado com grande relevância crítica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-7653315807766780104?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/7653315807766780104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/7653315807766780104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/04/parentesco.html' title='PARENTESCO'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-206574163941755732</id><published>2010-04-10T14:18:00.003-03:00</published><updated>2010-04-10T14:40:26.120-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estrutura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='partes'/><title type='text'>SENSO DE PROPORÇÃO</title><content type='html'>Apenas um terço das páginas de meu romance é dedicado à figura de Geraldo Trentini. Talvez um pouco mais. Menos do que isso trata dos demais personagens com quem o narrador se relaciona. E o resto - digamos, a metade do livro - é a história de Beto Nunes Filho.&lt;br /&gt;É possível ler apenas uma destas partes. E é natural que o leitor seja atraído pela primeira delas. Mas isso não pode autorizar uma leitura que se queria fiel ao todo do livro. Para ser compreendido tal como ele de fato se propôs, nas intenções explícitas do texto, é preciso ter um senso de proporção, e o ler a partir da sua base estruturante – o drama de um jovem condenado à solidão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-206574163941755732?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/206574163941755732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/206574163941755732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/04/senso-de-proporcao.html' title='SENSO DE PROPORÇÃO'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-5376903884526964607</id><published>2010-04-10T14:08:00.003-03:00</published><updated>2010-04-10T14:14:15.859-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estadão'/><title type='text'>NÊUMANNE ESCREVE SOBRE O CHÁ</title><content type='html'>SOBRE DISCÍPULOS, MESTRES E UMBIGOS&lt;br /&gt;Por José Nêumanne (O Estado de São Paulo, Sabático, 10 de abril de 2010)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A boa literatura seduz, a ótima literatura surpreende. A literatura excelente encanta, a literatura genial espanta. O que faz de Dalton Trevisan o mito que representa não é sua ojeriza à exibição pública, mas seu estilo fulminante, que expõe as misérias humanas com frieza cruel. Sua postura esquiva contraria a caça aflita por fama ou êxito comercial no mercado dos livros. Devassar a intimidade da alma de um gênio misterioso como ele é o paraíso dos aspirantes à fortuna crítica. E conviver com ele, a excelsa glória.&lt;br /&gt;Miguel Sanches Neto, paranaense de Bela Vista do Paraíso, penetrou no Éden do Vampiro de Curitiba graças ao talento inato para manejar palavras e à capacidade de fazer amigos e influenciar pessoas. Depois, se viu expelido do jardim das delícias do convívio com o ídolo, a exemplo do que houvera ocorrido antes com outros. Nada demais! A exclusão compulsória da revelação dos mistérios do gênio esquivo já tinha sido amargada até por um parceiro de juventude: Wilson Martins. Do céu dos eleitos ao limbo dos rejeitados a caminhada é dolorosa e o trajeto, árduo. O celebrado crítico, batizado no roman à clef de Sanches de Valter Marcondes, desceria do pedestal de historiador da inteligência nacional para cutucar o gênio da prosa breve com a vara curta da irreverência, atingindo-o no ponto nevrálgico da autoestima: o contista inovador de outrora passou a ser hoje um mestre do passado.&lt;br /&gt;Quem negará, pois, a Sanches, ficcionista de obra pregressa aclamada, o direito de expor pecados e mazelas do esquisitão da narrativa curta? Será acusado de cuspir no prato em que comeu a coalhada da Confeitaria Shaffer? Dir-se-á que se serviu do sangue vertido nos textos do Vampiro para dele extrair a verve, numa versão paranaense contemporânea da antropofagia dos indígenas comedores de gente, celebrada na metáfora de Oswald de Andrade? E daí?&lt;br /&gt;Veneno nunca fez mal à boa literatura. Nem piora a melhor. Quem condenará a intenção de engolir e vomitar a glória do ídolo em queda? A questão que fica no ar é: o que há de verdadeiro na realidade que o autor de Chá das Cinco com o Vampiro anunciou entregar ao leitor ávido para invadir a reclusão a que Dalton se condenou (ou em que se salvou da mesmice)? Ela chega enfraquecida pela inverossimilhança, inimiga figadal de ficcionistas: “Esconder a intimidade mais ou menos medíocre fez com que sua biografia crescesse.” Que história é essa? Retire-se o gênio literário de Dalton Trevisan, chamado de Geraldo Trentini no romance de Sanches, e o que restará de suas rabugices? Nada!&lt;br /&gt;Outro problema da tentativa de reduzir ao mínimo divisor comum o medíocre provincianismo do Olimpo em que intelectuais pensam viver encarapitados é encontrar para tanto uma causa útil. Que proveito terá o leitor arguto do melhor da obra do misterioso minimalista ao saber que ele assedia moçoilas incautas? Ou que o contista paga a observadores que podem gozar do anonimato que lhe é negado para injetarem sangue fresco de vida real na obra do Vampiro e, assim, a livrarem do perigo da anemia letal?&lt;br /&gt;Mais que o ranço do ressentimento instilado ao longo de uma narrativa conduzida de forma competente por um artesão consciente de seus dotes e caprichos, ressalta do acerto de contas do discípulo com o mestre o prazer sentido por Eva ao ver Adão morder a maçã oferecida pela serpente: o gosto do furto da glória exclusiva. “Todo leitor é um ladrão”, justifica Sanches. Isso o inocentará da tentativa de roubar do outro não o deleite do texto de bom feitio, mas o sabor do fruto da fortuna crítica? E de sua fama?&lt;br /&gt;Ao convencer um ficcionista célebre como Dalton Trevisan, José Rubem Fonseca, a participar do lançamento exibicionista de seu romance Gonzos e Parafusos na Livraria da Vila, em São Paulo, a carioca Paula Parisot tentou alcançar a própria excelência literária apropriando-se da competência do padrinho. A empreitada assemelha-se à de Sanches, mas com uma diferença abissal: o que nele é texto de qualidade nela é patética pretensão.&lt;br /&gt;Ao se propor a viver uma semana numa livraria fantasiada de Baronesa Elisabeth Bachofen-Echt, personagem de um quadro de Klimt e um dos alter egos da romancista no livro, contando com a cumplicidade de um mestre das letras, ela tentou iluminar seu texto fraco com o brilho autoral dele. Sem levar em conta o ônus da responsabilidade que sua habilidade de literato cobra em seu comportamento em público, o criador de Mandrake se deixou levar pelo devaneio inviável de transferir o próprio valor para algo sem valia.&lt;br /&gt;Trata-se de um delírio de vaidade extremada, que, se nada retira dos méritos do prosador, nada também acrescenta aos escassos merecimentos da prosa de sua prosélita. Se a moça houvesse ficado em casa exercitando a escrita, talvez se habilitasse a produzir algo de melhor qualidade na próxima vez. Recolhido às páginas de sua obra celebrada com justiça, Fonseca daria aos fãs leais a chance de relevar a revelação recente de que ele tentou apagar da própria biografia sua participação no Ipes, instituto financiado por empresários para combater o governo João Goulart, depois do golpe militar de 1964.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-5376903884526964607?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/5376903884526964607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/5376903884526964607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/04/neumanne-escreve-sobre-o-cha.html' title='NÊUMANNE ESCREVE SOBRE O CHÁ'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-9151548594218722827</id><published>2010-04-07T07:28:00.002-03:00</published><updated>2010-04-07T07:35:27.623-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Curitiba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='biografia'/><title type='text'>LEITURA CURITIBANA</title><content type='html'>No &lt;em&gt;Digestivo Cultural&lt;/em&gt;, Luiz Rebinski Júnior escreve uma resenha de &lt;em&gt;Chá das cinco com o vampiro &lt;/em&gt;a partir, segundo ele, de sua condição curitibana. Acaba tentado a ler o livro como uma biografia do vampiro, e esta leitura produz uma frustração quanto à segunda parte do romance, em que há uma intencional dispersão do narrador entre outras amizades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=3043"&gt;http://www.digestivocultural.com:80/colunistas/coluna.asp?codigo=3043&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-9151548594218722827?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/9151548594218722827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/9151548594218722827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/04/leitura-curitibana.html' title='LEITURA CURITIBANA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-3814384698820992525</id><published>2010-04-03T20:58:00.004-03:00</published><updated>2010-04-03T21:22:44.136-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha'/><title type='text'>CRÍTICA - ZERO HORA</title><content type='html'>Localizei na internet somente agora - sou ruim nisso, e em muitas outras coisas - a resenha que Carlos André Moreira fez de &lt;em&gt;Chá das cinco com o vampiro &lt;/em&gt;no jornal &lt;em&gt;Zero Hora&lt;/em&gt;. Matéria interessante, que tenta entender o livro, embora tenha um pouco de receio de que ele seja apenas polêmica, sem deixar de forçar a tecla da polêmica. O debate que este texto propõe, no entanto, é da mais alta natureza crítica.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a2860232.xml&amp;amp;template=3898.dwt&amp;amp;edition=14421&amp;amp;section=1029"&gt;http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a2860232.xml&amp;amp;template=3898.dwt&amp;amp;edition=14421&amp;amp;section=1029&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-3814384698820992525?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/3814384698820992525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/3814384698820992525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/04/critica-zero-hora.html' title='CRÍTICA - ZERO HORA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-656737550071314238</id><published>2010-04-03T20:41:00.002-03:00</published><updated>2010-04-03T20:50:33.517-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevista'/><title type='text'>ENTREVISTA AO ESTADO DE MINAS</title><content type='html'>Respondi às perguntas do escritor e jornalista Carlos Herculano Lopes, do Estado de Minas.&lt;br /&gt;A matéria está copiada no site abaixo, e deve ter sido escanerizada pois há vários erros de digitação. Ainda não vi o jornal impresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.zemoleza.com.br/noticia/1457137-uma-xicara-de-veneno.html"&gt;http://www.zemoleza.com.br/noticia/1457137-uma-xicara-de-veneno.html&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-656737550071314238?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/656737550071314238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/656737550071314238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/04/entrevista-ao-estado-de-minas.html' title='ENTREVISTA AO ESTADO DE MINAS'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-5441640099720405892</id><published>2010-04-03T12:38:00.003-03:00</published><updated>2010-04-03T18:45:20.722-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevista'/><title type='text'>MATÉRIA NA ZERO HORA</title><content type='html'>Saiu matéria na &lt;em&gt;Zero Hora&lt;/em&gt; sobre o meio literário paranaense, tendo como base este meu romance: &lt;a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;source=a2860231.xml&amp;amp;template=3898.dwt&amp;amp;edition=14421&amp;amp;section=1029"&gt;http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;source=a2860231.xml&amp;amp;template=3898.dwt&amp;amp;edition=14421&amp;amp;section=1029&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A única opinião crítica sobre o livro é de um livreiro, o Chain, que diz que não lerá o livro. E nem o colocará em exposição.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-5441640099720405892?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/5441640099720405892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/5441640099720405892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/04/materia-na-zero-hora.html' title='MATÉRIA NA ZERO HORA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-4432254923527875723</id><published>2010-04-03T06:15:00.001-03:00</published><updated>2010-04-03T06:18:48.226-03:00</updated><title type='text'>LIVRO DE MIGUEL SANCHES NETO SE COMPARA À LITERATURA DE LIMA BARRETO</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;Eustáquio Gomes, Jornal do Brasil&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RIO - Se os paranaenses – como escreveu um cronista de Curitiba – não podem recusar a “parte de diversão” que representa a intriga local do novo romance de Miguel Sanches Neto, Chá das cinco com o vampiro, o mesmo não se dá necessariamente com os leitores de outras regiões do país. Estes podem lê-lo pura e simplesmente como um romance, o excelente romance que é, ainda que no centro da quizília estejam o célebre contista Geraldo Trentini e seu ex-discípulo Beto Nunes, isto é, Dalton Trevisan e o próprio Sanches Neto. O livro é muito mais do que um roman à clef, embora, no seu cerne, também seja isso.&lt;br /&gt;A intriga vinha fermentando desde 2004, quando se espalhou o boato – agora materializado – de que Sanches Neto havia escrito uma espécie de biografia do contista arredio, hoje com 84 anos. Depois de uma convivência de sete anos, ambos estavam rompidos. Apesar disso, numa carta aberta dirigida a Dalton, Sanches admitiu a existência do livro e esclareceu que não se tratava propriamente de uma biografia, mas de uma ficção com personagens extraídos da vida real. A técnica, que há séculos é o sangue e os nervos da chamada ficção à clef, o discípulo a aprendera com o próprio mestre, reconhecidamente um ás da transposição das pequenas misérias humanas para o plano da ficção, nisto não poupando nem mesmo os amigos. A partir daí, segundo consta, Dalton passou a tratar Sanches como um proscrito. Sanches revidou com a publicação do livro.&lt;br /&gt;O gênero tem precedentes ilustres, como o notável Árvores abatidas de Thomas Bernhard, para citar um autor contemporâneo, aliás seminal, mas é nas Recordações do escrivão Isaías Caminha, o romance de estreia de Lima Barreto, que o romance de Sanches Neto encontra o seu correlato mais natural. Um século e pico depois (Caminha é de 1909), o romance de Lima Barreto encontra em Chá das cinco o seu equivalente temático e qualitativo. Ambos são romances de afirmação, desassombrados, convincentes e despojados. Ambos têm a coragem de voltar a um realismo muito próximo do jornalismo lapidado, passando ao largo dos artifícios da prosa poética (embora haja neles poesia de sobra), sem que empobreçam ou deixem de permitir leituras paralelas.&lt;br /&gt;Muito se debateu a chave em torno da qual giravam as figuras que serviram de modelo aos personagens de Caminha, num Rio de Janeiro onde todos se cruzavam na Rua do Ouvidor. Bem por isso o romance de Lima Barreto foi ignorado por todos que deviam respeito a Coelho Neto, então o autor mais festejado da antiga Capital Federal e um dos alvos de Lima, ou favores sociais a João do Rio e ao todo poderoso Edmundo Bittencourt, diretor do grande jornal carioca da época, o Correio da Manhã. Os dois únicos críticos que se animaram a falar publicamente do livro o trataram mal, embora reconhecendo as qualidades promissoras do jovem escritor. “Um mau romance e um mau panfleto”, escreveu Medeiros e Albuquerque. “Crônica íntima de vingança, diário atormentado de reminiscências más”, completou Alcides Maia. Somente o cioso José Veríssimo, já então afastado da crítica militante, depois de lastimar em carta ao autor o seu “excessivo personalismo”, vislumbrou nele “o elemento principal para o fazer superior: talento”, e em seu romance viu “um livro distinto e revelador, sem engano possível”. Poderia ter dito mais, se tivesse o dom da antevisão: que Caminha seria um clássico estimável entre os clássicos do século brasileiro, embora só viesse a ser reeditado mais de 30 anos depois.&lt;br /&gt;O mundo de Miguel Sanches Neto felizmente é outro, se comparado com o de Lima em 1909. É autor de nome firmado e, para além da obra que já produziu, tem ainda um vasto horizonte pela frente. Já não há a crítica militante dos velhos tempos, o que é um retrocesso, mas tampouco esta é uma época de solapamentos e interdições, o que é um progresso. Seja como for, o tom elucidativo de sua “carta aberta” mostra nele a mesma preocupação de Lima quando procura evitar o confinamento de seu romance à categoria de sátira de salão, ou seja, a uma temporalidade perempta. Lima tinha razão ao prever que “caso o livro consiga viver, dentro de curto prazo ninguém mais se lembrará de apontar tal ou qual pessoa conhecida como sendo tal ou qual personagem”. O romance não apenas sobreviveu como passou a valer por si mesmo enquanto obra durável e reveladora de uma situação social e humana.&lt;br /&gt;Acredito que o mesmo deva acontecer ao romance de Sanches Neto. Hoje ele é mais sátira que romance de formação, amanhã será o contrário. Da infância e da adolescência na pequena Peabiru, onde era atormentado pelo pai alcoólatra, à buliçosa Curitiba onde o “vampiro” transitava (e transita) nem tão incógnito assim, cultivado por uma fauna enobrecida e ao mesmo tempo esterilizada por sua fama universal, Chá das cinco é a história do amadurecimento de Beto Nunes num meio inóspito e inquinado pela disputa e pela maledicência.&lt;br /&gt;Era natural que ele buscasse uma ruptura que liberasse o seu grito de autonomia e lhe abrisse caminho oposto ao do mestre, inclusive na linguagem: seca e descarnada em Trevisan, livre e emotiva em Sanches Neto. Algo parecido deve ter movido Lima Barreto em relação, por exemplo, à linguagem elegante e contida de Machado de Assis. Ele desejava menos atavios de estilo e um pouco mais de selvageria no seu canteiro de cardos.&lt;br /&gt;Seja como for, nem o romance de Sanches Neto abalará um milímetro da glória assegurada a Trevisan, nem a ira do contista (“hiena papuda”, “araponga louca”, escreveu ele num poema criptográfico contra o ex-discípulo) será capaz de deter a trajetória de Sanches Neto, cujas alturas são imprevisíveis.&lt;br /&gt;20:54 - 02/04/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-4432254923527875723?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/4432254923527875723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/4432254923527875723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/04/livro-de-miguel-sanches-neto-se-compara.html' title='LIVRO DE MIGUEL SANCHES NETO SE COMPARA À LITERATURA DE LIMA BARRETO'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-6932142687131837460</id><published>2010-03-31T20:49:00.003-03:00</published><updated>2010-03-31T20:53:04.064-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='carta'/><title type='text'>RUPTURAS</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;Uma carta do jornalista Rafael Guedes:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Não achei muito boa a crítica da revista &lt;em&gt;Bula&lt;/em&gt; sobre &lt;em&gt;Chá das cinco com o vampiro&lt;/em&gt;. Começar dizendo que é um romance sobre o Dalton é não ter entendido a obra. Mas, se me permite um comentário de leitor, acho que rende uma digressão.&lt;br /&gt;Muitos farão a chamada leitura direta da obra. Muitos, inclusive, acharão que é um romance sobre o Dalton Trevisan. Eu mesmo tive essa impressão, provavelmente motivado pela figura mítica do contista curitibano. Quem não quer saber como age ou como escreve o Vampiro de Curitiba?&lt;br /&gt;Mas depois que deixei de me ater aos detalhes, ao puzzle de adivinhações (o quem-é-quem, a veracidade das situações, etc), pude finalmente penetrar naquilo que eu considerei o cerne do romance. &lt;em&gt;Chás das Cinco com o Vampiro&lt;/em&gt; é, sobretudo, ao meu ver, um romance sobre o rompimento.&lt;br /&gt;É um livro sobre ruptura, sobre os partos a que estamos sujeitos na vida – eles não podem ser anestesiados, na selva de sentimentos desencontrados em que consistem as relações humanas. Sabemos todos que não há rompimento sem dor e ferimento. E considero o egoísmo de Beto Nunes uma espécie de determinação estóica: "Vou romper, vou me livrar, custe o que custar".&lt;br /&gt;Tanto é assim que, para mim, tão importante quanto a ruptura com a figura opressiva de Trevisan/Trentini foi a ruptura com Peabiru. Entendi que, para o jovem Beto, Peabiru tinha o peso que mais tarde Trevisan/Trentini ocuparia em sua vida. Por isso, enxerguei um significado particular na divisão do livro em "Peabiru/Curitiba".&lt;br /&gt;Peabiru foi um parto, Trevisan/Trentini foi outro.&lt;br /&gt;Não consigo enxergar, portanto, um livro sobre o Trevisan, nem mesmo um livro sobre sua relação com Trevisan, mas um livro sobre o rompimento pessoal de um sujeito diante das amarras que a vida tece em volta de cada um de nós, uma das quais o ex-mestre curitibano.&lt;br /&gt;Se eu tivesse que dizer a alguém "em que consiste" a sua obra, eu diria que essa conquista bruta da independência, esse ritual estóico de individualidade, é o que mais me marcou nela. Mas é claro que é apenas mais uma de muitas leituras possíveis, que os leitores ainda farão.&lt;br /&gt;Um abraço. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Rafael Guedes &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-6932142687131837460?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/6932142687131837460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/6932142687131837460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/rupturas.html' title='RUPTURAS'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-1196008586956408575</id><published>2010-03-30T21:10:00.000-03:00</published><updated>2010-03-30T21:11:57.642-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='carta'/><title type='text'>ONDE ESTÁ O ROMANCE</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;"Chá das Cinco com o Vampiro é uma crônica muito boa da vida intelectual na província, dominada por um mito esquisito e seus cultores e dissidentes. O texto tem uma fluência e uma segurança narrativa invejáveis, mas não consegui ler o livro como romance. Praticamente não há conflito; assim a intriga é justamente isso, intriga, fofoca, o crochê elaborado dia a dia pelas pequenas vaidades, as mesquinharias, os ressentimentos, os fracassos mal assimilados, por aí vai. Se o relacionamento do Beto com o Vampiro é aquilo mesmo, com os altos e baixos de qualquer amizade, com as rupturas e retomadas que refletem seus ciclos internos, seus temperamentos e sobretudo seus egos imaginários, é engraçado, mas eu não desejaria conhecer nenhum dos dois. O Vampiro porque é um mala incensando-se permanentemente através dos seus caprichos, o Beto porque é um misto de imaturidade presunçosa com certa dissimulação. Bueno, a ruptura que ele ensaia no final parece resgatá-lo disso tudo. A volta à terra, ao vento, ao primordial. Não ter seguido esse caminho é o que torna você, Miguel, muito mais interessante do que seu narrador, com o qual as semelhanças não são poucas, aparentemente. Agora, meu irmão, o romance mesmo está em tia Ester. Nela, a meu ver, habita uma história sensível, violenta, apaixonante e representativa da existência de muitas mulheres de talento e caráter que acabam vegetando no interior. Conheci várias assim. É uma sugestão que lhe faço – procura lá nos mestres da sua linhagem – suponho eu – Graciliano, Aluísio de Azevedo, Zola, Flaubert, Pavese – vê lá se tem alguma coisa parecida e manda bala, você vai arrancar de você um romance e tanto. Quem fez coisa similar ao que tenho em mente foi o Modesto Carone, em Resumo de Ana.&lt;br /&gt;O livro, como produto, está excelente. Capa, impressão, mancha, tipologia, tudo funcionando acima do melhor. Gosto muito da capa também, que parece pegar carona naquelas bobagens americanas em torno dos vampiros adolescentes. Tudo por Jesus. Grande abraço"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Jair Ferreira dos Santos&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-1196008586956408575?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/1196008586956408575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/1196008586956408575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/onde-esta-o-romance.html' title='ONDE ESTÁ O ROMANCE'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-683320153795199832</id><published>2010-03-30T07:48:00.004-03:00</published><updated>2010-03-30T07:56:22.671-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha'/><title type='text'>GRAÇA</title><content type='html'>Na &lt;em&gt;Revista Bula&lt;/em&gt;, Euler de França Belém escreve sobre &lt;em&gt;Chá das cinco com o vampiro&lt;/em&gt;. A pergunta que ele faz é a que deve ser respondida pelos críticos: este livro funciona como romance?&lt;br /&gt;Recomendo também a leitura dos dois comentários de leitores anônimos. Dizem muito do debate cultural brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.revistabula.com/posts/livros/cha-das-cinco-com-o-vampiro"&gt;http://www.revistabula.com/posts/livros/cha-das-cinco-com-o-vampiro&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-683320153795199832?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/683320153795199832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/683320153795199832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/sanches-escreve-com-muita-graca.html' title='GRAÇA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-6189904034280949932</id><published>2010-03-27T18:19:00.002-03:00</published><updated>2010-03-27T18:28:13.326-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leitura'/><title type='text'>LEITOR IDEAL</title><content type='html'>Sempre pude escrever exatamente o que queria por não me preocupar com o que, por exemplo, minha mãe e minha mulher iriam pensar de mim. Cenas de sexo, traições conjugais, personagens em primeira pessoa falando de suas perversões, opiniões ácidas sobre assuntos os mais cotidianos, tudo isso foi lido, aqui em casa, como material literário.&lt;br /&gt;Há o marido, o filho, o pai e também o escritor, esse ser que deturpa a realidade na esperança de dilatá-la.&lt;br /&gt;Se minha mulher fizesse uma leitura literal dos meus livros, há muito estaríamos separados. Ela lê o que escrevo divertindo-se, ironizando o marido, emocionando-se com passagens que ela sabe mentidas mesmo quando próximas dos fatos.&lt;br /&gt;Minha mulher é a personificação de meu leitor ideal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-6189904034280949932?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/6189904034280949932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/6189904034280949932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/leitor-ideal.html' title='LEITOR IDEAL'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-3568886512291134529</id><published>2010-03-25T08:06:00.001-03:00</published><updated>2010-03-25T08:12:41.523-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='invenção'/><title type='text'>MOLDURAS</title><content type='html'>Um dos conceitos centrais em toda ficção que escrevo é o de locação. Tomo-o de empréstimo do cinema, no mesmo sentido que ele tem lá. Usa-se um dado ambiente como locação de uma história, transformando aquele local real em um espaço imaginário, que pode ser próximo ou completamente distinto do original.&lt;br /&gt;Na literatura, tenho feito sempre isso. Coloco histórias ficcionais em espaços que estão gravados em minha memória – isso dá uma sensação de excesso de realismo a relatos inventados. Um exemplo disso, neste romance, é a trajetória peabiruense de Beto Nunes Filho, totalmente ficcional, mas dentro de uma moldura humana que eu conheço muito bem.&lt;br /&gt;A locação, no entanto, não ocorre apenas espacialmente, mas também de forma identitária. Um personagem ficcional é criado a partir de um conjunto de pessoas que conheço, o que faz com que o resultado pertença ao âmbito restrito da literatura, não permitindo leituras jornalísticas. Nenhum dos personagens de meus romances (nem mesmo o Giovanni Rossi de &lt;em&gt;Um amor anarquista&lt;/em&gt;) remete diretamente a pessoas reais, pois há tantos investimentos criativos que eles transcendem toda e qualquer referencialidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-3568886512291134529?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/3568886512291134529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/3568886512291134529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/molduras.html' title='MOLDURAS'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-5042723911257989693</id><published>2010-03-21T21:03:00.003-03:00</published><updated>2010-03-21T21:09:51.322-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escrita'/><title type='text'>FORMA ARQUITETÔNICA</title><content type='html'>Uma amiga (Silvana Oliveira) me escreve, dizendo que está lendo o romance que eu nem cheguei a ver.&lt;br /&gt;Ela faz algumas análises prévias extremamente argutas. Reproduzo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O antigo dilema entre literatura e realidade... Li a Folha de São Paulo semana passada e achei que eles fizeram bem em mostrar que esse tipo de polêmica já é coisa do século XIX, o Eça de Queirós que o diga! Agora, gostei muito das duas narrativas paralelas, a vida do narrador no interior, e o narrador com o vampiro na Curitiba que é do vampiro, mas é a do Beto Nunes também, duas narrativas misturadas numa única arquitetura. Só isso já sustenta um bom debate sobre literatura, ficção e realidade. Ando nadando em Bakhtin, então desculpe se sou monotemática, mas ele – o Bakhtin – tem um conceito de que gosto muito: forma arquitetônica. Não se trata aqui da forma composicional (o romance, o conto, a crônica), mas a arquitetura, a “catedral autoral”, uma construção cujo efeito sobre a realidade é justamente o de transfigurar essa realidade de modo que ela deixe de ser “a” realidade e se torne outra coisa. É essa arquitetura que dá o calibre da obra. Esse é um conceito antigo, eu sei, o Aristóteles já fala disso quando explica a imitação, mas como o Bakhtin é um militante que se interessa muito pela linguagem como fenômeno da vida e da criação literária, a defesa/explicação que ele faz desse “excedente autoral e criativo” diz muito da relação do autor com o mundo que se torna vetor da criação.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito obrigado, Silvana, por sua inteligência a serviço da literatura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-5042723911257989693?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/5042723911257989693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/5042723911257989693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/forma-arquitetonica.html' title='FORMA ARQUITETÔNICA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-4708485357025522650</id><published>2010-03-20T11:08:00.002-03:00</published><updated>2010-03-20T11:13:50.255-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rir dos outros'/><title type='text'>TRIÂNGULO MALDOSO</title><content type='html'>Texto divertido do cronista e cartunista curitibano Dante Mendonça - direto da Ilha da Ilusão, no Passeio Público de Curitiba, onde Emiliano Perneta foi coroado (oh tempos!) príncipe dos poetas paranaenses.&lt;br /&gt;Dante pegou o clima histriônico da coisa.&lt;br /&gt;Rir faz bem para os rins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.parana-online.com.br/colunistas/67/75275/?postagem=TRIANGULO+AMOROSO"&gt;http://www.parana-online.com.br/colunistas/67/75275/?postagem=TRIANGULO+AMOROSO&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-4708485357025522650?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/4708485357025522650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/4708485357025522650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/triangulo-maldoso.html' title='TRIÂNGULO MALDOSO'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-6390272730193375856</id><published>2010-03-20T08:32:00.001-03:00</published><updated>2010-03-20T08:34:30.944-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='servidão'/><title type='text'>ELES TRABALHAM SÓ PARA MIM</title><content type='html'>No conto “Elas cantam só para mim” (&lt;em&gt;Violetas e pavões&lt;/em&gt;, 2009), Dalton Trevisan acompanha um fotógrafo que se acha legal, gosta de fumar uns baseados e sai com menores. Passa um apuro quando é flagrado pela polícia, mas joga seu charme de garanhão sobre uma investigadora gordinha e se safa da cana.&lt;br /&gt;Gratuitamente, o narrador começa a desfilar nomes de pessoas, que seriam requintados traidores. Uma professora, um advogado, um interiorano... O autor se intromete na narrativa para destilar maldade contra pessoas reais.&lt;br /&gt;Foi sempre assim: chicotadas verbais em todos que não o contentam.&lt;br /&gt;Narrativa suspensa, começa o acerto de contas com os desafetos, e o fotógrafo pensa, de forma inverossímil, que só lhe falta agora, depois de ter engabelado a polícia, “uma falseta [...] do Migué” (p.126).&lt;br /&gt;– Muito prazer, Migué. Sim, sou eu mesmo, aquele que veio de Peabiru.&lt;br /&gt;Dalton se vale do espaço ficcional para dar alfinetadas avulsas, sem a menor função narrativa. Fez isso a vida inteira. Não quer narrar uma história apenas, mas mandar recados, castigar.&lt;br /&gt;Nestes casos, a regra de ouro da vítima é nunca se identificar, no receio de maiores constrangimentos.&lt;br /&gt;Mas este pessoal do interior é meio inocente. Sempre se entrega. Ah, se fui pobre nem me alembro.&lt;br /&gt;Ser chamado de Migué é pagar o preço de vir do interior. De uma família de agricultores. De ter feito colégio agrícola. Não é uma vergonha para quem recebe a acusação, pois me sei pertencente às camadas mais incultas do país.&lt;br /&gt;Esta condição roceira não foi problema quando o Migué estava prestando serviços gratuitos ao graaaaaande escritor. Tornou-se imprópria quando ele ousou desvelar as mesquinharias do mundinho literário.&lt;br /&gt;Isso dito, vocês me dão licença que tenho que voltar ao eito. O feitor evém chegando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-6390272730193375856?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/6390272730193375856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/6390272730193375856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/eles-trabalham-so-para-mim.html' title='ELES TRABALHAM SÓ PARA MIM'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-3925738574325296712</id><published>2010-03-19T09:02:00.002-03:00</published><updated>2010-03-19T09:05:39.330-03:00</updated><title type='text'>MELHORES INIMIGOS</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;Em seu novo livro, Miguel Sanches Neto se vale da ficção para falar da amizade com o recluso Dalton Trevisan – que terminou em bate-boca&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Marcelo Marthe&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Por sete anos, o escritor paranaense Dalton Trevisan e seu conterrâneo Miguel Sanches Neto foram mestre e discípulo. Na década de 90, Trevisan – um dos maiores contistas brasileiros, hoje com 84 anos – acolheu o jovem vindo do interior em seu círculo em Curitiba. Sanches, que é colaborador de VEJA e nos últimos anos ganhou reconhecimento com romances como Chove sobre Minha Infância, devotava-se então ao estudo acadêmico da obra do mentor. Em 2001, porém, a amizade desandou. Famoso por sua vida reclusa, Trevisan acusou Sanches de revelar intimidades suas a um repórter – e o rumor de que o ex-discípulo preparava um livro sobre ele envenenou de vez a relação. Em 2004, Sanches lançou uma carta aberta na qual esclarecia: estava mesmo escrevendo a tal obra. Mas ela não seria uma biografia de Trevisan, e sim uma ficção com personagens livremente inspirados nele e em outras figuras da literatura paranaense. “É sobre a arte da maledicência, praticada em menor ou maior grau por todos nós”, anunciava. A reação de Trevisan foi agressiva: em um poema intitulado Hiena Papuda, ele cobriu Sanches de xingamentos (”araponga louca” é dos poucos publicáveis). Agora, eis que se pode conhecer o pomo da discórdia. Em Chá das Cinco com o Vampiro (Objetiva; 294 páginas; 39,90 reais), Sanches oferece uma visão desencantada do meio literário. Geraldo Trentini é o vampiro do título – e, claro, também a versão ficcional de Trevisan, autor de O Vampiro de Curitiba.&lt;br /&gt;O livro é um roman à clef, forma narrativa em que o autor trata de pessoas reais por meio de personagens com nomes fictícios. Assim como ocorreu com Sanches, o protagonista Beto muda-se na juventude da cidadezinha de Peabiru para Curitiba em busca da vida literária. Na capital, frequenta lugares como a extinta confeitaria Schaf-fer, na esperança de travar amizade com o “escritor recluso”. As semelhanças de Trentini com Trevisan vão do gosto por chocolate ao fato de o personagem ser viúvo e pai de duas filhas. Há outros tipos que espelham gente conhecida: o crítico Wilson Martins, morto em janeiro, aparece como Valter Marcondes.&lt;br /&gt;Ainda que de forma cifrada, o livro permite vislumbrar o íntimo sob a couraça enigmática de Trevisan. Sua contraparte se esquiva de forma paranoica dos jornalistas, mas não deixa de ser um pavão que devora críticas elogiosas como quem saboreia “broinhas de fubá mimoso”. O isolamento não é de todo voluntário: seu temperamento realmente é difícil. “Geraldo não cumprimenta ninguém; homem de poucos amigos, brigou praticamente com todos os que conviveram com ele”, escreve Sanches. O mérito de Chá das Cinco com o Vampiro é não se reduzir a um apanhado de inconfidências. A decepção com o ídolo leva o discípulo a libertar-se dele – e essa afirmação da individualidade, mostra Sanches, é o caminho para um autor encontrar a si próprio. Ele diz ter vivido o mesmo em relação a Trevisan. “Se eu continuasse a corresponder à imagem que ele fazia de mim, mataria a possibilidade de ser escritor”, diz. Se também Trevisan tirou do episódio alguma lição, é fato ignorado: desde 2006, quando chamou Sanches de “Judas que se vendeu por trinta lentilhas” em seu poema, ele mantém o silêncio habitual – e impenetrável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt;, edição 2156 - ano 43 - n. 11, 17 de março de 2010.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-3925738574325296712?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/3925738574325296712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/3925738574325296712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/melhores-inimigos.html' title='MELHORES INIMIGOS'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-6265306521566161807</id><published>2010-03-18T08:22:00.002-03:00</published><updated>2010-03-18T08:28:02.368-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cantiga'/><title type='text'>POBRINHO DE MIM</title><content type='html'>1.&lt;br /&gt;Oh, o que as meninas florescidas nos anos 30 vão dizer de mim no eterno chá das cinco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;Oh, o que dirão de mim os críticos lá no chá das cinco da nossa academia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;br /&gt;E esses de quem dizem que ri, o que vão pensar de mim quando se reunirem para mais um chá das cinco lá na confeitaria?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-6265306521566161807?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/6265306521566161807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/6265306521566161807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/pobrinho-de-mim.html' title='POBRINHO DE MIM'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-8937474048994244504</id><published>2010-03-18T08:22:00.001-03:00</published><updated>2010-03-18T08:22:33.990-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevista'/><title type='text'>MATÉRIAS NA GAZETA</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&amp;amp;id=983805&amp;amp;tit=Romance-sobre-vida-literaria-nao-tem-unidade"&gt;http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&amp;amp;id=983805&amp;amp;tit=Romance-sobre-vida-literaria-nao-tem-unidade&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&amp;amp;id=983799&amp;amp;tit=Vinganca-poetica"&gt;http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&amp;amp;id=983799&amp;amp;tit=Vinganca-poetica&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-8937474048994244504?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/8937474048994244504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/8937474048994244504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/materias-na-gazeta.html' title='MATÉRIAS NA GAZETA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-5371544088192735407</id><published>2010-03-17T19:07:00.001-03:00</published><updated>2010-03-17T20:28:16.292-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevista'/><title type='text'>GAZETA ANUNCIA ENTREVISTA</title><content type='html'>Amanhã (quinta-feira, dia 18), o escritor e colunista da Gazeta do Povo Miguel Sanches Neto aparece numa entrevista gigante, no “Caderno G”, sobre o seu romance mais recente, Chá das Cinco com o Vampiro.&lt;br /&gt;Escrito ao longo dos últimos oito anos, o livro é um relato de ficção sobre a vida literária em Curitiba. Não é difícil supor que Geraldo Trentini, o “Vampiro” do título, é inspirado no contista Dalton Trevisan, autor de Violetas e Pavões. Trevisan e Sanches Neto foram amigos durante um período e a relação acabou sem muitas explicações.&lt;br /&gt;Assim como Trevisan, é possível criar paralelos com outras figuras conhecidas do meio cultural curitibano. Sanches Neto comenta essa “leitura direta”, que nada tem a ver com a proposta da narrativa, e responde, por exemplo, por que fez questão de deixar várias pistas que ligam a ficção à realidade fora do livro. Ele fala sobre a desavença com Trevisan e diz que ainda guarda mágoa, "mágoa do leitor devoto, que se dedicou intensamente à leitura de uma obra, fazendo de tudo para compreendê-la – basta ver as dezenas de textos que escrevi, sem poupar adjetivos, sobre ela".&lt;br /&gt;A seguir, confira uma amostra das perguntas que o escritor encarou na extensa entrevista de amanhã. As questões apresentadas aqui, no blog, não aparecem no jornal e vice-versa. Haverá ainda uma resenha, também longa, de Chá das Cinco com o Vampiro. Mas não tão longa quanto a entrevista.&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Irinêo Netto&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No blog que criou para o lançamento de Chá das Cinco com o Vampiro, a maioria dos posts menciona Dalton Trevisan (8 de 12 até o meio-dia da segunda-feira passada) e alguns sugerem que o livro que você lança agora pode pôr fim a uma questão pessoal – como aquele em que comenta o quanto sua reação ao poema “Hiena Papuda” foi terrível. Não é difícil enxergar em “Hiena Papuda” um ato de vingança de Trevisan. O mesmo vale para Chá das Cinco com o Vampiro. A situação toda é singular demais para ser ignorada: o vampiro é, enfim, vampirizado. Você consegue antever alguma consequência da publicação do livro? Teme as reações das pessoas que talvez se sintam retratadas em algum personagem?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel Sanches Neto – Não existe ação que não produza reação. Eu próprio, como você bem observou, funciono melhor reativamente. O que não quer dizer que eu vá responder a tudo que for escrito contra mim. Qualquer um tem o direito de escrever o que bem quiser. Não posso achar que só eu tenho direito de me manifestar livremente – não suporto este tipo de hipocrisia, de quem faz piada com todo mundo e não aceita que brinquem com ele. O importante é que, do ponto de vista das intenções dos textos, não existe nenhum projeto de julgar pessoas, e sim de mostrar um personagem – o narrador – que desfia a vida como um rosário de decepções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A publicação de Chá das Cinco... marca uma mudança de editora ou você segue na Record e negociou apenas um livro com a Objetiva?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um escritor profícuo – segundo me acusam por aí – e tenho a necessidade de contar com mais de uma casa editorial. Assim, publico também pela Bertrand do Brasil, pela Leitura, pela Global e agora pela Objetiva. Minha ideia é continuar na Record e ampliar os títulos na Objetiva, mas não há nada certo ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sobre o romance, como você chegou a esse formato em que a narrativa salta no tempo, indo e vindo de Peabiru?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada livro exige uma estrutura. Não dá para repetir sempre a mesma forma de narrar. Tento buscar um novo formato a cada romance, e este precisava de uma estrutura dupla, pois coloca em oposição o mundo interiorano e o da grande cidade, o jovem rebelde e o mestre arraigado na força de sua notoriedade, o passado e o presente. Ao construir o romance alternando tempos e espaços, eu acredito ter dado mais agilidade à narrativa, permitindo alguns choques. Ao passar de um capítulo para outro, o leitor sente a sensação brusca de sair de um lugar aquecido para o vento frio de inverno. O livro vai montando um quebra-cabeça narrativo. Fiz plantas-baixas para este livro, com cada cena bem definida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Leia mais sobre &lt;em&gt;Chá das Cinco com o Vampiro &lt;/em&gt;amanhã (18) na Gazeta do Povo.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-5371544088192735407?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/5371544088192735407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/5371544088192735407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/gazeta-anuncia-entrevista.html' title='GAZETA ANUNCIA ENTREVISTA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-4833562422158821076</id><published>2010-03-17T13:02:00.000-03:00</published><updated>2010-03-17T13:04:11.437-03:00</updated><title type='text'>RELEASE DA OBJETIVA</title><content type='html'>O total desencantamento com a relação entre escritores no meio literário paranaense, a quem o narrador batiza de "pavões da província", motivou Miguel Sanches Neto a escrever este romance de pinceladas autobiográficas. Chá das Cinco com o Vampiro conta a história de Beto, um jovem aspirante a escritor que, assim como o autor, troca sua pequena cidade natal por Curitiba, onde se transforma em jornalista respeitado e se vê envolvido num círculo vicioso de mesquinhez e inveja.&lt;br /&gt;Longe da rotina de brigas com o pai alcoólatra e a mãe superprotetora, o protagonista encontra a independência almejada e se aproxima de um escritor excêntrico que o faz de discípulo. No entanto, a amizade dos dois não dura, e Beto logo entra para o rol dos inimigos do autor, conhecido pela paranóia em manter sua privacidade.&lt;br /&gt;Sobre suspeitas de que Chá das Cinco com o Vampiro contaria uma polêmica versão da amizade rompida de Sanches Neto com Dalton Trevisan, escritor notoriamente avesso a entrevistas e de quem ele havia ficado amigo na temporada curitibana, o autor esclarece: "Este livro trata das relações entre um jovem escritor e um campo literário e todos os personagens são seres de ficção - valem pelo que representam dentro do romance, e não fora dele. Digamos que é a minha versão para o Ilusões perdidas, do Balzac", compara Miguel.&lt;br /&gt;O resultado do caminho literário escolhido por Sanches Neto em Chá das Cinco com o Vampiro é um livro que envereda com sucesso pelo gênero romance de formação. Valendo-se de personagens que lutam com sua incompletude, o autor usa a história antiépica do jovem em busca de si mesmo para refletir sobre a solidão do escritor. Paralelamente, traça um painel ácido do mundo literário, com seus personagens quixotescos e suas batalhas de ego.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-4833562422158821076?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/4833562422158821076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/4833562422158821076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/release-da-objetiva.html' title='RELEASE DA OBJETIVA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-8747479042613691715</id><published>2010-03-16T10:16:00.000-03:00</published><updated>2010-03-16T10:24:36.701-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='originais'/><title type='text'>PRIMEIRA VERSÃO</title><content type='html'>Em 2003, mandei o &lt;em&gt;Chá das cinco com o vampiro &lt;/em&gt;para duas editoras em São Paulo e duas no Rio de Janeiro. Nenhuma delas acabou publicando o livro por motivos diversos. Encadernei uma cópia e guardei. Estava desistindo de publicá-lo. Em final de 2004, um amigo meu e de Dalton Trevisan veio do nordeste e me fez uma visita aqui em Ponta Grossa. Chegou com uma amiga num final de semana em que eu estava sozinho em casa. Beberam de minha cerveja, depois os levei para almoçar num restaurante, e, no final da tarde, ele me entregou dois livros de presente, entre eles um volume de contos de Isaac Bashevis Singer (escritor de que gosto muito). Foi quando pediu uma cópia do meu romance para ler. Tudo absolutamente premeditado. Eu disse que não tinha nenhuma outra cópia impressa, só a que encadernara. Então insistiu para que eu imprimisse uma para ele. A mulher que o acompanhava ficou constrangida com esta insistência e acabei, por delicadeza, cedendo. Na saída, ele me disse que havia se encontrado com Dalton antes de me visitar. Curiosamente, logo depois saiu o texto “Hiena papuda”, que pressupõe a leitura do meu romance. Este ex-amigo, para quem eu escrevera a apresentação de um de seus livros de contos, deve ter levado o original para o Dalton. Houve uma má-fé total. Mas, é claro, todos são príncipes na vida. Agora, fico sabendo que esta versão foi enviada aos jornais, para criar uma saia-justa para mim. Mais má-fé. Mais golpe baixo, próprio de quem se vale de malandragens como ter acesso indevido a um original de caráter privado.&lt;br /&gt;P.S. Muita coisa mudou nos originais. Praticamente reescrevi o livro no início de 2009, quando decidi publicá-lo, e depois da leitura dos editores, que me sugeriram mudanças estruturais. Ainda guardo a cópia inicial, encadernada e cheia de anotações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-8747479042613691715?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/8747479042613691715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/8747479042613691715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/primeira-versao.html' title='PRIMEIRA VERSÃO'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-4812247236736023350</id><published>2010-03-15T22:35:00.000-03:00</published><updated>2010-03-15T22:39:03.046-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevista'/><title type='text'>FALAR POR ESCRITO</title><content type='html'>Depois de um dia de trabalho, e de ter participado de evento à noite, gasto os últimos neurônios respondendo a uma entrevista da &lt;em&gt;Gazeta do Povo&lt;/em&gt;. Oportunidade de discutir um pouco mais o livro. Gosto de entrevistas por e-mail, pois falo melhor por escrito. Ao vivo ou por telefone, minha timidez me vence.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-4812247236736023350?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/4812247236736023350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/4812247236736023350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/falar-por-escrito.html' title='FALAR POR ESCRITO'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-2307339916900872201</id><published>2010-03-15T14:00:00.000-03:00</published><updated>2010-03-15T14:20:47.290-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>VIOLETAS - conto de Beto Nunes Filho</title><content type='html'>Sete anos o filho com paralisia cerebral esteve de cama. A mãe fazia de tudo. Banho no bacião de fundo de madeira. Remédio na hora certa. Comida e água na boca. Limpava a baba no canto dos lábios.&lt;br /&gt;O lar sempre em desordem nesse tempo. O marido reclamando da poeira sobre os móveis e do ar embolorado da casa. A filha a implicar por causa da roupa encardida.&lt;br /&gt;Morto o menino, ninguém encontrou lágrimas para chorá-lo. Apenas a mãe. Para consolá-la, o marido comprou alguns vasos de violeta - antiga paixão da mulher.&lt;br /&gt;Levantava às cinco da manhã (horário da primeira dose de remédio que dava ao filho) e, antes de fazer o café, ia cuidar das violetas. A quem fornecia água e adubo. Muito adubo e muita água. Quatro vezes ao dia, sempre pontual.Uma após outra, as violetas apodreceram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-2307339916900872201?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/2307339916900872201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/2307339916900872201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/violetas-conto-de-beto-nunes-filho.html' title='VIOLETAS - conto de Beto Nunes Filho'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-2332165820496508902</id><published>2010-03-15T13:49:00.000-03:00</published><updated>2010-03-15T13:59:13.678-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><title type='text'>BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR</title><content type='html'>Sobre a obra de Dalton Trevisan publiquei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O artifício obsceno: visitando a Polaquinha&lt;/em&gt;. Ponta Grossa: Centro de Publicações, 1994 – um estudo sobre o único romance do autor.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Biblioteca Trevisan&lt;/em&gt;. Curitiba: Editora da UFPR, 1996 – análise dos livros de Dalton, de &lt;em&gt;Novelas nada exemplares&lt;/em&gt; até &lt;em&gt;Dinorá&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;“Joaquim: modernidade periférica e dupla ruptura”, in &lt;em&gt;Revista Iberoamericana&lt;/em&gt;, vol. LXX, números 208-209. Pittsburgh: University of Pittsburgh, julho/dezembro de 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz ainda a edição fac-similar da revista &lt;em&gt;Joaquim&lt;/em&gt; – Curitiba: Imprensa Oficial do Paraná, 2000.&lt;br /&gt;E vários artigos na imprensa nacional sobre praticamente todos os lançamentos recentes do autor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-2332165820496508902?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/2332165820496508902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/2332165820496508902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/bibliografia-complementar.html' title='BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-216736450855307942</id><published>2010-03-14T07:36:00.000-03:00</published><updated>2010-03-14T07:42:57.069-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='personagem'/><title type='text'>MATÉRIA DE FICÇÃO</title><content type='html'>Todo livro nasce de um pacto com o leitor. &lt;em&gt;Chá das cinco com o vampiro &lt;/em&gt;cria um pacto ficcional. O leitor vai ler a trajetória de Beto Nunes Filho, que pode até se parecer comigo, e de Geraldo Trentini, que pode lembrar Dalton Trevisan, mas que são seres ficcionais e se encontram dentro de estruturas narrativas caracterizadas pela verossimilhança interna: não devem remeter a uma verdade sobre fatos reais, mas devem ser verdadeiras dentro do romance. Tudo que a linguagem ficcional toca se transforma em matéria de ficção. Caso contrário, o próprio Dalton teria que ser acusado de satirizar pessoas reais, que se identificam em sua obra cáustica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-216736450855307942?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/216736450855307942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/216736450855307942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/materia-de-ficcao.html' title='MATÉRIA DE FICÇÃO'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-5071198689979535184</id><published>2010-03-14T07:29:00.000-03:00</published><updated>2010-03-14T07:35:35.942-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leitura'/><title type='text'>ENCONTRAR ESCRITORES</title><content type='html'>Eu me aproximei do Dalton Trevisan e também de vários outros escritores porque imaginava achar uma continuação da literatura deles neste convívio – isso é uma coisa típica de quem vem do interior e sonha com um mundo mais glamuroso. Mas a vida literária tem pouco de literatura. Hoje, vivo recluso, mas sem neuroses, achando que ler os livros é a melhor forma de se encontrar com escritores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-5071198689979535184?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/5071198689979535184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/5071198689979535184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/encontrar-escritores.html' title='ENCONTRAR ESCRITORES'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-1238903185838268764</id><published>2010-03-13T16:39:00.000-03:00</published><updated>2010-03-13T16:43:45.117-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escrita'/><title type='text'>MALDITO</title><content type='html'>Depoimento de Dalton Trevisan a Luiz Vilela (&lt;em&gt;Jornal da Tarde&lt;/em&gt;, 06/07/1968):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O escritor é uma pessoa que não merece nenhuma confiança. Um amigo chega e me conta as maiores dores; eu escuto com atenção, mas estou é recolhendo material para mais um conto. E eu sei disso na hora. Surge então a má consciência. Sei que estou fazendo assim e não desejaria fazer, mas não há outro jeito. O escritor é um ser maldito".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-1238903185838268764?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/1238903185838268764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/1238903185838268764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/maldito.html' title='MALDITO'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-2251928312485496841</id><published>2010-03-13T16:34:00.000-03:00</published><updated>2010-03-13T16:39:52.994-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escrita'/><title type='text'>ESTATURA DO AUTOR</title><content type='html'>Dalton Trevisan declarou que toda obra é maior do que o seu autor. &lt;em&gt;Chá das cinco com o vampiro &lt;/em&gt;também trata disso, do fato de uma grande obra criar no leitor a idéia de um grande autor, e que isso o frustrará sempre. O escritor, como o próprio Dalton diz, é um “monstro moral”, que usa todo o material à sua disposição para produzir literatura, que faz pesquisa para o próximo livro em todos os seus relacionamentos, até entre as pessoas mais queridas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-2251928312485496841?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/2251928312485496841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/2251928312485496841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/estatura-do-autor.html' title='ESTATURA DO AUTOR'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-8977690415305978883</id><published>2010-03-13T16:28:00.000-03:00</published><updated>2010-03-13T16:33:48.429-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='afastamento'/><title type='text'>ORFANDADE</title><content type='html'>A literatura é para mim uma tentativa de superação ou de convivência com a orfandade. Mais do que ser aceito por pessoas, quero aceitar minha condição precária. Claro que conforta ter um círculo de amigos, e é natural que tendo sido um leitor intenso de Dalton Trevisan eu sonhasse ser aceito por ele. E até tive um pequeno reconhecimento, principalmente quando desempenhei o papel de crítico literário. Mas isso se perdeu e acho que foi bom, pois pude ser quem eu sou. Quando li o conto-poema-acusação “Hiena Papuda” (Revista &lt;em&gt;Idéias&lt;/em&gt;, janeiro de 2006), tive uma reação terrível – produzi uma resposta mais agressiva ainda. Depois vi que não precisava revidar, e que a única coisa a fazer era publicar o romance. Mesmo assim, levei uns três anos para me convencer disso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-8977690415305978883?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/8977690415305978883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/8977690415305978883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/orfandade.html' title='ORFANDADE'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-3812565265131508225</id><published>2010-03-13T06:24:00.000-03:00</published><updated>2010-03-13T06:39:05.794-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='identidade'/><title type='text'>A HORA DO INTERLOCUTOR</title><content type='html'>Para Beto Nunes Filho, narrador deste romance, a relação com o mestre Geraldo Trentini, o maior contista da língua, seria um caminho de anulação. Ele havia criado uma imagem ideal do mestre. É por causa do descompasso entre a figura superdimensionada e os seus movimentos reais que se dão os conflitos, tornando pouco saudável a relação entre eles. Isto se complica porque Geraldo é um escritor muito idiossincrático, tanto do ponto de vista comportamental quanto do estilístico. Ou o discípulo aceita as suas normas e as suas avaliações - e se anula - ou rompe. O rompimento é o caminho da identidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-3812565265131508225?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/3812565265131508225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/3812565265131508225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/hora-do-interlocutor.html' title='A HORA DO INTERLOCUTOR'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-3719725992951351057</id><published>2010-03-12T16:01:00.000-03:00</published><updated>2010-03-12T16:45:30.720-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o romance'/><title type='text'>LIVRO MATURADO</title><content type='html'>Escrevi a primeira versão de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chá das cinco com o vampiro&lt;/span&gt; ao longo do ano de 2002. Trata-se de uma narrativa que pertence àquele momento, quando eu concluía a quarta temporada curitibana. A primeira foi em 1983 - apenas seis meses. A segunda, entre 1987 e 1990. A terceira, em 1992. E esta mais recente entre 1999 e 2002, quando resolvi voltar para Ponta Grossa e reassumir minhas atividades na UEPG. Oito anos e muitas revisões depois, o livro é editado pela Objetiva, devendo chegar às livrarias por estes dias. Ainda não o vi impresso, e dificilmente o lerei uma outra vez. Agora, ele poderá concluir o seu ciclo, já desconectado de quem o produziu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-3719725992951351057?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/3719725992951351057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/3719725992951351057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/livro-maturado.html' title='LIVRO MATURADO'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-2009332447446521841</id><published>2010-03-11T11:21:00.000-03:00</published><updated>2010-03-11T11:25:19.025-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rir dos outros'/><title type='text'>REAÇÃO</title><content type='html'>Ao se identificar no conto de Dalton Trevisan (“Eu, bicha”), Jamil Snege aceitou o jogo, vendo a coisa toda com humor. Irônico, Snege reconhecia no outro o direito de olhá-lo corrosivamente. Não há nada mais impróprio do que o piadista que ri de tudo e de todos, e que não aceita que ninguém ria dele; que critica a torto e a direito, enfurecendo-se quando ele é o criticado. Gosto de rir dos outros, mas gosto de rir principalmente de mim mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-2009332447446521841?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/2009332447446521841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/2009332447446521841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/reacao.html' title='REAÇÃO'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-6054413777023543823</id><published>2010-03-10T14:44:00.000-03:00</published><updated>2010-03-11T11:29:05.231-03:00</updated><title type='text'>MÉTODO DE ESCRITA</title><content type='html'>Das memórias de Jamil Snege, &lt;em&gt;Como eu se fiz por si mesmo&lt;/em&gt; (Curitiba, 1994):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quando saiu &lt;em&gt;O pássaro de cinco asas&lt;/em&gt; [coletânea de contos de Dalton Trevisan], corremos a identificar os personagens. Negrinho [o cronista Carlos Alberto Pessoa], herói principal, era o personagem-título. Fábio Campana contentou-se com &lt;em&gt;'&lt;/em&gt;O gatinho perneta' e a mim coube o 'Eu, bicha'; Ali Chaim diluia-se aqui e ali, e foi visível seu desapontamento. Em retribuição, torturamos o vampiro com a notícia de que um notório brigão da cidade, identificando-se num dos contos, prometia ir à forra. Foi o mesmo que dentes de alho; por uns tempos Dalton sumiu", p.183-4.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-6054413777023543823?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/6054413777023543823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/6054413777023543823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/metodo-de-escrita.html' title='MÉTODO DE ESCRITA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3435312082629102068.post-5885882620572632925</id><published>2010-03-08T19:16:00.000-03:00</published><updated>2010-03-08T19:25:38.453-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escrita'/><title type='text'>PONTO DE PARTIDA</title><content type='html'>Um ficcionista não escreve sobre algo, mas sempre a partir de algo. Elementos iniciais detonam histórias que ganham autonomia numa estrutura que une traços de várias pessoas (do próprio autor, muitas vezes) em um único personagem, condensa situações e enfeixa episódios distantes. Mesmo que trate de acontecimentos identificáveis no que se conhece como mundo real, esta matéria imediatamente ganha um status de ficção. Há um começo, um ponto de partida – em alguns momentos mais claro em outros mais velado –, mas o texto que nasce deste referencial só pode representá-lo de forma simbólica, para além dos fatos em si. Escrevo sempre a partir de minhas experiências, nunca sobre elas. Mesmo quando falei de minha família em Chove Sobre Minha Infância (2000), usando nomes reais de meus amigos e parentes, era nesta perspectiva. Sou ficcionista. O ficcionista em mim me é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3435312082629102068-5885882620572632925?l=chadascincocomovampiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/5885882620572632925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3435312082629102068/posts/default/5885882620572632925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chadascincocomovampiro.blogspot.com/2010/03/ponto-de-partida.html' title='PONTO DE PARTIDA'/><author><name>MSN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04833527705364548445</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2UzHerFDUwQ/TFCZpDjNONI/AAAAAAAAAAs/ueE6NWitIlc/S220/_MG_4614.JPG'/></author></entry></feed>
